quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Por que CNI, FIESP, ITAU e BRADESCO apoiam Dilma e o PT?

Uma pergunta intrigante: Por que CNI, FIESP, ITAU e BRADESCO apoiam Dilma e o PT? Ora, o PT é o partido que critica abertamente a exploração promovida pelos grandes empresários. Por que tais empresários apoiariam quem os ataca diariamente?

A resposta é simples: no Brasil existe um acordo entre o Estado e os mega-empresários. Os mega-empresários pagam uma carga tributária gigante e complexa, mas não reclamam de maneira contundente. Os mega-empresários se deparam com leis trabalhistas retrógradas, mas também não se posicionam de maneira contundente contra elas. Os mega-empresários se defrontam com uma burocracia regulatória gigante, e novamente se calam. Em troca recebem do Estado proteção contra a competição externa e interna.

Os impostos de importação associados com barreiras não tarifárias, tal como a política de componentes nacionais, barram boa parte da competição externa, garantindo a grandes grupos nacionais o domínio do mercado. O exemplo mais óbvio disso é o setor automobilístico, onde o brasileiro é obrigado a pagar caro por um carro tecnologicamente defasado. Quantas famílias já foram separadas por esse custo? Quantas crianças morreram por estarem em carros inseguros (quando comparados com os automóveis americanos, europeus ou japoneses)? Quantas famílias são obrigadas a acordar as 5 horas da manhã, pois não tem recursos para comprar um automóvel que em outra parte do mundo custaria metade do preço?

Quanto a competição interna, o complexo sistema tributário e de legislação dificultam o surgimento de novas empresas no Brasil. Esse enorme custo burocrático favorece os grandes grupos que já estão instalados no país impedindo a entrada de novas firmas. Outro exemplo são os generosos empréstimos do BNDES dado a mega-empresários, dinheiro esse que sai do bolso de todos os trabalhadores brasileiros para favorecer os “campeões nacionais”. Você se lembra que Eike Batista era um grande fã de Lula?

Os mega-empresários apoiam Dilma e o PT pois são eles quem estão no poder. Irão apoiar qualquer um que lhes garante os mesmos benefícios. Exatamente por isso devemos limitar o poder do Estado, quando o Estado é grande e poderoso os grandes grupos empresariais irão se apoderar dele, impondo a população toda sorte de legislação para barrar a competição, garantindo assim a continuidade da ausência de competição que marca o mercado brasileiro.

A primeira vez que visitei os Estados Unidos fui num bar e pedi uma cerveja. O garçom me perguntou qual cerveja, e eu respondi que queria uma Muller. O garçom então disse, qual das Muller? Na volta ao Brasil pedi uma skol, e a resposta foi “Aqui só tem Brahma”. É isso que um Estado grande faz, acaba com a competição se associando aos grandes grupos empresariais. A conta disso é paga por toda sociedade obrigada a se confrontar com serviços caros e de baixa qualidade.

4 comentários:

Jorge disse...

Excelente!

Rafael H M Pereira disse...

Adolfo, boa parte das grandes empresas que declaram doacoes para campanha presidencial fazem doacoes para mais de um partido, inclusive para partidos oponentes como PT e PSDB. Veja os dados disponiveis aqui. http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais

Seu artigo tem uns pontos interessantes, mas ao falar estritamente da relacao das grande empresas com o PT, se cria uma ilusao de que a culpa eh desse ou daquele governo, de que essa pratica nao existia em governos anteriores, o que coloca toda responsabilidade sobre o governo e parece ignorar que as empresas fazem esse jogo deloberadamente como estrategia de minimizar riscos e aumentar sua influencia (seja qual for o partido vencedor).

O problema dessa visao? Se demoniza um partido, e se ignora que o causa primaria disto esta do desenho do sistema politico. Um sinal disso eh que toda a circulacao de partidos no poder nunca mundo esse e tantos outros problemas de captura, corrupcao, etc.

ps. nao tenho sugestao sobre como concertar o sistema politico, mas se nos fixarmos nesse diagnostico errado, vamos diminuir muito as chances de acertar alguma coisa.

Anônimo disse...

Mas cada bar de merda vc frequenta, Sachsida!

Adolfo Sachsida disse...

Caro Rafael,

Creio que você não leu o artigo com atenção, releia o paragrafo que copio abaixo. Você verá que deixo claro que o problema é o tamanho do Estado:

"Os mega-empresários apoiam Dilma e o PT pois são eles quem estão no poder. Irão apoiar qualquer um que lhes garante os mesmos benefícios. Exatamente por isso devemos limitar o poder do Estado, quando o Estado é grande e poderoso os grandes grupos empresariais irão se apoderar dele, impondo a população toda sorte de legislação para barrar a competição, garantindo assim a continuidade da ausência de competição que marca o mercado brasileiro."

Abraco

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