quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Lições de Dada Maravilha para o Aquecimento Global

Em uma de suas memoráveis frases o filósofo e jogador de futebol Dada Maravilha disse: “Só 3 coisas param no ar: helicóptero, beija flor e eu”. A genialidade dessa frase é que ela ilustra, de maneira simples, um problema estatístico comum no nosso dia a dia, o problema da identificação. O problema da identificação nos informa que, em alguns casos, mais de uma única explicação é condizente com o fato observado. Por exemplo, se um objeto para no ar não podemos inferir imediatamente que esse objeto é um helicóptero. Afinal, existem outras explicações igualmente válidas que geram o mesmo resultado.

A assertiva de Dada Maravilha, apesar de sábia, parece ter sido relegada ao esquecimento. Tal procedimento é um erro grave, pois nos leva a aceitar como verdades absolutas determinadas idéias que são apenas hipotéses. O exemplo mais claro disso refere-se à idéia de que a atividade do homem esta provocando o aquecimento global. Ou seja, observa-se um fato: as temperaturas médias da Terra aumentaram. E conclui-se que isso é prova cabal de que o homem tem contribuído de maneira decisiva para isso. Aplicando o princípio Dada Maravilha ao problema, fica evidente que o simples fato da temperatura média da Terra aumentar, não pode ser considerado como prova cabal da teoria de que o homem seja o responsável por isso. Por exemplo, talvez a atividade solar tenha se tornado mais intensa nos últimos 20 ou 30 anos. Isso explica o fato das temperaturas médias no planeta terem se elevado. Ou então, talvez o aquecimento da Terra seja um fenômeno natural na história de nosso planeta. Ora a Terra possui alguns milhares de anos, e nós só possuímos informações sobre os séculos mais recentes. Talvez a cada 10 mil anos o ciclo de aquecimento se repita. Pronto, temos ai mais uma explicação que também é condizente com o aquecimento global, mas novamente nada tem haver com a contribuição do homem.

Claro que poderíamos citar Karl Popper ao invés de Dada Maravilha, mas o resultado final seria o mesmo. Afinal, para Popper a ciência pode apenas refutar teorias e não comprová-las por completo. Mesmo que tivéssemos vários indícios de que o aquecimento global foi causado pelo homem, ainda assim não poderíamos afirmar com certeza que o homem foi o responsável por isso. Essa é uma lição importante que os seguidores do aquecimento global deveriam levar em conta: existe sempre a possibilidade de se estar errado. E discordar deles não significa que você é um imbecil, significa apenas que você, como vários outros, ainda não está convencido de que vale a pena diminuir o ritmo de crescimento econômico em nome de uma idéia que ainda tem muito o que provar.

Um último detalhe: nesse artigo eu dei como certa a ocorrência do aquecimento global. Mas vale lembrar que outras explicações, que nada tem haver com aquecimento global, poderiam ser usadas para explicar alguns dos fenômenos atuais que são citados como prova irrefutável do aquecimento do planeta.

7 comentários:

Erik Figueiredo disse...

É sempre válido ler seu Blog, parabéns. Acho interessante citar que não podemos condenar toda uma geração a um nível de consumo e bem-estar inferior por conta de uma hipótese (tomada como fato estilizado pelos ecologistas). Um texto interessante para os economistas é:

Seater, J. (1993). World Temperature-Trend Uncertainties and Their Implications for Economic Policy. Journal of Business and Economic Statistics, 11, 265-277.

Recomendo a leitura. Abraços Adolfo.

Anônimo disse...

Professor, olhe está notícia do ano passado:

Cientistas de 11 países, entre eles Estados Unidos, China e Brasil, assinaram um comunicado conjunto para declarar que a humanidade é a maior fonte do aquecimento global, e que o assunto exige providências imediatas.
"Está claro que os líderes mundiais, incluindo o G8, não podem mais usar a incerteza sobre aspectos da alteração climática como desculpa para não tomar providências urgentes para cortar os gases-estufa", disse Lord May, presidente da academia nacional de ciência da Sociedade Real Britânica.

Mais informações aqui: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI546120-EI299,00.html

Entre a opnião de homens graduados nas ciências do assunto e a de graduados em ciências que não condizem, eu fico com a primeira.

Anônimo disse...

Professor, ficando com a opnião de que fosse incerto o homem causar o aquecimento global, o senhor "pagaria o pato" para ver? Se agentes da policia federal lhe avisassem que há uma ameça de bomba na sua sala de aula, o senhor não evacuaria a sala por estar incerto da ameaça? Se tem a possibilidade de ser evitado, o senhor não faz nada por estar em dúvida?

Mônica disse...

Eu não sou expert no assunto. Porém acredito que qualidade de vida é algo muito importante.
Independente do que está acontecendo com o aquecimento global temos que optar por hábitos mais saudáveis e menos irresponsáveis de vida.
Respirar mal é ruim, andar em rua suja é desagradável e correr o risco de comer cada vez menos alimento naturais não é nada interessante...
Por isso, acredito que se os hábitos do homem não estão fazendo mal pra ele mesmo e pro aquecimento global, dificilmente esteja fazeno bem...

Badger disse...

Os dois comentários acima demonstram a superficialidade dos argumentos usados neste debate sobre "aquecimento global". Os tais "cientistas" citados acimas não são cientistas. Se fossem cientistas, publicariam suas teorias em journals especializados e evitariam se meter em política. Se estão fazendo campanha por uma causa, e apoiando partidos políticos, então são por definição ativistas políticos, e não cientistas. E a ciência econômica prova que não devemos confiar nas intenções de ativistas políticos (Public Choice).
O segundo comentário inverte a lógica das coisas. A comparação correta seria a seguinte: um ativista político bate na porta da sua casa e afirma que um "cientista" (convenientemente ligado ao partido político do ativista) desenvolveu uma hipótese de que há uma bomba no seu quarto. Por causa disso, ele *ORDENA* que você abandone a casa, assine um documento entregando ao governo os seus bens pessoais e reduzindo o seu salário pela metade (ou pior, cortando seu emprego). Tudo isso, naturalmente, "para sua proteção"... Quão típico.

Anônimo disse...

Como "mais de uma explicação condizem com o fato observado", não dá para dizer qual é a causa do problema. Nesse caso, não é melhor ser prudente? Afinal, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. A colocação do Erik Figueiredo é instigante. No contexto a que tal colocação nos remete, pergunto como ficarão as gerações vindouras se o "consumo de meio-ambiente" pela atual geração não for parcimôniosa? Na minha humilde opinião, devemos sempre lembrar da frase escrita no Evangelho de Mateus, que diz, "não desejais ao próximo aquilo que não desejais a ti mesmo" e que foi traduzida para linguagem econômica pelo Prêmio Nobel Edmund Phelps e que, em Teoria do Crescimento, convencionou-se chamar Regra de Ouro.

Bolívar Pêgo disse...

Adolfo, parabéns pelo blog.
Sobre o artigo de quinta (2/agosto) tenho dois comentários: (i) o Dadá Maravilha foi um grande artilheiro mas, infelizmente, ele é atleticano; (ii) o que se deseja não é diminuir o ritmo de crescimento econômico e, sim, a mudança do modelo de crescimento. A utilização de derivados do petróleo como combustível é um exemplo dessa necessidade de mudança.

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email