sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?

Essa pergunta foi elaborada por um dos maiores economistas do século passado: Von Mises. Quero voltar a essa pergunta pois estamos sendo constantemente expostos a intelectuais – seja nas universidades, seja na mídia – fazendo críticas ásperas ao regime que mais riqueza e bem estar trouxe à humanidade. Se o regime capitalista é tão bom, então por que os intelectuais odeiam o capitalismo?

Uma característica importante do capitalismo é que NEM SEMPRE os melhores ganham mais dinheiro. Por exemplo, se Mozart vivesse hoje é bem provável que estivesse fazendo shows por um preço menor que o cobrado por Madona. Se Shakespeare estivesse vivo é provável que vendesse menos livros que Paulo Coelho. No capitalismo, cada um recebe de acordo com sua capacidade de satisfazer o mercado. Em algumas situações o gosto do mercado talvez não seja o mesmo compartilhado pelos intelectuais, assim pode acontecer do mercado pagar altos salários para indivíduos considerados menos talentosos.

Em vista do parágrafo acima, muitos intelectuais se sentem desprezados pelo mercado. Não aceitam o fato de que seus alunos – que acreditam terem menos conhecimento do que eles – são capazes de receber salários maiores. Tais intelectuais não aceitam o fato de que pessoas que eles julgam incompetentes possam ter sucesso no mercado. O exemplo mais claro disso é a agressividade que a Academia Brasileira de Letras demonstra com o escritor brasileiro de maior sucesso dos últimos tempos: Paulo Coelho.

São pelo menos mais 5 anos de estudos intensivos após a graduação para se formar um doutor. Durante esse tempo, o futuro doutor adquire conhecimentos que estão muito além da média da população. Ele tem tempo para se orgulhar de si mesmo e de se imaginar fazendo contribuições significativas para a humanidade. Mas quando finalmente termina seu doutorado, o intelectual é exposto ao mundo; e a verdade é que muitas vezes o mercado não valoriza o conhecimento que ele adquiriu. Resultado: ele receberá um baixo salário. Mais que isso, não receberá homenagens da sociedade, não será entrevistado por jornais, e tampouco irá influir na trajetória política do país. Isso é um duro golpe para o ego de muitos que se imaginam superiores.

O intelectual muitas vezes oferece um produto para o qual não há grande interesse na sociedade. Não que seu produto não seja importante, apenas não há demanda para ele. Assim, após anos de sofrimento (noites sem dormir, pouco dinheiro, etc.) o intelectual descobre que pessoas que estudaram muito menos não só ganham muito mais, como também têm mais prestígio. A mente do intelectual começa então a procurar culpados. Por que ninguém lhe dá o salário que ele julga merecer? Por que a sociedade não lhe presta o devido respeito? Por que sua opinião pouco importa para os outros? Existem várias respostas possíveis para essas perguntas. Mas uma parcela expressiva desses intelectuais irá culpar o capitalismo. Por culpa da sociedade materialista eles não recebem a devida admiração.

Muito do ódio dos intelectuais ao capitalismo não passa de puro despeito. Muito do ódio que os intelectuais devotam ao capitalismo deve-se ao fato desse sistema tratar um intelectual EXATAMENTE da mesma maneira que trata um analfabeto. Verdadeira heresia para alguns intelectuais que acreditam serem merecedores de um tratamento privilegiado. No sistema capitalista os indivíduos recebem de acordo com sua produção, de acordo com sua capacidade de satisfazer as demandas da sociedade, e não por títulos acadêmicos.

14 comentários:

Aluizio Amorim disse...

Adolfo: a nossa sorte é que há intelectuais que defendem o capitalismo! E por isso são vítimas da ira, na verdade, dos pseudo-intelectuais que desconhecem aquilo que se conhece por epistemologia. Os pseudo-intelectuais, normalmente marxista, gramscianos e vai por aí,
patinam num équívoco teórico. Já que confundem "fato" com "valor". Isto é: brigam com os fatos e passam a vida tentando provar a sua inexistência! Daí nasce o seu profundo ressentimento pelo mundo da prática, do empreendedorismo e daqueles capitalistas "malvados" que, no final das contas, são os que põem o pão na mesa das pessoas.
A maioria desses que são tomados por intectuais, na verdade não o são. Intelectual é a designação "moderna" para o que no passada se chamava de "filósofo". Ora, essas caras não são filósofos de jeito nenhum. Nem que a vaca tussa. São, no máximo, viajam na maionese...hehehehe...

Lúcio disse...

