terça-feira, 4 de setembro de 2007

Papo de fim de noite

Minha tese de doutorado foi provavelmente a pior coisa que já escrevi, mas ela teve dois grandes momentos. Nenhum deles mérito meu. No primeiro caso citei uma frase que vale a pena refletir. No segundo caso citei um diálogo. Abaixo os momentos:

1) “Como é possível uma sociedade poder crer que um empréstimo de si mesma poderá fazê-la mais rica?” (Toem, 1952).

2)
- Spock: Data, posso lhe fazer uma pergunta?
- Data: Certamente.
- Spock: Você, pelo seu projeto original, não é capaz de ter emoções. Esta correto?
- Data: Sim.
- Spock: Entretanto, você tenta de todas as formas ser capaz de ter sentimentos.
- Data: Esta correto.
- Spock: Fascinante. Você, por construção, tem algo que eu almejei ter toda a minha vida.
- Data: Sr. Spock, posso lhe fazer uma pergunta?
- Spock: Certamente.
- Data: O Sr. é meio humano e meio vulcano. Dessa forma, pelo seu projeto original, o Sr. é capaz de sentir emoções. Está correto?
- Spock: Sim.
- Data: Entretanto, o Sr. tenta de todas as formas anular seus sentimentos.
- Spock: Esta correto.
- Data: Fascinante. O Sr., por construção, tem algo que eu almejei ter toda a minha vida.
- Spock: Eu não me arrependo de minhas decisões.
- Data: Interessante. Arrependimento é uma sensação humana.
- Spock: Fascinante.

Uma homenagem a Jornada nas Estrelas, o seriado com a maior intuição econômica de todos os tempos. E uma prova cabal da existência de uma das maiores forças que movem o universo: seja homem, vulcano ou máquina, ninguém nunca está satisfeito com sua dotação inicial.

12 comentários:

Badger disse...

Este diálogo é realmente um dos melhores do universo Star Trek!

guilherme roesler disse...

Professor,

eu tenho que fazer a minha monografia de direito para a conclusão da graduação.

O problema é que vou fazer sobre emissão privada de moeda.

Imagine só o trabalho que estou tendo para levar essa "tese" adiante.

Infelizmente, todas as monografias, pelo menos nos cursos de direito, perderam totalmente a sua função, que é a do aluno desenvolver um tema que seja "novo", ou ao menos sob uma nova perspectiva.

Os proprios professores dizem: "Escolha um tema simples, para acabar rápido".

Depois dá no que dá: compram as monografias.

Eu quero ver como convencer para escrever sobre a muinha tese de meratrado. Acho que vai ser um problemão.

Abraços, GR.

Cláudio disse...

Teve um episódio em que a tripulação da nave estelar volta ao passado, para contactar o cientista que descobriu o propulsor de dobra (acho que foi isso) e este, após se convencer de que os tripulantes eram mesmo do futuro, começou a lhes fazer perguntas. Uma delas foi "como é o comércio no futuro?". A resposta foi "esse conceito não existe mais". O professor deve ter pensando "Droga! Os comunistas finalmente venceram!"

Blog do Adolfo disse...

Claudio e Guilherme,

Ontem assisti ao episodio que o Claudio se referiu (Primeiro Contato). A melhor parte é quando o capitão Picard diz que no futuro não existe moeda. Em resumo, a moeda é neutra.

Adolfo

Anônimo disse...

ALo Guilherme, seu trabalho não tem nenhum problema. É um tema interessante. Voce pode começar lendo os trabalhos do Gustavo Franco sobre a historia monetaria no Brasil. Lá você encontrara a emissão privada feita pelos bancos. Um abraço
Marco

Iliada disse...

Turbilhão de idéias!
Prof. Adolfo,

Ainda estou pensando nas variáveis real e nominal. Colocar todas essas idéias no "papel" (web) é o melhor meio de silenciar a mente, trocar conhecimentos, enfim evoluir. Vou tentar ver o seriado, nunca fui fã dele, mas é um lado que desconhecia.

