segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Lições da Mudança de Regras na Natação para o Aborto e o Casamento

No passado, havia uma regra chamada “queimada” nas competições de natação. “Queimar” a largada significava sair antes do momento certo da partida. Quando um nadador queimava a largada ele era advertido e uma nova largada era dada. Apenas na eventualidade de uma terceira queimada da largada é que os nadadores eram punidos com a eliminação da prova. Essa regra foi alterada, hoje se alguém queimar a largada (mesmo que apenas uma única vez) está automaticamente eliminado da prova.

No passado era comum ver nadadores “queimarem” a largada, hoje queimar a largada é um evento raro. A explicação é simples: o custo de se queimar a largada aumentou muito, nenhum nadador quer se arriscar a ser eliminado de uma competição por um erro primário desses. Creio que essa lição, guardadas as devidas proporções, pode ser aplicada a uma série ampla de fenômenos sociais, notadamente o aborto e o divórcio.

Quando o divórcio era proibido o custo de se ingressar num casamento ruim era muito alto, a facilidade do divórcio notadamente diminui esse custo. O resultado é que agora pode-se “queimar” a largada a um custo menor. Tal como era no passado da natação, a legislação permissiva referente ao divórcio, bem como sua aceitação social, tornaram menos oneroso o custo de um mau casamento. O resultado óbvio é que muitos casais acabam casando antes da hora (tal como antes alguns nadadores pulavam antes da hora).

Tal como aconteceu na natação e no casamento, ocorrerá também com o aborto. Uma vez que o aborto seja liberado o custo do sexo sem responsabilidade irá diminuir, o que por sua vez aumentará a quantidade de gravidez indesejada, que terminará por aumentar ainda mais a quantidade de abortos. Mas como o custo do sexo sem compromisso foi reduzido, aumentará também o número de pessoas com doenças sexualmente transmissíveis.

Esse texto é apenas um lembrete: toda vez que o custo de determinado comportamento é reduzido sua quantidade aumenta. Diminuir o custo do usuário de drogas irá inevitavelmente aumentar o número de usuários. Aqui não vai nenhum juízo de valor, é apenas uma constatação lógica. Constatação essa que vale para todos os fenômenos sócio-econômicos, sendo o aborto, o divórcio e a liberação das drogas os exemplos mais óbvios desse fenômeno.

8 comentários:

Anônimo disse...

Não sei se concordo não. Minha percepção é que antigamente quando o divórcio era mal visto as pessoas se casavam até com 16 anos (idade que minha avó se casiu)
Hoje é raro se casar antes dos 25 (sem uma gravidez precipitada).

O sexo tem outros custos mais graves que uma gravidez, como Aids e outras DSTs.

Daniel

Tati disse...

Verdade, Adolfo, como conservadora, mãe, católica, esposa e profissional, vejo que hoje a maior dificuldade é o bom senso. Acho que existe um ditado que diz que "Deus quando quer castigar o ser humano, tira primeiro o bom senso." Hoje em dia, é muito difícil debater qualquer coisa, todo mundo parece extremista. Houve abusos da Igreja sim, houve abusos perpetrados pelo machismo sim, houve uma série de abusos na História, mas em lugar de se encontrar um equilíbrio, as pessoas, infantilmente, buscam o outro extremo, tão ruim quanto. Exemplo clássico é em relação às religiões, notadamente a cristã católica: se houve abusos, em lugar de se procurar corrigi-los (mentalidade conservadora), vamos abolir as religiões (mentalidade extremista). Se vários homens foram maus maridos e maus pais, em lugar de promover a consciência do homem como pai e esposo, vamos acabar com a figura masculina, com o casamento, com a presença do pai em casa. Sentimos as consequências nefastas dessa mentalidade na sociedade que como vc diz se retroalimentam. Tá difícil um debate sensato hoje em dia. Força e honra, Tati.

Anônimo disse...

Com mais gente usando drogas, teremos mais drogados entre nós, e veremos o quando isto é ruim, aí então o números de drogados irá diminuir?

Rafael H M Pereira disse...

A intuicao parece boa, mas a comparacao eh um tanto descabida. Na minha opiniao nao dah para comparar competicao atletica, divorcio e aborto por diversos motivos, incluindo os riscos envolvidos e o tipo de 'penalidade' etc.

Mas nessas discussoes, opinioes importam menos do que os dados, neh?. Aqui tem o caso do Urugai contrariando a intuicao. A ver como sao os dados de outros paises.

Uruguai: após legalização, desistência de abortos sobe 30%
https://noticias.terra.com.br/mundo/america-latina/uruguai-apos-legalizacao-desistencia-de-abortos-sobe-30,2e4163764976c410VgnCLD200000b1bf46d0RCRD.html

Anônimo disse...

Adolfo, por isso que a liberação do uso de drogas só deve vir acompanhada do fim do SUS e outras politicas estatais.

Anônimo disse...


Aplaudo teu texto, que embora de lógica óbvia, quem quer que o 'mundo acabe em barranco para morrer encostado', nunca quer aceitar 'lógica irrefutável que restrinja seus descontroles'.

Apenas complemento que esta lógica é tão mais verdadeira quanto mais Viciante é comportamento social, o sexo, as drogas, as parafilias, tudo muito viciante e incitante. Por isto pessoas como FHC, para mim tem o pensamento raso de adolescentes ao defender o 'beque legalizado', sequer tem a consciência de suas psiquês os guiando (e não a lógica, tem pessoas que não entendo como são chamadas de filósofos).

Anônimo disse...

Adolfo,
Fiquei sabendo que o Lula estará no Congresso na segunda feira 29/agosto em apoio a Dilma. Como estão as movimentações para fazer manifestação?
Eu quero ir...
Um abraço

Anônimo disse...

Uma visão melhor sobre o assunto é deixar a questão do casamento para as igrejas e manter o estado fora das relações conjugais.

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