terça-feira, 25 de setembro de 2007

Tem algo de errado nos Estados Unidos

Eu gosto muito dos Estados Unidos. Admiro uma nação que valoriza o indivíduo, e recompensa o esforço individual. Mas tem algo de muito errado acontecendo nos EUA. O sucesso econômico, científico e cultural da América sempre foi baseado no mérito pessoal. Ao contrário das potências européias que no início do século XIX valorizavam a origem nobre do indivíduo, os americanos sempre valorizaram o mérito independentemente da origem. Enquanto na Europa um sobrenome podia abrir portas e garantir fortuna, na América o sobrenome era algo completamente descartável. Na América a origem de um indivíduo tinha pouca importância, o principal eram seus méritos. Mas em algum momento isso começou a mudar. Hoje uma parte considerável dos Estados Unidos parece ter esquecido a importância do mérito, e concentra sua atenção em adjetivos altamente questionáveis.

Para ilustrar meu ponto gostaria de descrever 2 episódios, aparentemente não relacionados, mas que refletem o mesmo problema:

1) Larry Summers x Mahmoud Ahmadinejad: Para os que não sabem, Summers é um economista acadêmico de muito sucesso (tendo sido inclusive reitor de Harvard) e Ahmadinejad é o atual presidente do Irã (que insiste em financiar grupos terroristas e negar que os nazistas exterminaram um bom número de judeus na segunda guerra mundial). Há dois anos atrás Summers fez uma palestra onde discutia explicações alternativas para o que alguns chamavam de discriminação. Resultado: teve que pedir demissão do cargo de reitor em Harvard e, no mês passado, a University of California Davis voltou atrás e CANCELOU um convite feito para que Summers discurssasse na universidade. POR OUTRO LADO, tanto as Universidades de Harvard (no ano passado) e de Columbia (esse ano) receberam Ahmadinejad para ministrar palestras em seu campus. Ou seja, enquanto um acadêmico é PUNIDO por expor pensamentos um indivíduo que estimula o terrorismo é premiado. Notem o argumento usado para defender o discurso de Ahmadinejad: defesa da liberdade de expressão. Por que esse mesmo argumento não pode ser usado em defesa de Summers?

2) Tony Romo x Rex Grossman: Romo é o atual quarterback do Dallas Cowboys, enquanto Grossman joga pelo Chicago Bears. Tony Romo jogou ótimas partidas no ano passado, mesmo assim seu antigo técnico nunca demonstrou confiança nele. Grossman foi o principal responsável pela derrota de seu time no Super Bowl. Grossman foi recursivamente o pior em campo de seu time, mesmo assim contava com a confiança de seu técnico. Nesta temporada Grossman continua titular e continua afundando seu time. A diferença entre Romo e Grossman é que enquanto Romo se formou por uma universidade pequena, Grossman veio de uma universidade de prestígio. No passado americano, Grossman já teria sido demitido e Romo nunca teria passado pelas humilhações que passou com seu antigo técnico.

O que tentei ilustrar com os exemplos acima foi que a cultura do mérito individual parece estar desaparecendo na América. Claro que a América ainda é um país que valoriza muito o mérito, mas não mais como no passado. Hoje, o sobrenome (ou a universidade de origem) parecem ter muito mais importância do que tinham no passado. Aliado a isso, critérios politicamente corretos foram adotados. Critérios esses que parecem dar uma infinidade de desculpas para um comportamento moralmente duvidoso da parte de certos indivíduos. Em conjunto tais movimentos estão minando valores importantes da cultura americana.

5 comentários:

Cláudio disse...

O politicamente correto é invencível pois fala aos idiotas e todos "sabemos" que os idiotas se reproduzem mais que os inteligentes (ver o "documentário" Idiocracy). Nações com uma forte cultura individual como os EUA reagirão com mais afinco (tanto que é possível ver artigos contra a decisão das universidades, coisa que provavelmente não veríamos por aqui) mas a derrota é inevitável. Em umas 10 gerações o mundo será um inferno (ou paraíso para alguns) politicamente correto :-).

Orlando Tambosi disse...

Perfeito, Adolfo. Atribuo essa mudança ao relativismo imperante, reforçado pelo multiculturalismo e outros ismos adjacentes.

Loyola y Loyola disse...

Então, devemos supor que o mundo não caminha para dias melhores? Talvez tomamos o trem errado e pronto!

E isso inclui o pensamento acadêmico, pelo jeito. Vivemos a involução do pensamento? Ou apenas a média se deslocou para os "não iluminados"?

corneteiro disse...

è a maldita política do politicamente correto, onde não se pode mais falar ou penar o que bem entender.

viva George Orwel!!!!

Anônimo disse...

Ahmadinejad foi massacrado em todas as palestras que tentou dar nessas universidades.

A cultura individualista não está morrendo, só não é absoluta. Esses fatos são mais do q normais.

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