quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Cinema nacional x Música brasileira

O cinema nacional e a música brasileira fornecem um ótimo exemplo dos efeitos da intervenção do estado na economia. A partir de meados da década de 1960 o cinema brasileiro começou a entrar na era do “cinema novo”. Movimento esse que tinha em Glauber Rocha seu grande representante. Frases do tipo “Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão” passaram a ganhar enorme respeitabilidade. O “cinema novo” era conhecido por seu desapego ao mercado, a única coisa que importava era a qualidade da obra. Obviamente, tal distanciamento do mercado só era possível graças a generosos subsídios dados a tais cineastas pelo estado brasileiro. Em nome da qualidade do cinema nacional o estado brasileiro financiou grande parte das produções cinematográficas do período. Resultado: de 1960 a 1990 das 10 maiores bilheterias nacionais, 7 eram filmes dos Trapalhões. Não quero desmerecer os Trapalhões (eu mesmo fui um grande fã), mas vale a pergunta: em 30 anos de subsídios federais, quantos filmes brasileiros conseguiram ter uma arrecadação maior que a audiência da Rede Vida de televisão no domingo às 6:00 horas da manhã? Quantos prêmios internacionais foram ganhos? Qual filme brasileiro ganhou um Oscar (reconhecidamente o prêmio mais importante do cinema mundial)?

Vamos agora checar o outro extremo. A música brasileira não recebeu subsídios do governo. Livre dessa substância que causa dependência, os músicos brasileiros tiveram que agradar ao mercado. Tiveram que identificar o gosto do público e satisfazê-lo. A principal preocupação de grande parte dos músicos não era produzir música de qualidade, mas sim produzir músicas que agradassem ao público, e ganhar dinheiro com isso. Resultado: hoje a música brasileira esta entre as melhores do mundo. Músicos brasileiros fazem shows no exterior, músicas brasileiras são tocadas em rádios pelo mundo, até filmes americanos usam algumas músicas brasileiras como música de fundo. Mais do que isso, vários cantores brasileiros já ganharam o Grammy (que é considerado o Oscar da música) demonstrando a qualidade da música nacional.

Esquecendo o mercado e tentando buscar a qualidade, o cinema nacional falhou de maneira inegável. Esquecendo a qualidade e tentando satisfazer o mercado, a música brasileira se tornou um sucesso a nível mundial. Esse é apenas mais um exemplo dos males causados pela intervenção governamental. Aliás, cá entre nós, qual é a justificativa para se usar dinheiro dos impostos para financiar filmes ao invés de melhorar a educação nas escolas?

4 comentários:

Mônica disse...

Se o Ministério da Cultura do Brasil é capaz de liberar o filme de Bruna Surfistinha – que conta a trajetória de Raquel Pacheco, uma ex garota de programa - para captar R$ 3.998.621,65 por meio de mecanismo de renúncia fiscal não deve estar almejando um dia ganhar um Oscar. Mais uma vez o Brasil incentivando porcaria ao invés de incentivar cultura.
Podemos reafirmar que o Brasil está para música de qualidade, assim como Hollywood está para grandes produções cinematográficas.Seria injusto com os EUA não reconhecer isso.

Anônimo disse...

Compartilho dessa idéia... Não sou crítico de cinema e nem sou músico, mas essa
concepção de que só faço trabalho de qualidade e não para o mercado é uma pura
contradição! Se o mercado não gostou, como pode ser de boa qualidade? Só porque
vc e/ou uma minoria tem um "gosto apurado"? Isso não é qualidade, mas sim
arrogância... Outra coisa: se vc quer fazer um produto para um grupo seleto, é
direito seu. Mas cobre mais caro por isso e não me peça subsídio! Por isso
gostava do "Dinho" (Mamonas Assassinas). Uma vez perguntaram a ele mais ou menos
ou seguinte: Dinho, quando vc faz suas músicas, vc pensa nas crianças e
adolescentes? Rapidamente ele respondeu: "Não! Penso nas crianças, nos
adolescentes, nos adultos, nos velhos..."

Erik Figueiredo disse...

Adolfo,
Concordo com a parte "econômica" do comentário. Sou contra os subsídios governamentais direcionados ao cinema. Mas acho que o cinema brasileiro ganhou alguns prêmios internacionais relevantes. Esqueça o Oscar e olhe o circuíto europeu.

Anônimo disse...

Oscar? esse só indica e prêmia os filmes que dão mais "presentes" aos votantes.

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