terça-feira, 27 de novembro de 2007

O Jabá do IDH

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um índice, calculado pelas Nações Unidas, que tem como objetivo medir a qualidade de vida em determinado país. O índice leva em consideração 3 dimensões relacionadas à qualidade de vida: educação, saúde e renda. O IDH assume valores de 0 a 1, sendo valores mais altos preferíveis a valores menores. Muitos usam o resultado do IDH para ranquear países.

Todo ranking apresenta distorções, com o IDH não é diferente. O problema é que no caso do IDH as distorções NÃO SÃO aleatórias (não acontecem por acaso). Elas recursivamente deixam de contabilizar determinados fatores que deveriam ser verificados num ranking não-viesado. Por exemplo, recentemente o Brasil tomou uma série de medidas para diminuir a evasão escolar, e aumentar a abrangência do nível superior, esse movimento melhora a pontuação brasileira no IDH. Contudo, a piora na qualidade do ensino não é levada em consideração. Note que não discuto o mérito da política educacional brasileira, apenas menciono o fato de que tal política tem tanto implicações positivas quanto negativas. O IDH premia o aumento nas matrículas, mas não pune a piora na qualidade do ensino. De maneira semelhante, países que não aumentaram a abrangência do ensino, mas melhoraram sua qualidade são sistematicamente punidos pelo IDH.

Outro problema em relação ao IDH é que determinados países reagem a ele numa maneira pouco honesta. A idéia original do IDH era mostrar pontos em que determinado país deveria melhorar. Contudo, o resultado algumas vezes é bem diferente. Atentos as repercussões políticas do IDH, determinados governos maqueiam as estatísticas de educação e saúde para refletir uma melhora nesses indicadores, gerarando um aumento artificial no IDH do país. Ou ainda, desviam recursos de programas que não entram no cômputo do IDH para programas que podem afetar positivamente tal índice.

Ainda podemos citar que a renda de um país deveria ser uma estatística suficiente em relação à qualidade de vida nesta nação. Ou seja, basta verificarmos a renda de um país para podermos inferir sobre a qualidade de vida nele (é fato notório que países ricos possuem condições educacionais e de saúde superior a de países pobres). Não deveria ser necessário checarmos saúde e educação. Então, por que o IDH olha para essas variáveis? Existem várias respostas para essa pergunta, mas é fato que tal comportamento melhora a posição dos países que não possuem liberdade. Países com pouca liberdade costumam apresentar relatórios (acreditar neles é outra coisa) demonstrando bons índices de educação e saúde da população. Obviamente, tais nações controladas por governos autoritários, apresentam baixo desempenho econômico. Se o IDH não considerasse educação e saúde, tais sociedades despencariam no ranking. Assim, o IDH SISTEMATICAMENTE beneficia sociedades com pouca liberdade. O fato de Cuba, e de outras nações autoritárias, não estarem em posições tão ruins no IDH apenas reflete esse viés.

Se o IDH quer medir a qualidade de vida num país eu tenho uma sugestão: o teste do muro. Existem nações que constroem muros para evitar que outros entrem. Existem nações que constroem muros para evitar que seus habitantes fujam. Dizer que as últimas são preferíveis às primeiras é um erro grave e maldoso.

8 comentários:

Nilo disse...

Esse IDH é papo furado, ainda mais que é a ONU que calcula!!!

Badger disse...

Adolfo, excelente e original esta sua explicação para a verdadeira motivação política do IDH. Sem sombra de dúvida, este é um índice feito sob encomenda para "turbinar" o desempenho medíocre dos regimes autocratas que formam a maioria dos membros da decrépita NAÇÕES UNIDAS.

Anônimo disse...

Meus caros,
Este post me gerou uma dúvida (alguém poderia responder). O IDH foi gerado a partir do trabalho do Sen (pelo menos, isto é dito). Sei que ele dá grande valor à liberdade de escolha das pessoas (o que leva a forte rejeição de qualquer regime autoritário). Ele não teria feito algum índice que levasse em conta este problema político. Mais, seria factível um índice destes?
Um grande abraço,
Claudio Burian

Blog do Adolfo disse...

Caro Claudio,

O IDH NAO foi criado a partir dos trabalhos do Sen. O Sen foi convidado, e aceitou, participar de estudos para melhorar a implementacao do IDH.

A Heritage Foundation e a Freedom House divuldam indices de liberdade ao redor do mundo.

Adolfo

MARCO ANTONIO disse...

Adolfo,

O Brasil alcançou a nota mínima para mudar de nível (sem falara na questão do PIB com a metodologia antiga). Mesmo assim ficando no fim da fila. E aí tem uma perguntinha: Como trata-se de uma pontuação que não confere exatidão ao resultado, por conta de fatores como os que você citou - o da qualidade é um deles - portanto, qual a diferença entre 0,8 e 0,79? Mudou de onde pra onde? Comemora-se o quê, afinal? Contudo, mesmo esse +0,01 vai conceder a Lula uma posição mais confortável para pedir um terceiro mandato.

Parabéns pela exposição e pelo blog.

Um abraço

Thomas H. Kang disse...

Caro Adolfo,

Cheguei aqui através do blog do De Gustibus. Quanto ao IDH, creio que ele foi idealizado por um grande amigo de Sen, o economista Mahdub Ul-Haq (algo assim). Sen de fato ajudou a criar o índice pois entendeu que era necessário fazer isso, após certa relutância.

O motivo é que justamente não é óbvio na visão dele que países mais ricos tem melhor educação e saúde. E o caso do Brasil é um que evidencia isso. Acho que a discussão não é tão simples assim.

Mas entendo sua crítica quanto à liberdade. Sen também valoriza as liberdades formais (eu sei que os libertários odeiam esse termo). Contudo, ele de fato tem uma visão um pouco diferenciada.

Até

guilherme roesler disse...

Professor Adolfo,

Divulguei o seu texto sobre transferencia de renda na minha comunidade sobre Henry George no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=41824154

Abraços.

Anônimo disse...

MEU CARO ESSE SITE E UMA PRCARIA E EU NAO CONSIGUI FAZER MEU TABALHO SEUS IDIOTAS

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