segunda-feira, 1 de junho de 2015

Respondendo a Olavo de Carvalho

Vamos deixar uma coisa clara, se Olavo de Carvalho diz A e eu digo B então o mais provável é que ele esteja certo e eu errado. Dito isso, vamos em frente.

Olavo deu a entender que a Marcha pela Liberdade cometeu um equivoco ao incluir os políticos na manifestação. Claro que entendo o risco, mas vejamos dois fatos importantes: a) a manifestação de 12/04 foi bem menor que a de 15/03, além disso não parece provável que uma terceira manifestação de rua por todo o Brasil tenha destino melhor. Sendo assim, a opção pelas grandes manifestações de rua no Brasil parecem esgotadas (existe ainda uma esperança para o dia 07/09 em Brasília); e b) o processo de impeachment passa necessariamente por políticos.

Como não há muito mais espaço para outras manifestações de rua, e na tentativa de levar o impeachment adiante me parece que incluir políticos era um caminho natural. Basicamente não há como fazer o impeachment sem o apoio de deputados e senadores. Então quando o professor Olavo pergunta "De quem foi a ideia de incluir políticos?", bem eu não sei a resposta. Não sei quem deu a ideia, mas me parece que a inclusão de políticos era necessária. A opção de não incluir políticos no processo tem outro nome, e honestamente não concordo com a retirada de Dilma que não seja feita pelo Congresso Nacional.

O professor Olavo também diz que temos que aprender com a esquerda, ocupar espaços, e lentamente alcançarmos o poder (dominando a alta cultura por exemplo). Sim, certamente esse eh um caminho inteligente. Contudo, tenho aqui uma dúvida: quem disse que a esquerda será tão gentil conosco? Quem disse que a esquerda nos permitirá essa estratégia? No passado a esquerda foi dominando e ocupando espaços sem enfrentar resistência. Mas acaso essa opção existe hoje? Acaso os jornais (revistas, editoras, universidades, etc.) estão abertos hoje como estavam para a esquerda no passado? Será que temos 10 anos de prazo para irmos conquistando o poder aos poucos?

Claro que entendo os pontos do Professor, contudo creio que minha duvidas também são pertinentes. Em minha modesta opinião, nós não temos 10 anos... temos no máximo até 2018 para revertermos o quadro, depois disso será ladeira abaixo. Também não apoio a retirada de Dilma Rousseff da presidência sem a aprovação do impeachment pelo Congresso Nacional.

Para encerrar, recomendo que leiam novamente o primeiro parágrafo. Existe uma boa chance de eu estar errado. Mas minhas dúvidas são honestas.

10 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito! Admiro o OC, mas tem hora que a vaidade lhe sobe a cabeça.... Quando em um hangout disse que o Kim deveria ter-lhe pedido orientações tive postar um comentário elogiando o garoto. OC deu uma de Marco Antonio Villa...

Ricardo Bahia disse...

Adolfo no meu entendimento os partidos políticos que compõem a base governamental do são de esquerda e estão em conluio com o Foro de São Paulo. Logo eles irão fazer de tudo para que o impeachment não tenha sucesso. Eu acho que o Olavo pensa isso também. Respeito o Olavo quando ele compara as ações da direita ao exemplo que a esquerda vem fazendo para ocupar espaços. Ele está certíssimo. A ocupação de espaços é a melhor arma para neutralizar as ações do inimigo. Eu acho que a mídia de massa não permitirá isso. Resta-nos apenas a internet como ferramenta de educação para a população menos avisada. Mas vamos aguardando o desenrolar do processo de impeachment, torcendo para dar tudo certo. Em paralelo não podemos desistir de continuar lutando por um Brasil mais livre.

Jaime Carreiro disse...

O dito pelo Prof., creio eu, não deve ser irrestritamente analisado "ao pé da letra". Claro que tudo iria desaguar nas nãos "deles", mas não da forma como foi. Apenas uma modesta opinião. Eh hora de União, não de fragmentação. Melhor para eles.

Jaime Carreiro disse...

O dito pelo Prof., creio eu, não deve ser irrestritamente analisado "ao pé da letra". Claro que tudo iria desaguar nas nãos "deles", mas não da forma como foi. Apenas uma modesta opinião. Eh hora de União, não de fragmentação. Melhor para eles.

Maria Regina Monte disse...

