quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Diabólico Telefone Celular

Quando o telefone normal foi concebido ele criou milhares de desempregados na indústria de correio. Por que mandar uma carta para alguém se você pode simplesmente ligar? O insensível inventor do telefone, visando o lucro puro e simples, nunca se atentou para tamanha desumanidade.

Se a invenção do telefone foi tamanho choque na estrutura produtiva, gerando uma perda enorme de empregos, nos defrontamos hoje com uma ameaça ainda maior: o telefone celular. Essa pequena invenção diabólica, elaborada por empresários gananciosos em busca apenas de lucro, tem gerado um desemprego recorde em várias indústrias. Para que comprar relógio se o celular tem relógio digital? Por que comprar despertador se o celular já tem despertador? Quem quer comprar máquinas fotográficas ou câmeras se o celular também pode fazer isso? Não é só isso, os celulares também têm acesso a internet e podem realizar movimentações financeiras. Com isso podemos prever também mais desemprego nas agências bancárias. Em resumo, esse pequeno aparelho gera desemprego em toda a economia.

Os parágrafos acima podem parecer engraçados, mas não são. Eles refletem o argumento básico usado por muitos: tecnologia gera desemprego, sendo assim deveríamos limitar o uso intensivo da tecnologia. Como os parágrafos acima tentam demonstrar esse é um argumento falso. Primeiro, a tecnologia pode sim causar desemprego no curto prazo, mas no longo prazo as pessoas e as empresas se ajustam e ao final do processo o nível de bem estar da sociedade é superior ao antigo. Segundo, novas tecnologias implicam num aumento da produtividade, ir contra esse movimento é ir contra o crescimento econômico de um país. Terceiro, por mais absurdo que pareça o Brasil recursivamente barra o uso de novas tecnologias para evitar o desemprego no curto prazo. Tal política pública tem um impacto negativo gigantesco sobre o bem estar da economia.

Apenas a título de exemplo: o comércio internacional pode ser entendido como uma nova forma de tecnologia. Impedir o crescimento do comércio internacional é equivalente a impedir a adoção de novas tecnologias. Consequentemente, aqueles que procuram restringir o comércio internacional, para “salvar” empregos no Brasil, estão apenas postergando a ocorrência de um ajuste que custará tanto mais caro quanto mais tempo levar para ser feito. Um Ford Fusion custa R$ 82.000 no Brasil, nos EUA US$ 22.000 (ou menos de R$ 44.000). Um laptop com 2 gigas de RAM e excelente configuração custa 750 dólares nos EUA (menos de 1500 reais), já no Brasil laptop similar não sai por menos de R$ 4.000. Já imaginaram o custo disso em termos de produtividade? Quando uma empresa é impedida de adotar novas tecnologias, ou de comprar insumos a preços mais baratos, quem paga o custo disso é o consumidor final. Mas quando o consumidor final desiste de comprar produtos nacionais, por causa de seus elevados preços, então temos crescimento do desemprego no país aliado a baixo acesso da população à tecnologia. Uma combinação péssima.

Para finalizar, já imaginaram o desemprego que o Skype e o Messager estão gerando? Afinal, por que pagar ligação telefônica, nacional ou internacional, se podemos ligar de graça pelo computador? Será que, em nome da proteção aos empregados em empresas de telecomunicação doméstica, o governo deveria nos impedir de usar essa tecnologia?

6 comentários:

Anônimo disse...

Pior de tudo é ver os palhaços da polícia federal correndo atrás dos contrabandistas. Pelo contrabando generalizado. Em me espantei quando um colega meu Phd em economia e que trabalhava naquela ocasião na assessoria da Presidência da República me contou que estivera em Foz do Iguaçu para combater o contrabando. Ganha um doce quem adivinhar em que posto o espertalhão tem hoje no governo.
Um abraço Adolfo
Marco B

casca1989 disse...

Ainda bem que cheguei ao terceiro parágrafo...rs rs rs.

C Macedo disse...

Isso me lembra um fato relativamente recente da nossa história. Na época da popularização dos computadores no Brasil, o governo incentivou fortemente que os brasileiros comprassem os computadutores que haviam sido fabricados internamente... mesmo sendo mais caros, de qualidade inferior e, na maioria das vezes, ultrapassados em relação aos importados. A idéia era muito bonita no papel mas felizmente a campanha nacionalista de "proteção do mercado interno" não deu muito certo. Na minha opinião, pouquíssimas pessoas no nosso país são capazes de entender completamente o trade-off gerado pela adoção de novas tecnologias em detrimento de um certo número de postos de trabalho. Por isso, vamos sempre nos deparar com uma revolta oriunda daqueles que no curto prazo foram sacrificados em nome de um bem estar geral mais elevado.

Aline Amaral disse...

Imagina o mundo se não tivessem inventado a roda? Se as pessoas não tivessem evoluído? Impedir que a tecnologia avance é voltar a idade da pedra sem a roda...
Muitas coisas serão criadas, e muitas precisarão de mão de obra para serem construidas...
Mas com os pensamentos da sociedade de hoje, tudo que gera mudança é ruim, tudo que possa obter lucro é "mal".

Anônimo disse...

Em primeiro lugar, viva o contrabando. Comentando só a seguinte passagem:

" ..já imaginaram o desemprego que o Skype e o Messager estão gerando? Afinal, por que pagar ligação telefônica, nacional ou internacional, se podemos ligar de graça pelo computador? Será que, em nome da proteção aos empregados em empresas de telecomunicação doméstica, o governo deveria nos impedir de usar essa tecnologia?

Acredito que a conta do emprego seja positiva. Já imaginou quantos novos negócios estão sendo viabilizados?
Um abraço
Marco B

Anônimo disse...

Frear o desenvolvimento sócio-econômico em prol de alguns grupos atrasados, é típico de Repúblicas de Bananas.
No Cazaquistão é assim. O custo de acesso à internet banda larga sai por aproximadamente US$ 1.200/mês, acesso discado por US$ 150/mês. Isso para um país onde a renda média familiar é de US$ 400/mês.
No nosso bananal não é diferente...

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email