quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Enquanto houver otário no mundo malandro não morre de fome (Bezerra da Silva)

Há alguns meses atrás, uma transação econômica envolvendo a compra da Ipiringa pela Petrobras gerou polêmica: pipocaram acusações referentes ao uso de informação privilegiada. Nessa semana, nova aquisição da Petrobras e novo escandalo. Novamente, aparecem acusações de uso de informações privilegiadas. Segundo algumas fontes, o ganho de determinados especuladores atinge a formidável marca de quase 1 milhão de reais; isto implica em mais de 500 mil dólares de lucro em menos de uma semana.

Dizem que quem controla a Petrobras é o governo; eu não acredito. Depois que se cria um monstro, ninguém mais o controla. Ele passa a ter vida própria. De qualquer maneira, a União ainda é controladora majoritária. Se a União é o dono, então a Petrobras deve explicações não só à Comissão de Valores Mobiliários (como qualquer empresa que opera em bolsa), mas também ao povo brasileiro (que em última instância, bem lá no final, também é seu acionista). São duas acusações extremamente severas num período curtíssimo de tempo. Seriam três acusações se juntássemos às duas primeiras uma terceira, causada pela investigação da Polícia Federal nas contas desta estatal. Até quando assistiremos esse festival de maracutaias que assola a Petrobras?

Como resolver o problema da Petrobras? Enquanto a Petrobras for propriedade do estado, os únicos a se beneficiarem dela, de maneira legal, serão seus funcionários. Essa é a grande verdade sobre empresas estatais. Elas surgem com o argumento de proteger a nação, de proteger a riqueza do país da exploração estrangeira; mas só protegem mesmo os funcionários que nelas trabalham. Claro que muitos outros lucram, de maneira ilegal, com as empresas estatais. Principalmente os corruptos, os governantes que fazem das estatais cabides de emprego e moeda política. Chequem os membros da direção executiva dos Correios, da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e assim por diante, vocês encontrarão muito mais indicações políticas do que propriamente méritos técnicos.

Ou nos livramos dos monstros estatais que criamos, ou eles continuarão retirando os recursos públicos (proporcionado pelos contribuintes, seja por impostos, seja por renúncias fiscais ou subsídios) para fins privados. Não adianta acreditar que com uma direção competente uma empresa estatal pode ter sucesso. O motivo é simples: isso é muito mais a exceção do que a regra, pois cedo ou tarde a diretoria técnica será substituída por uma diretoria política; então o ciclo de corrupção recomeçará.


As pessoas reagem a incentivos, e os incentivos providenciados por empresas públicas favorecem muito mais o partidarismo político (popularmente conhecido como puxada de saco) do que a competência técnica. Ou nas sábias palavras de Bezerra da Silva: “Enquanto houver otário no mundo malandro não morre de fome”. E o otário nessa situação somos nós, os não empregados em empresas estatais e não dispostos a puxar o saco de algum político.

5 comentários:

Marco Bittencourt disse...

Concordo com você. Eu nunca obtive nenhum beneficio da Petrobrás. Muito pelo
contrário: pago um preço elevado pela gasolina, enquanto empresários paulistas
pagam preço de banana pelo gás boliviano. A rigor não importa se temos empresa
estatal ou privada. No primeiro caso, o perigo é termos uma turba de
funcionários que irão extorquir o povo através do controle gerencial e legal da
instituição, obtendo altíssimos salários e fazendo concessões aos grupos
econômicos que os patrocinam. No segundo caso, o risco é de termos estes mesmos
grupos econômicos controlando os órgãos de regulação, como acontece atualmente.
Moral da história. Precisamos de Leis que sejam cumpridas. E Boas Leis.Em
relação à Petrobrás (ANP) é preciso tirar o seu poder de controlar a quantidade
de biodiesel, álcool e demais combustíveis. Mercado neles, pois do contrário
continuaremos a pagar um preço extorsivo pelos combustíveis e ajudar a
transformar o Brasil em uma grande plantação, suprimindo as oportunidades de
negócios que milhões de brasileiros poderiam estar usufruindo. É preciso
ressaltar que política industrial é coisa de não-economista, pois exatamente o
que faz uma política industrial é fortalecer uma industria ou algum setor o que
está na contramão de um ambiente competitivo. Precisamos nos livrar desse dogma
de que Política industrial é coisa séria. É coisa de lobista.

um abraço

marco bittencourt

Mônica disse...

A Petrobr�s fala que � sin�nimo de transpar�ncia, ent�o pode ser que esteja t�o transparente que chega a favorecer quem se aproxima dela em busca de informa�es privilegiadas.

Anônimo disse...

voce se acha o bom, acorda cara!!!!

pp disse...

Roberto Campos ja avisava sobre o perigo da petrossauro.

Admilson Pereira disse...

Na era das grandes corporações, as relações economicas se tornaram impessoais, e o alto funcionário sente menos responsabilidade pessoal. Pois no interior dos mundos corporativos, da guerra e da politica a consciência privada se atenua e a grande imoralidade se identifica com as intituições publicas


Admilson Pereira

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