segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Forma x Conteúdo

Na sua famosa frase “2 + 2 = 4” Dostoievski mostra que argumentos científicos devem ser: claros, objetivos e diretos. Já George Orwell em “1984” estabelece o princípio dos regimes totalitários: “2 + 2 podem ser 4, mas podem também ser 5”. Essa é a diferença básica entre ciência e crença. A ciência é clara, objetiva e direta, já a crença não carece desses pré-requisitos.

A ciência é pautada em conteúdo, em substância. Já a crença depende muito mais da forma do que de qualquer justificativa lógica. Assim, qualquer cientista, político, ou cidadão que almeje debater idéias deve ser claro, objetivo e direto. A carência dessas qualidades implica numa pobreza científica que prejudica qualquer debate sério de idéias. Dessa maneira, qualquer debatedor mais preocupado com a forma do que com o conteúdo é um potencial inimigo do debate livre de idéias.

Países livres vão sempre estimular o debate de idéias, e para isso vão sempre estimular a expressão de idéias de maneira clara, objetiva e direta. Por outro lado, países que não têm interesse na evolução da ciência vão tentar sempre estimular o debate da forma em detrimento do conteúdo. O crescimento da popularidade do debate “politicamente correto” é nos dias de hoje a mais perigosa ameaça à liberdade de pensamento. Aceitar o debate “politicamente correto” implica na recusa ao uso de argumentos, implica na aceitação de que a forma é tão ou mais importante do que o conteúdo. Em resumo, implica na transformação do debate científico num debate de crenças que em nada contribuirá para o avanço da sociedade.

O Brasil vem sofrendo cada vez mais com o discurso “politicamente correto”. Toda vez que alguém se expressa de uma maneira clara, objetiva e direta é taxado de violento, arrogante ou coisa similar. Pior, seus argumentos são descartados sem mesmo uma análise preliminar. Já os confusos, obscuros e similares são aclamados aqui como gênios. A incapacidade desses “gênios” em se expressar de uma maneira clara e objetiva é interpretada como um sinal divino de iluminação. Passam horas ao microfone e nada dizem; pedem a palavra num debate e ao invés de formularem uma pergunta discursam sobre fantasmas incompreensíveis e inexistentes. Ao final são aclamados como símbolos máximos da sabedoria.

O cientista, o político, o cidadão que se preocupa com o debate de idéias não pode aceitar a supremacia da forma sobre o conteúdo. Existem questões em aberto na ciência, mas não existem meias verdades. Os inimigos da liberdade dirão que 2 + 2 = 8, você dirá que estão errados. Então eles dirão que 2 + 2 = 7, você dirá que eles estão errados. Por fim, dirão “Nós começamos dizendo que 2+2=8, nós já cedemos e podemos admitir que 2 + 2 = 5. Por que você é incapaz de ceder?”. Não há espaço para ceder em ciência, ou você está certo ou não está. Mas 2 + 2 = 4 quer você goste disso ou não.

4 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com maior parte do argumento apresentado....principalmente no estágio da discussão científica/política no Brasil.
Mas essa idéia positivista de ciência baseada em verdades (evidentes?) é um pouco atrasada e limitada.

Anônimo disse...

Eu não gosto da premissa de que 2+2=4 em todos os sentidos. Porque se voce considera que a soma das partes é maior do que o todo, então nem sempre 2+2 é igual a 4.
Um abraço
marco B

Anônimo disse...

O que é mais alarmante é o fato de que mesmo numa universidade, que em tese deveria ser o local apropriado para questionar e discutir idéias pré-estabelicidas, leia-se "politicamente corretas", existe uma indisposição ou resistência para o livre pensamento e para o debate. Mas observe que normalmente esse tipo de procedimento não parte dos cientistas, dos pesquisadores, mas quase sempre dos enganadores. O problema é que o mundo parecer ser governado pelos enganadores.
Tito Moreira

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo,

Voce tem razao, me expressei muito mal. Concordo contigo que a ideia de ciencia baseada em verdades evidentes esta errada. Me expressei muito mal, obrigado por me corrigir.

Adolfo

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