sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Discriminação

Discriminação é um tema difícil e polêmico. Inicialmente acreditava-se que a discriminção afetava apenas mulheres e negros, mas novas evidências sugerem que a discriminação é um fenômeno bem mais amplo afetando pessoas feias, gordas ou mesmo moradoras de bairros pobres. Você discrimina alguém? Você namoraria alguém baixo, gordo, feio, chato, pobre e burro? Opa... será que pessoas baixas, gordas, feias, chatas, burras e pobres são discriminadas? Resposta: SIM. Todos nós discriminamos outras pessoas, seja na hora de escolhermos nossos amigos, seja na hora de escolhermos nossos cônjuges. A questão não é saber se discriminamos alguém, a questão é saber em quais situações é dever do Estado intervir.

Decidir se o Estado deve ou não intervir para diminuir a discriminação não é tarefa tão fácil quanto parece. Por exemplo, vejamos o caso dos concursos públicos. À primeira vista, concurso público parece ser uma forma justa de contratar pessoas. Afinal, parece que ele dá chances iguais a todos. PARECE, mas não é verdade. Para ser aprovado em concurso público, uma pessoa tem que estudar por um longo período de tempo. Assim, pessoas com mais disponibilidade de tempo levam vantagem nessa forma de seleção. Em palavras, mulheres solteiras (que possuem mais tempo livre) são beneficiadas e homens casados (que não podem parar de trabalhar para estudar) são punidos. Ou seja, concurso público discrimina homens casados em prol de mulheres solteiras. De maneira semelhante, pessoas com acesso a crédito também são beneficiadas em concursos públicos em relação às que não têm acesso a esse mercado. Concurso público então beneficia um grupo à custa de outro. Notou como é difícil lidar com essa questão?

No setor privado, deve o Estado combater a discriminação? Resposta: NÃO. O dono da empresa investiu seu dinheiro na empresa, nada mais justo que ele possa escolher ao menos quem vai trabalhar com ele. Será que uma empresa tem o direito de escolher para quem vender? Resposta: SIM. Se uma empresa não quer vender seu produto para alguém, é direito da empresa recusar a venda (note que a Ferrari age dessa maneira). A melhor maneira do Estado combater a discriminação NÃO É intervir nas empresas. A arma mais eficiente para combater a discriminação é estimular a competição entre empresas. Quanto mais empresas competindo, mais opções terão o cliente e o trabalhador, logo menor será a margem das empresas para fazerem exigências absurdas. Uma empresa submetida a uma forte concorrência não pode se dar ao luxo de discriminar um trabalhador (ou cliente) por ele ser negro (ou gordo, ou afeminado, etc.). Num ambiente competitivo a empresa é obrigada a contratar o melhor funcionário (ou a atender o cliente) sob o risco de ser banida do mercado pela concorrência. Quanto mais empresas competindo, menos espaço haverá para a discriminação. Fortalecer a concorrência e a economia de mercado é a melhor política que o Estado pode realizar para combater a discriminação.

6 comentários:

THANIA disse...

Bom dia,
tenho apenas uma critica referente a sua opinião, que é a respeito de mulheres solteiras serem privilegiadas,discordo plenamente da sua confirmação, a maioria das mulheres solteiras tem que trabalhar se quiser estudar! ainda mais as feias e pobres... rsrs

GAbiRu disse...

juridicamente, o princípio da isonomia não prevê que sejam todos iguais [o que seria injusto], mas prevê igualdade para os iguais e desigualdade para os desiguais. O estatudo da criança e do adolescente, a lei dos crimes hediondos, são exemplos em que os que são considerados como diferentes serão tratados diferentemente. A questão fundamental é QUAL O CRITÉRIO UTILIZADO PARA ESTABELECER A DIFERENCIAÇÃO. Um critério utilizado para diferenciar pode ser justo [exemplos: pena para quem vender cigarros a um menor de dezoito anos, uma progressão de pena mais rígida para genocidas, idosos com preferências em filas, por aí vai] ou não [merece o assalto por ser rico, não gosto por ser judeu]- e aqui chegamos à tua questão, não?

GAbiRu disse...

ah, tah, fugi um pouco.

é, mas esquece-se um pouco o 'laissez nous faire' - a competição necessita de uma certa base, ou não? digo o topo é belo, mas não é só UM TOPO.

vixe, deixa pular parágrafo; exemplo: alguma MÉDIA americana

Fábio Mayer disse...

Todo mundo, mesmo os belos, ricos e famosos, serão discriminados um dia por alguma razão.´

É da natureza humana, cabe ao homem criar limitações legais, apenas isso.

Iliada disse...

Não concordo com a sua opinião das mulheres solteiras serem previlegiadas, pois elas (nós) temos uma 2ª jornada que vocês não tem, quando são casados, à esposa cabe as tarefas domésticas o homem, prover o sustento da casa. Minha mãe abdicou dos estudos para dar apoio ao meu pai, ele fez Matemática ela não concluiu Pedagogia, resultado um saiu sendo beneficiado porque a opinião machista sempre prevalece. Um outro exemplo é do poeta Vinícius de Morais, "As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental". A beleza tem atrativos que seduz os interessados e são utilizados como forma de ascensão social e profissional, casos de Xuxa, de uma colega de trabalho e muitos outros. No livro 'O insustentável peso da feiura', a autora demonstra que em função das facilidades das cirugias plásticas, da lazer nos olhos, as pessoas procuram se moldar aos padrões impostos pela sociedade. É um assunto muito oportuno e que interessa bastante. Pois exatamente, a discriminação que passei e presenciei, fez repensar meus valores e passar por uma série de intervenções cirurgicas e apresentar-me como uma pessoa 'normal' que na verdade não mudou sua essência. Quanto ao Estado não intervir, não é função dele, é uma decisão do indíviduo, foi esta minha opição, a meu ver, desde que frequentei minha primeira Biblioteca Pública é o único meio que percebo fazer mudar esse pensamento degradante de alguns indivíduos, por isso procuro ler, conversar, participar das palestras de ex-obesos como seu mundo mudou, mas sua mente continua a mesma. Aceitar as diferenças é uma forma de minimizar os efeitos da discriminação, na verdade conheçemos as pessoas superficiamente, convivendo é descobrimos que bonito e burro é muito mais desgantante do que um feio de inteligente. Minha percepção do indívuo é mutante, cada vez percebo que alguém me surprende ou decepciona pelas atitudes que toma, e são elas que irão moldar o caráter do indivíuo, agrader-me ou desagradável, é belo, é feio, mas não dá para 'termos todos os dias de mel e os demais de feu', precisamos fazer nossas escolhas sejam elas certas ou erradas.

Abraços,
I.

Iliada disse...

Errata...
Desculpe os erros de ortografia, onde houver 'opição', leia-se opção, 'desgantante', leia-se desgastante e 'indívuo', leia-se indivíduo. Na ânsia de emitir minha opinião, não percebi a ortografia correta nem a coordenação das frases, o texto pareceu-me truncado!

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