sábado, 7 de fevereiro de 2015

Eutanásia: um pedido de desculpas

No passado havia me posicionado a favor da eutanásia (aqui e aqui). Meu ponto era bem simples: se uma pessoa quer se matar isso é problema dela e de mais ninguém. Infelizmente este é um ponto simples e errado.

Tão logo a eutanásia seja autorizada e o problema a ser atacado será outro: o caso dos incapazes. Quem decidirá por eles? Resumindo, autorizar a eutanásia equivale a autorizar o assassinato de crianças indesejadas. E quanto aos idosos incapazes? Quem decidirá quando será melhor para eles irem para um mundo melhor? Sim, parece meio drástico o que estou dizendo. Mas a rigor as implicações de longo prazo de se liberar a eutanásia serão exatamente essas. Estaremos abrindo as portas para todo tipo de arbitrariedades contra os incapazes, se não pudermos garantir a vida a eles ficará fácil que pessoas "boas" julguem que está na hora de terminar com o sofrimento de alguns.

Enfim, peço desculpas por ter cometido um erro dessas proporções. Não deixa de ser irônico que vários me criticaram por ser um liberal em economia e mesmo assim ser contra a liberação as drogas. Diziam que esta era uma contradição evidente (o que está errado, não há contradição nesse posicionamento, e tenho vídeos explicando isso). Contudo, silenciavam frente a mais óbvia das contradições em meu pensamento: não há espaço para ser conservador em valores morais e ao mesmo tempo ser favorável a eutanásia.

11 comentários:

Pedro Erik disse...

Se uma pessoa quer se matar esse eh um problemna de muita gente. Um pai que se mata fere filhos esposas amigos etc.

A morte de alguem afeta muita gente e se eh por eutanasia entristece ainda mais pelo desprezo pela vida.

Nao eh soh um problema dos incapazes.

Abraco
Pedro Erik

Giovani disse...

Oras Adolfo, não bastaria defender a eutanásia somente quando a pessoa é capaz e decide por si mesma? Para incapazes fica proibida a decisão por terceiros. É mais justo do que deixar um capaz agonizando na morfina, e evitaria o dilema moral que te preocupa.

Marçal disse...

A coragem vem do coração e é o verdadeiro censo de auto-crítica de nossos pensamentos e linhas de pensamentos. Obrigado pela coragem, só faz aumentar meu respeito pela sua pessoa e pelas suas ideias meu amigo.

Cinara Sampaio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Concordo!

Anônimo disse...

Quer dizer que um casal tem o direito de colocar pessoas no mundo, mas não deve ter o direito de retirar pessoas do mundo?

Bastante assimétrico e parcial, não é?

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Uma maneira prática de resolver isso Adolfo, é o paciente deixar registrado em cartório o seu desejo .... Lógico que aqui, estarão excluídos os incapazes. Não podemos jamais interferir na liberdade individual, ainda mais por motivos religiosos e culturais. O não cumprimento desse desejo individual, enseja o descumprimento de um contrato como qualquer outro, e estaremos mais uma vez deixando o Estado no comando !

ANTONIO CARLOS Hindo disse...

Concordo !

Anônimo disse...

e porque devemos manter pessoas em estado vegetativo artificialmente vivas por meio de aparelhos caríssimos, que consomem centenas de milhares de reais por mês do SUS, em nome de um ente fictício que muitos chamam de deus?

Anônimo disse...

É só proibir eutanásia para os incapazes. Pronto.

SF disse...

Bonito gesto o de se retratar. Também não sei se teria coragem de autorizar uma eutanásia. As vezes são os custos de manter uma vida que falam mais alto.
Acredito que a diagnose da morte cerebral deveria ser suficiente para desligar os aparelhos que mantém a vida meramente vegetativa. Mas não seria propriamente uma eutanásia...
Já qdo o indivíduo pede para ser morto é provável que não esteja em sã consciência. A dor e o medo devem ser de tal magnitude que fazem a morte parecer melhor que a vida. Nestas ocasiões a proibição da eutanásia faz sentido.
Proporcionar o conforto possível ao paciente parece muito mais humano do que atender ao seu pedido.

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