quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Samba, A Mulher Perfeita, o Mercado de Trabalho e o Problema dos Critérios Objetivos


Há muito tempo alerto sobre o problema dos critérios objetivos. Julgar alguém com base em critérios objetivos é muito mais difícil do que parece. Não acredita em mim? Então faça o seguinte: monte sua mulher perfeita! As pernas da fulana, o nariz da ciclana, os olhos da outra, etc. Ao final veja o resultado... provavelmente será uma mulher feia. Resumindo, se fossemos montar a mulher perfeita (ou o homem perfeito) elegendo as melhores partes de cada um provavelmente teríamos frankestein ao final. Claro que para quem já assistiu a primeira versão de Robocop (quando querem montar um software para o policial perfeito) isso não é novidade.

Escolha um critério para eleger um bom jogador de basquete. Que tal o cara ser capaz de acertar ao menos 60% dos lances livres (uma marca bem modesta)? Bom, Shaquille O'Neal ficaria de fora por essa medida. Escolher critérios objetivos para elencar produtividade pode ser útil numa série grande de atividades, mas em outras é pior do que inútil, é danosa. Numa série enorme de profissões a escolha de critérios objetivos para avaliar desempenho individual é o caminho certo para a ruína da empresa.

Critérios objetivos na avaliação de desempenho fazem as pessoas mudarem seu comportamento e direcionarem seu esforço para tarefas onde obtém o máximo de pontos. Claro, isso pode ser extremamente positivo em algumas profissões, mas em outras é o caminho para bagunçar tudo. Veja o exemplo do carnaval do Rio de Janeiro. Dificilmente a escola de samba que levanta a Sapucaí é a mesma que é eleita campeã do carnaval. Isso ocorre pois ao se avaliar o desempenho das escolas de samba quesito a quesito perde-se a visão do todo. O resultado é que por vezes escolas com sambas medianos, que não empolgam ninguém, são declaradas campeãs. Por outro lado, as preferidas do público são relegadas ao esquecimento.

A escolha de critérios objetivos para a avaliação de desempenho individual nas empresas é importante. Não quero desmerecer isso. Contudo, não adianta basear a escolha de quem deve ser promovido com base unicamente em tais critérios. O ser humano é muito superior a soma individual de suas partes. Esquecer disso é um erro grave.

Um comentário:

Cinara Sampaio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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