Ponto de vista interessantíssimo, Adolfo, nunca tinha pensado sob esse prisma! A propósito, me lembrou de uma pesquisa recente indicando que, ao contrário da opinião comumente aceita, inteligência (na medida clássica de QI) é muito pobremente correlacionada com riqueza.

Orlando Tambosi disse...

Robert Nozick escreveu um artigo com o mesmo título. Publiquei no meu blog, vou ver se acho. Talvez você já o tenha lido, mas, se quiser, envio o texto.

J. Coelho disse...

Adolfo,

Você, com uma abordagem simples e direta, responde a um questionamento freqüente de nossos filhos/sobrinhos: "Estudar para quê? O Ronaldinho Gaúcho não estudou e ganha muito bem; o Lula não estudou e é Presidente da República. Você é tem doutorado e é professor de economia, mas ganha mal prá caramba e é chefiado pelo Lula."

Eles parecem ter razão. As pessoas valorizam os Ronaldinhos Gaúchos e os Lulas, mas detestam os professores. Além disso, nem todos podem ser Ronaldinhos Gaúchos ou Lulas. O resultado é o pântano em que nos enfiamos. Mas, paradoxalmente, para sair do pântano, só com mais doutores.

Um grande abraço.

J. Coelho

Tiago Garcia disse...

Concordo pelnamente com o senhor, não interessa o cara ser um "gênio", o que interressa é ele ser produtivo. Vide exemplo no esporte com o futebol e a fórmula 1, onde a arte foi deixada pra traz na busca dos resultados. Hoje é muito mais produtivo você ter um jogador armário e perna-de-pau do que um jogador habilidoso, pois, assim se ganha muito mais dinheiro do que no tempo do futebol "arte". Nunca mais veremos ultrapassagens como a do Piquet no Senna, aliais, não sei nem se no futuro havera ultrapassagens, porque hoje é muito mais produtivo uma máquina pilotar do que um piloto talentoso, pois, assim se lucra muito mais do que naquele tempo. Pra que ter um Gênio com a bola nos pés ou atras do volante, ou na música, ou nos livros ou em qualquer lugar que seja? O que interessa no final das contas mesmo é o dinheiro, não é verdade?

Nemerson Lavoura disse...

B-R-I-L-H-A-N-T-E!!!

Blog do Adolfo disse...

Caro Orlando,

Nao tive a oportunidade de ler o artigo do Robert Nozick. Mas agradeco a dica.

A pergunta e as ideias do post "Por que os intelectuais odeiam o capitalismo?" vieram de um capitulo do excelente livro de Von Mises "A mentalidade Anti-capitalista".

Abraco,
Adolfo

Nemerson Lavoura disse...

Adolfo, o sociólogo liberal francês (sociólogo, liberal e francês - e não é o Aron. Quem diria!) Raymond Boudon também escreveu a respeito deste assunto em seu livro "Pourquoi les intellectuels n'aiment pas le Liberalisme?".
Abs

Anônimo disse...

Parece que estamos vivendo em mundos diferentes..Ao contrário do que foi escrito,muito do ódio dos intelectuais ao capitalismo vai além do puro despeito. Esse sentimento reflete o descaso do sistema para com aqueles que não tiveram grandes oportunidades e vivem à margem da sociedade. Eles não são tratados EXATAMENTE da mesma maneira que um intelectual é tratado. Por isso, lutando por uma sociedade mais igualitária, muitos intectuais questionam o nosso capitalismo...e com razão.

Blog do Adolfo disse...

Caro Nemerson,

Eu nao conhecia a obra de Raymond Boudon. Vou pesquisar a respeito. MUITO OBRIGADO por sua dica.

Adolfo

Fábio Mayer disse...

A grande verdade é que o dilema persiste: estudar ou não?

Eu preferi estudar, o que me vale remuneração muito menor do que a deferida mesmo a colegas de faculdade, que passavam mais tempo no Centro Acadêmico e foram agraciados com cargos públicos, em virtude de suas boas relações com politicagem.

Não acho isso ruim, mas o fato é que os intelectuais de esquerda acham isso normal: boquinha no Estado para ganhar bem e trabalhar pouco pode, mas um Ronaldinho Gaúcho que nunca estudou e ganha milhões, não.

Anônimo disse...

Foi na veia!

Vamos divulgar este texto, com o devido credito ao autor!

Artur Lerner disse...

Essa mesma idéia é abordada por Hayek em "The Intellectuals and Socialism,", texto que é citado neste trabalho do filósofo Denis Lerrer Rosenfield

Anônimo disse...

nao acho q seja odio ao capitalismo..

acho q na verdad eh apenas uma indiferença...

o fato de nao amar uma coisa n ker dizer q eu a odeie...

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email