Abraços,
I.

Erik Figueiredo disse...

Muito divertido ler o tópico e os comentários. Parabéns.

Anônimo disse...

Adolfo,

A fala do capitão Picard, referindo-se à inexistência da moeda no futuro, deve ter sido uma alusão à inexistência de moeda física, mas não à de uma moeda eletrônica, por exemplo. Afinal, a necessidade da moeda em um sistema econômico resulta da existência de trocas sem coincidência de desejos. Por outro lado, a existência da moeda decorre de um acordo social, segundo o qual "eu aceito uma unidade monetária se eu puder dispor dela no futuro para efetuar transações". Ora, na civilização da Star Trek há um sujeito orelhudo, com dentes estranhos (FERENGUE ou PERENGUE?), que todo o tempo se comporta como um Salim da nossa infância. Isto é, lá há comércio. Como haveria comércio sem moeda? Apenas em um mundo com informação completa, em que todos os indivíduos pudessem cotar todos os bens em relação a todos os outros bens e, mesmo assim, se houvesse coincidência de desejos, o que não é algo trivial, nem na Star Trek. Assim, mesmo no mundo de seres racionais super evoluídos da Star Trek, a moeda é o que sempre foi: uma maneira de reduzir custos de transação (não consigo imaginar seres racionais que não desejem minimizar custos). Logo no mundo da Star Trek a moeda existe. Assim, sua neutralidade (ou não-neutralidade) dependerá apenas de como os agentes antecipam ou não seus movimentos. Se assim não fosse, o que explicaria os efeitos reais (no curto prazo) de uma crise de liquidez?

Um abraço,

J. Coelho

corneteiro disse...

sim, sim...
por isso que continuo jogando na mega-sena.

parabéns pelo blog, um dia eu chego lá!

Badger disse...

Na série original de Star Trek dos anos 60 não somente havia moeda como havia religião. Nas séries dos anos 80 em diante o politicamente correto toma conta, e esses dois temas são considerados "superados". Os Ferengi são típicos mercantilistas, pois seu objetivo final é acumular Latinum, um metal precioso líquido extremamente raro. Há episódios porém onde os Ferengi sofrem crise de acumulação, evoluem e começam a aceitar o capitalismo como forma mais avançada de organização comercial, o que não coincidentemente ocorre à medida em que se associam comercialmente com os humanos. A idéia de que a moeda foi abolida está associada à idéia de que não há mais escarcidade (todos os preços são zero, o trabalho serve somente à auto-realização e não é necessário à produção). Obviamente, uma proposição altamente questionável. Entretanto, há vários episódios nos quais a escarcidade surge devido a choques exógenos, como na série Star Trek Voyager, e, VOILÀ, a moeda é "magicamente" reintroduzida (junto com nefastos mecanismos de racionamento -- 600 anos de ciência econômica e os caras não aprederam nada!) sob o nome de "créditos de consumo"... A ciência econômica de Star Trek é certamente relativamente pobre. Deve ser dito porém em defesa da série que os produtores de Star Trek são verdadeiros Adam Smiths do espaço quando comparados com a imbecilidade econômica dominante em todas as demais séries, americanas ou não.

Anônimo disse...

Badger,

Em uma economia com todos os preços "zero", todos os bens têm excessos de oferta agregada positivos (ou excessos de demanda negativos). Ora, em uma economia como essa, não há "bens". Apenas "males": todos os bens são indesejáveis, de modo que sua demanda agregada é sempre menor do que sua oferta agregada. Nesse caso, os indivíduos superevoluídos da civilização Star Trek terão "dessatisfação" ao consumir tais bens, ao invés de "satisfação". Convenhamos que é um mundo bem estranho. Parece ser apenas coisa de algum cineasta anti-capitalista.

Um abraço,

J. Coelho

Anônimo disse...

Responda-me uma(duas) coisas: como essas duas citações foram parar na mesma tese? Não consigo ver a ligação entre uma e outra. Sobre o que foi a sua tese?

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