terça-feira, 18 de setembro de 2007

A importância de se preservar idéias

Vale a pena ler o livro “Capitalismo e Liberdade” de Milton Friedman. Um detalhe interessante do livro é o seu prefácio. Lá Friedman explica a importância de seu livro. Ele deixa claro que o livro não irá afetar os rumos da economia, e nem será uma influência importante nos meios políticos. Para ele a importância do livro residia no fato de manter vivas as idéias liberais, até que uma nova geração chegasse e encontrasse um meio mais favorável a adoção de tais ideais.

Observando a realidade brasileira, fica nítida a contribuição de Friedman. Ao contrário dos Estados Unidos, nós brasileiros não tivemos sucesso em manter vivas as idéias liberais. Pergunte ao seu professor, ou a qualquer outra pessoa, o nome de um liberal brasileiro e ele irá provavelmente responder Roberto Campos ou Mário Henrique Simonsen. Simonsen nunca foi um liberal, pelo contrário era um tremendo intervencionista; acreditava sinceramente que o Estado poderia arbitrar reajustes salariais e definir a taxa de inflação. Roberto Campos, apesar de ser muito mais liberal que seu colega, também depositava suas esperanças num Estado capaz de planejar o desenvolvimento econômico. O último grande liberal influente que tivemos no Brasil foi Eugenio Gudin. Alguém se lembra dele?

Esse fracasso em manter vivas as idéias liberais tem um preço alto. Hoje qualquer pessoa que se diga um liberal é imediatamente taxada de imbecil, ou coisa pior. Frequente qualquer curso de História do Pensamento Econômico e tudo que você irá aprender é sobre Marx. Parece que fora do marxismo não existe opção racional. Hoje um indivíduo tem medo de ser taxado de liberal. Parece que ser liberal é ser um pária da sociedade. Engraçado que a maioria nem faz idéia do que seja um liberal, mas está pronta a ofender qualquer um que se identifique como tal. Graças a inabilidade das gerações passadas em manter vivo o ideal liberal, o preço de ser um liberal hoje é alto.

Se as antigas geraçoes tivessem tido sucesso em manter vivo as idéias liberais, nosso trabalho hoje seria muito mais fácil. Hoje nós não começamos do zero, nós começamos de menos 100. Nossa sociedade não só não conhece os ideais liberais, como esta impregnada da doutrinação comunista. QUALQUER aluno de segundo grau no Brasil já estudou algo sobre Marx, já foi exposto a um pensamento viesado de que sociedades comunistas são igualitárias e sociedades capitalistas geram pobreza. Quando tais alunos chegam na universidade já têm arraigada dentro deles a ideologia marxista. Ideologia esta que só será reforçada por outros cursos, nunca serão expostos a outras correntes do pensamento econômico, nunca serão expostos a Hayek ou von Mises. Enfim, serão doutrinados no marxismo e nunca conhecerão pensadores liberais.

A primeira vez que li sobre Hayek tinha 33 anos, só fui ler Mises e Popper aos 34. Tudo isso tem um custo: dificilmente nossa geração verá o triunfo de nossas idéias. Então por que lutar? Devemos lutar para tornar o impossível para nós factível para a próxima geração. Devemos lutar para que as próximas gerações tenham contato mais cedo com os pensadores liberais. Devemos lutar para que o impossível hoje seja a alternativa óbvia do amanhã. Essa é a importância do encontro liberal que iremos realizar aqui em Brasília. Esse encontro liberal não irá alterar a opinião dos políticos ou da sociedade. Mas com trabalho sério e persistência daremos à próxima geração acesso a um bem que nós não tivemos: o direito de escolher entre ser liberal ou não.

O encontro de pensadores liberais será realizado na Universidade Católica de Brasília entre os dias 01 e 02 de dezembro de 2007.

14 comentários:

Serjão disse...