Pois é Adolfo, eu não penso como vc a respeito das manifestações. Acho que existe sim bastante espaço para elas acontecerem e serem GRANDES. Temos que nos unir à toda América Latina nessa luta. E vamos vencer. Do meu ponto de vista, acho que mesmo se esse pedido não for aceito, pelo menos deverá ser lido e servirá como um "abridor de portas" para outros, ou mesmo para a análise de crime comum da Dilma. O professor Olavo mesmo diz que a função de um filósofo não é apresentar respostas, mas analisar o que está acontecendo, de todos os lados. O que não podemos é parar. Dia 12/04, que vc disse que foi menor, não concordo. Tenho uma amiga que mora em Arapongas (Paraná) e lá tbm teve manifestação. Ao não organizar novas passeatas aí sim estarão tirando do povo o entusiasmo. E isso é tudo o que a esquerda quer. TEMOS QUE VOLTAR ÀS RUAS!!

Anônimo disse...

Infelizmente concordo com você, Sachsida, a esquerda não concederá às oposições VERDADEIRAS o espaço que ela ocupou enquanto o restante da sociedade dormi em berço esplêndido. Eles estarão sempre vigilantes para abortar na origem qq tentativa. Ou conseguimos até 2018, ou Grande Venezuela do Sul será nosso destino ...
Mais pessimisticamente ainda, nos meus momentos mais depressivos, receio que esses insanos pretendam celebrar os 100 anos de fundação da URSS declarando a UNASUL uma ré-pública socialista coletiva de Brasil, Venezuela, Equador e Bolívia ... (acho que a Argentina, apesar de tudo, não entraria nessa). Institucionalmente parece-me ainda impossível, mas nesse continente destinado às desgraças desde sua primeira entrada na História, tudo de ruim parece possível ...

Anônimo disse...

Acredito que na visão do Olavo tirar tão somente a Dilma não é a solução. Há todo um aparelhamento do estado que ficaria intacto. O impeachment da presidente salvaria toda a classe política, dando uma falsa sensação de que o problema maior foi resolvido. Toda a estrutura do poder - que inclui a pseudo-oposição, artistas financiados pela Rouanet, STF e etc - continuaria caminhando a largos passos rumo ao bolivarianismo.

A Dilma poderia também sair do poder renunciado como consequência de uma greve geral maciça. Não defender o impeachment não significa defender algum golpe, como por exemplo algo de cunho militar.

Ademais, o ponto principal do Olavo é a fraude nas urnas. E é assim que ele acredita que o PT deve ser tirado do poder e talvez até ter seu registro cassado.

Se realmente há algum mecanismo de fraude nas eleições então toda e qualquer ação para 2018 (e além) será inócua.

Elon disse...

Adolfo, psdb é pt com grife? Vale a reflexão.
Precisamos mesmo de grandes manifestações? Talvez não.
Acho possível aos poucos desnudar o "petismo" nos bares,
nos panelaços, nos buzinaços, num outdoor pago
ou em qualquer meio!
Somos a maioria e ganharemos as ruas.
Os políticos não são necessários nisso.

Jonas disse...

Mestre Sachsida:

O Professor Olavo, com toda sua alta cultura, inegável, é a favor da intervenção militar. Creio que esse é um mau caminho.

A serpente que hoje destrói nossa pátria foi chocada na ditadura militar: o que seria dessa esquerdalhada sem os milicos?

Respeito as forças armadas, mas elas não foram feitas para governar um país.

Que tenhamos mais inteligência para não repetirmos 1964.

J.

Anônimo disse...

As manifestações devem continuar acontecendo!!!!!
Temos muitas pessoas com vontade de continuar protestando contra toda essa bandalheira e incompetência do PT.
Alguns motivos do menor nº de pessoas na 2ª manifestação:
1)O maior motivo, por incrível que pareça foram as finais dos campeonatos estaduais de futebol;
2)É normal que uma ou outra manifestação dê mais ou menos gente;
3)A 1ª foi a maior de todos os tempos, e ainda assim a 2ª está entre as Motivos para continuarmos:
1)Temos que continuar articulados, nos manifestando pacificamente;
maiores manifestações do Brasil de todos os tempos.
2)Não podemos deixar o PT respirar mais uma vez para escapar das punições como em 2005;
3)É necessário criar espaço para o surgimento e fortalecimento de novos nomes na política brasileira;

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