domingo, 17 de setembro de 2017

Mais Escolas, Menos Presídios? E que tal mais Igrejas?

Existe uma falácia que muitos repetem "Prefiro construir escolas a construir cadeias". Óbvio que qualquer pessoa sensata prefere isso. O problema real não é esse, o problema é que apesar de preferirmos construir escolas, as vezes é necessário construir também presídios.

Mas o motivo desse post é outro: as pessoas que argumentam que preferem escolas a cadeias deveriam elas mesmas serem favoráveis a construção de mais igrejas. O motivo é simples: a eficiência da igreja para evitar crimes é tão defensável quanto a da escola. Isso ocorre em duas frentes:

1) é verdade que educação aumenta o custo de oportunidade da atividade criminosa, mas é igualmente verdade que educação diminui o custo de aprendizagem de atividades ilícitas. Tanto é assim que estudos teóricos colocam o efeito da educação sobre a criminalidade como AMBÍGUO. Isto é, mais educação pode aumentar ou diminuir a criminalidade dependendo dos parâmetros adotados no modelo, e dependendo do tipo de crime em questão (FAJNZYLBER, LEDERMAN, e LOAYZA, 2002). Vale ressaltar que diferentes políticas educacionais tem efeitos importantes sobre a criminalidade (LOCHNER, 2010).

2) A igreja combate QUALQUER tipo de crime, acreditar em Deus e na existência de uma punição (ou recompensa) em decorrência de seu comportamento terreno gera incentivos importantes no combate a criminalidade. Apenas para dar ao leitor uma noção de magnitude existem mais pessoas que acreditam no inferno do que no sistema legal brasileiro. Vários estudos comprovam a importância da interação social no combate a criminalidade, e entre os componentes da interação social resta óbvio que uma família bem estruturada e uma crença na justiça divina atuam positivamente no combate ao crime (MENDONÇA, LOUREIRO, e SACHSIDA, 2002).

De maneira alguma argumento que devemos construir igrejas e não escolas. Argumento apenas que o pessoal do "Mais amor por favor", ou do "Prefiro construir escolas à presídios", deveria dizer que prefere também a construção de mais igrejas.

Para que não restem dúvidas, esse é um post crítico ao pessoal que cria falsas escolhas na sociedade para aparecerem bem na foto, e bancarem os isentões. Da próxima vez que esse pessoal aparecer para bancar os bacanas cobrem deles também a construção de mais igrejas. Tenho a impressão que irão gaguejar! Óbvio que construir escolas é importante, óbvio que igrejas são importantes, mas óbvio também que é necessário construir presídios.

FAJNZYLBER, P., LEDERMAN, D., LOAYZA, N. What causes violent crime. World Bank Report, 1998.

LOCHNER, L. "Education Policy and Crime". University of Western Ontario, September, 2010.

MENDONÇA, M.; LOUREIRO, P.; SACHSIDA, A. Interação social e crimes violentos: uma análise empírica a partir dos dados do Presídio da Papuda. Estudos Econômicos, v. 32, n. 4, p. 621-641, out./dez. 2002.

Um comentário:

Julio Cesar disse...

Sim, a ideia de ter que escolher entre construir presídios e construir escolas é tentar forçar uma falsa dicotomia, já que por mais que o governo investosse em escolas, (supondo que isso diminuísse a criminalidade) sempre haveria algum nível de criminalidade na sociedade e presídios seriam necessários.

Porém a comparação entre construir escolas e construir igrejas é péssima. Quando se demanda que se construam menos presidios e mais escolas, está se demandandando que o governo diminua o gasto em uma área legítima (presidios) e gaste mais com algo igualmente legítimo (escolas). A alternativa de se exigir que o estado gaste construindo igrejas fere diretamente a laicidade do estado, configurando essa alternativa por tanto em um gasto ilegítimo. sendo assim o pessoal que "o pessoal que cria falsas escolhas na sociedade para aparecerem bem na foto" poderiam manter seu posicionamento e derrubar seu argumento apresentando a laicidade do estado como barreira a alternativa apresentada por vc.

Acredito que entendi o seu ponto, mas tratar igrejas como alternativa a escolas denroo desse discurso é um aegumento que tem varios pontos fracos. Talvez haja algum outro tipo de instituição que pudesse entrar no lugar para que o argumento ficasse mais sólido. Essa postagem pareceu mais proselitismo religioso do que do que uma análise bem fundamentada do discurso dominante.

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