Caro Adolfo:
O liberalismo foi estigmatizado como algo direitista-reacionário pela esquerda que perdeu a revolução socialista que desejava fazer no Brasil mas, com a a ajuda da imprensa revanchista e dos sindicatos desonestos, venceu a batalha da propaganda. Daí, vivemos num país onde tudo o que é de direita (e aí se inclui o liberalismo. eles colocaram tudo no mesmo saco) é taxado de perverso e o que vem da esquerda é bom. Vem bem a calhar num país dotado de um nacionalismo chinfrim que alicerça um paternalismo que busca sempre a proteção do estado. As pessoa querem o estado e tudo o que se opõe a isso é desconsiderado. O liberalismo teve uma pequena chance com Collor que advogava algumas de suas bandeiras. Mas pôs tudo a perder se envolvendo num mar de corrupção o que foi bem explorado pelas esquerdas como exemplo de como o liberalismo (ou modelo neo-liberal como eles balbuciam) pode ser nocivo. Deitaram e rolaram por que, como disse, a propaganda deles é ótima. Era tudo o que não podia acontecer. O mais triste é que não se vislumbra ninguém no horizonte que assuma estas bandeiras liberais e este é o meu total desencanto como relação ao futuro deste país. Isso aqui, nunca vai dar certo.

Abs
PS: Seu tema é discussão para mais de metro.

Nemerson Lavoura disse...

Adolfo,
Eu vou acabar reconfigurando o meu browser para deixar o teu blog como "página inicial". Teus posts têm dito absolutamente tudo o que eu gostaria de ler - na verdade, tudo o que eu gostaria de ter escrito! Este é mais um deles; genial, again.
Quando eu li o livro do Milton Friedman (e isso aconteceu recentemente), o trecho que você citou foi EXATAMENTE o que mais me marcou em toda a obra. Ele (esse trecho) serve como uma espécie de "tônico revigorante" para liberais desanimados. No momento, nós sofremos o massacre do pensamento único esquerdopata retrógrado - mas isso não continuará necessariamente a ser assim por toda a vida. Manter a chama do liberalismo acesa no Bananão é a tarefa mais nobre para os poucos liberais que existem por aqui.
Um grande abraço e, mais uma vez, parabéns pelos textos brilhantes.

Nemerson
PS: Como disse o Serjão, o tema do teu post é motivo para discussões prolongadas e interessantes.

Madalena disse...

Nao sei quando começou esse liberalisno. Fui criada sentindo muito medo desse regime.Desde criança tinha pavor que o comunismo chegase ao Brasil.Talvez porque minha mae viveu o regime na Europa.Nao entendo voce qdo diz que as pessoas nao sabem o que é o comunismo desde criança eu sei e acho que todos sabem.O que acontece é opçao é escolha pessoal.

Anônimo disse...

Caro Adolfo, leia (os blogueiros também) o artigo de Ali Kamel - o que ensinam as nossas crianças - no Jornal o Globo de hoje (18/set).
Um abraço Marco B

Badger disse...

Passei minha infância e adoloscência na doutrinação marxista, 100%. O livro de economia mais "conservador" ao meu alcance era a bíblia socialista de Samuelson, versão pré-derrocada da União Soviética, quando Samuelson ainda defendia o modelo Soviético como altamente viável. Tive a sorte porém de ter lido Voltaire muito cedo, e Adam Smith logo após. Tentei Marx, que se mostrou claramente intragável, um festival de asneiras. Um tio meu, versado nas qualidades americanas, me ofereceu "Free to Choose" como presente, e bastou este livro para me mostrar o desastre intelectual que vivemos no Brasil. A importância de Friedman para a humanidade á algo difícil de medir.

José Coelho disse...

Adolfo,

Creio que você cometeu uma injustiça com o saudoso ex-Embaixador, ex-Ministro, ex-Senador e ex-Deputado Roberto Campos. Ele foi um tipo de liberal que não tinha pejo de expor-se a qualquer platéia. Mesmo a platéias hostis. Ao lembrar-me dele na condição de "planejamentista", analiso-o como alguém que tentava transformar-nos (os índios) em seres civiliados. No contexto em que suas idéias foram postas em prática, na década de 50 do século passado, dada a mentalidade brasileira vigente (até, talvez, dele mesmo, que havia saído recentemente de um seminário católico, impregnado da na noção viesada de que o "bem" tem de suplantar o "mal"), a noção de um estado que devolve aos contribuintes aquilo que arrecada não é de todo má. Felizmente ele não conseguiu resultados palpáveis e brindou-nos com uma brilhante carreira de polemista de primeira linha.

O video do You Tube (abaixo) atesta o desassombro de Roberto Campos em dizer-se um liberal, ao ponto de afirmar a um petista raivoso como o Marco Aurélio Garcia que "a exclusão social vem do socialismo". O video vale cada segundo do mais de seis minutos de duração.

http://www.youtube.com/watch?v=2PJXoNI1Lng

Um abraço,

J. Coelho

PS: Marxisamo tem a ver com estado onisciente e onipresente. Com estado totalitário. Logo, marxismo e racionalidade como a concebemos, são noções incompatíveis.

guilherme roesler disse...

