sábado, 19 de maio de 2018

O que aconteceu com a taxa de câmbio?

Nos últimos trinta dias a taxa de câmbio saltou de R$ 3,41 (em 20/04/2018) para R$ 3,75 (em 18/05/2018), uma valorização de 9,1% em apenas um mês. Qual a origem dessa valorização?

Responder questões referentes a variações cambiais de curto prazo nunca é tarefa fácil, e é bom o leitor saber que existe uma boa chance de eu estar errado nessa análise.

Li alguns colegas, muito bem qualificados, atribuindo a variação cambial a um erro de comunicação do Banco Central. Segundo eles, a última ata do COPOM não estava tão clara quanto outras, e atribuíam certa dose de culpa a uma entrevista recente do presidente do BACEN (onde ele teria sido infeliz em alguns comentários).

Com o devido respeito discordo de meus colegas, acho que a recente valorização do dólar tem pouco a ver com erros de comunicação, e mais a ver com um pequeno deslize no gerenciamento da política monetária. Tal como afirmei em 09 de fevereiro em minha página do facebook:

"Apenas para registro: a equipe do Banco Central está fazendo um trabalho excelente. Dito isso, confesso que achei equivocada a decisão de reduzir a taxa de juros para 6,75%. O ambiente fiscal interno está péssimo, os riscos eleitorais são altos com candidatos à presidência e a governador prometendo aumentar os gastos públicos. Por fim, o risco externo de aumento da taxa de juros internacional é bem real".

Em outras palavras, me manifestava favorável a manutenção da taxa de juros em 7%. Diga-se de passagem, meu querido amigo Roberto Ellery fez alertas similares. Após esse episódio, em 21 de março, o BACEN reduziria novamente a taxa de juros para 6,5% ao ano. Novamente, em minha opinião, uma decisão equivocada.

Creio que foi essa redução equivocada nos juros a razão principal por trás da valorização cambial recente. Nossa economia está numa situação delicada, prudência é fundamental. Mas, ressalto uma vez mais, a equipe atual do Banco Central faz um belo trabalho e tem meu apoio. Além disso, lembro a todos que quem pode estar errado sou eu, prudência na análise aqui é fundamental.

Para finalizar, lembro uma vez mais que a taxa de câmbio é um preço. Logo, me parece equivocado tentar intervir em sua variação, creio que o mais acertado aqui é deixar o câmbio flutuar.






Um comentário:

Anônimo disse...

Adolfo, assunto fora do tópico, apenas sugerindo uma idéia pra economizar algum dinheiro público. A Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral são parte do Judiciário da União, como a Justiça Federal. Foi barrada a tentativa de criação de novos Tribunais Regionais Federais. Mas a Justiça Eleitoral tem Tribunais Regionais em todos os estados, e a Justiça do Trabalho tem Tribunais Regionais em quase todos os Estados, sendo que São Paulo tem dois: um com sede em Campinas e outro na Capital. Qual a necessidade disso? Nenhuma. Sustentações orais não são feitas pelas partes pessoalmente, elas não precisam se deslocar até a sede do tribunal, e os advogados podem fazer sustentação oral por videoconferência, há essa previsão no Código de Processo Civil. Multiplicação de Tribunais Regionais é multiplicação de estruturas administrativas (as quais costumam consumir mais recursos do que a própria primeira instância que atende o público!), escolas judiciais, cargos de presidentes, vice-presidentes e corregedores, diárias dos presidentes para receberem medalhinhas nos tribunais vizinhos... Se a Justiça Eleitoral e a Trabalhista tivessem a mesma configuração da Federal Comum, bilhões e bilhões de reais seriam economizados. Outra coisa: nos estados de maior área e menor povoação a competência de uma Vara do Trabalho costuma abranger dezenas de Municípios espalhados por até dezenas de milhares de quilômetros. Isso é bom para o jurisdicionado? Não! O jurisdicionado que reside numa ponta da competência tem que se deslocar 150, 200km para ir a uma audiência. Como os tribunais fingem resolver isso? Fazendo episódios de justiça itinerante, pagando diárias a juízes, servidores, agentes de segurança, técnicos de informática, para que realizem audiências uma semana por semestre ou por ano em um Município distante. O custo é de dezenas de milhares de reais para fazer trinta, quarenta audiências numa semana, e só beneficia a quem teve a sorte de entrar na pauta, os outros que tiverem audiência no mês seguinte terão que se deslocar até a sede da Vara. O certo seria que a competência territorial da Vara do Trabalho se limitasse aos Municípios que tenham sede num raio de 50km da sede da Vara, e nos demais municípios o processo devia correr na Justiça Estadual que tem muito maior capilaridade. Outra coisa: alguns Tribunais Regionais do Trabalho e da Justiça Militar pagam diárias aos oficiais de justiça para cumprimento de mandados fora da cidade sede da Vara. Num mundo de comunicação eletrônica, o Malote Digital do CNJ devia ser estendido a toda administração pública, não só aos órgãos judiciários. Isso eliminaria a necessidade de incontáveis diligências. E mandados a serem cumpridos fora da cidade sede da Vara deviam ser encaminhados (por carta precatória pelo malote digital) para a Justiça Estadual do local de cumprimento, pois ela está presente em todos os lugares.

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