Adolfo,

o livro de economia monetária do Gudin é interessante (Princípios de economia monetária).

Acho que um dos poucos livros de economia escrito por um brasileiro que presta...

Abraços.

Anônimo disse...

Ser liberal é dificil. Tem gente que não percebe as regras basilares da pratica do liberalismo. Regra nº 1(não tem importância a ordem) - Mais importante do que o discurso é a prática do individuo. Em outras palavras, fique de olho no que o individuo, principalmente o politico, faz e não no que fala. Portanto, Roberto Campos é um patife sim.Inventou politica salarial. Inventou o planejamento brasileiro (imbecilidade nº 1 que os liberais combatem ferozmente). Por aí vai.

J. Coelho disse...

E, fundamentalmente, ANÔNIMO das 07:34, o verdadeiro liberal mostra a cara, não é mesmo?

José Coelho disse...

ANÔNIMO, das 07:34,

Qualificar Roberto Campos de patife, porque inventou a política salarial é, no mínimo, pouco bom-senso. Além de uma política salarial (dizia que os trabalhadores tinham correção salarial em excesso), Roberto Campos propôs a correção monetária (indexação), no contexto de um combate gradual à instabilidade monetária, quando, junto com Octávio Gouveia de Bulhões, criou o PAEG, no Governo Castello Branco. Além disso, criou o BNH, o Banco Central do Brasil, além de outras instituições. Agora, imagina se nada tivesse sido feito à época, qual teria sido a taxa de inflação no final de 1967, quando do fim do PAEG? Reflita um pouco sobre isso.

J. Coelho

Anônimo disse...

Um bom liberal não se preocupa com a fonte, porque não acredita no autoritarismo de nehuma forma, principalmente a intelectual. Mas falar em indexação, banco central e ditadura militar é só confirmar que nem você e nem o Roberto Campos são liberais. Ele por maladrangem. Já voce ...

Anônimo disse...

O que diria um blogueiro anônimo, que qualificou o economista Roberto Campos de patife, sobre quem escreveu "MONETARY CORRECTION: A PROPOSAL FOR ESCALATION CLAUSES TO REDUCE THE COST OF ENDING INFLATION"? Que o autor do texto é um anti-liberal? Um patife? E se soubesse que o artigo foi escrito pelo pelo economista Milton Friedman, em 1974?

Anônimo disse...

Não é só o Roberto Campos que é patife. Existem vários outros economistas no mesmo nível. A patifaria fundamental do Roberto Campos deve-se a sua eloqüência matreira de pregar o que nunca fez. Parece-me que outros patifes estão chegando ao clube ou estão doidinhos para se incorporar. Bem-vindos. Em relação ao texto citado do Milton Friedman, é de fato uma análise do efeito neutro na economia de um processo de indexação generalizada. Para os patifes, vou repetir. Um processo de indexação generalizada. É óbvio que isto não aconteceu na ditadura militar na gestão Campos e Bulhões e nem no período do Simonsen (outro da mesma estirpe do Roberto Campos). Muito pelo contrário. O que ocorreu foi uma tremenda indexação assimétrica, como sói acontecer hoje, principalmente por parte do governo federal e do sistema financeiro, os grandes privilegiados já na era Campos e Bulhões. Os reguladores de hoje também estão deitando regras de indexação em cima do povo brasileiro (eu sou povo) que estão amargando tarifas de telefones e de energia aviltantes. O texto de Milton Friedman assemelha-se, isto sim, à fase de transição engendrada no Plano Real, através da URV. Deveria a turba monetarista destrambelhada dos trópicos continuar a leitura de Friedman. Deveria também fazer o dever de casa direito. Não citar trabalhos. Mas fundamentalmente lê-los. Vou encerrando o debate sobre liberais tupiniquins, porque como dizem os mais velhos: converse com burros e igualzinho ficarás. Eu quero sim é prestigiar o texto do Adolfo. Simonsen e Campos são embustes do liberalismo.

Anônimo disse...

Achei muito simplista essa avaliação, muito direcionada para mostrar o defeitos do socialismo,sem entrar no no mérito principal, lamento mas esse tipo de análise não leva a lugar nenhum, mas cada um vê o que quer ver, esse deve ser o seu caso.

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