quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Entrevista comigo mesmo.

Infelizmente, ocorreu um problema de comunicação e eu não recebi as respostas de meu entrevistado nessa semana. Assim, ai vai uma entrevista comigo mesmo.

1) O Sr. costuma dizer que o comunismo foi a doença que mais matou no século passado. Por que?

Resposta) Digo isso porque basicamente é a verdade. O comunismo é o câncer da sociedade. Nada matou tantas pessoas quanto o comunismo. Nada produziu tanta miséria e desgraça quanto a tentativa de implementação de idéias marxistas numa sociedade. Esse fenômeno não é específico a uma época ou a uma sociedade isolada. O comunismo começou a ser implantado na Europa e fracassou. Foi para a Ásia e fracassou. Foi para a América Central e fracassou novamente. Em TODOS os locais onde os ideais comunistas foram implantados a sociedade empobreceu e tornou-se mais violenta ao indivíduo. Na história da humanidade, talvez apenas a peste negra tenha matado mais pessoas proporcionalmente à população do que o comunismo.

2) Se o comunismo é tão ruim quanto o Sr. diz, então por que há tantas pessoas que apóiam partidos de esquerda?

Resposta) Acredito que existam pelo menos quatro explicações para isso. Primeiro, porque sempre é mais fácil culpar ao sistema do que a você mesmo. Numa sociedade capitalista é você quem toma a decisões, é você que escolhe seus caminhos, é você que, em última instância, será responsável por seu sucesso ou fracasso. Claro que exceções existem, mas a regra é que numa sociedade capitalista o sucesso de um indívio esteja muita atrelado às qualidades e escolhas desse indivíduo. Na vida das pessoas os sonhos costumam ultrapassar em muito as possibilidades reais, quando os indivíduos notam que não poderão realizar seu sonho começam a procurar bodes expiatórios, e o “sistema” capitalista passa a ser o vilão da história. Em segundo lugar, muitas pessoas honestamente acreditam que, com a quantidade de bens produzidos no mundo, não faz sentido existir miséria. Assim, a filosofia marxista de igualdade passa a exercer uma forte influência sobre tais indivíduos. Infelizmente é muito difícil para alguns entender que a produção de mercadorias só é tão elevada porque temos um sistema que recompensa o esforço individual. Tão logo implante-se uma filosofia comunista esse “excesso” de mercadorias desaparece. Em terceiro lugar temos os que simplesmente odeiam o capitalismo. Geralmente essa classe se compõe de intelectuais que não aceitam pessoas com menos conhecimento que eles recebendo salários e rendas maiores. Por fim, temos a grande maioria das pessoas que não entende nada. Mas não gostam de parecer estúpidas. A melhor estratégia para tais pessoas é ir com a maioria. Vá a qualquer universidade e você encontrará uma vasta gama desses indivíduos. Apóiam o comunismo, e partidos de esquerda, porque isso passa uma imagem de que eles são pessoas atualizadas e inteligentes.

3) Existe alguma chance do liberalismo triunfar no Brasil?

Resposta) Sim. Acredito que o pior já passou. A pior fase para o liberalismo no Brasil se deu entre os anos 1980 e 1994. Nessa época, o currículo das universidades sequer mencionava os pensadores liberais. Essa geração cresceu acreditando que dois grande intervencionistas, Mario Henrique Simonses e Roberto Campos, eram liberais. Minha geração teve que gastar um tempo enorme para descobrir os pensadores clássicos. As novas gerações já poderão pular essa busca, saberão ao menos que exitem pessoas que defendem o livre arbítrio. Outro detalhe é que no passado o acesso ao grande público era feito por jornais, revistas e televisão. Hoje, com o fenômeno da internet o acesso ao grande público é muito mais democrático e o poder de monopólio dos antigos veículos de comunicação se reduziu muito. Por exemplo, blogs liberais como o De Gustibus, Tambosi, Resistência, Selva Brasilis, entre outros, tem um poder muito grande de divulgação de idéias. Acredito que a função da minha geração foi redescobrir as idéias liberais. Uma vez feito isso, essa geração luta para manter essas idéias vivas e acessíveis para a próxima geração. Nossa geração não verá o triunfo das idéias liberais, mas a geração que suceder a nossa terá boas chances de implementar o receituário liberal. Mudar uma sociedade com argumentos, e não pela força, leva tempo. Mas acredito que daqui há 15 ou 20 anos os ideias liberais encontrarão muito mais espaço no Brasil. Principalmente porque a geração atual tem feito um trabalho grande de “quebrar barreiras”.

4) Se você pudesse aprovar uma única lei no Brasil, qual lei seria essa?

Resposta) Aprovaria a seguinte lei: “propriedade privada é inviolável, não cabe ao governo desapropriar qualquer bem com base na idéia de que esse não cumpre sua função social”. Se pudesse aprovar uma segunda lei, seria: “o Estado não pode ter terras, todas as terras devem ser privadas”. E se pudesse aprovar uma terceira lei, seria: “é proibido ao governo tratar produtos produzidos fora do Brasil de maneira distinta da de produtos produzidos dentro do Brasil”. Essa medida geraria um grande choque de concorrência no país, e concorrência é uma condição fundamental para o sucesso de economias capitalistas.

6 comentários:

Nilo disse...

Parabéns!!!

Orlando Tambosi disse...

Obrigado pela lembrança de meu blog iracundo. Estou em boa companhia...
Vou chamar lá em casa.

Aline Amaral disse...

Parabéns!

O capitalismo gera desigualdades, porém cada um tem suas escolhas e sabe o caminho onde deseja chegar. Um exemplo, foi esta semana no meu trabalho. Sou caixa de um banco, atendi uma mulher que sacou R$ 3,45 de seu pagamento enviado pela previdência. Estava reclamando da vida, mas não gostaria de voltar a trabalhar, preferia ficar "encostada pelo INSS". Logo em seguida atendi outra senhora, que gostaria de depositar um cheque de R$ 100.000,00,seguindo os procedimentos tive de perguntar de onde vinha tal cheque, ela me informou que era apenas investimento. Não cabe a nós julgar cada uma. Mas enquanto uma reclama da vida, outra apenas investe e trabalha para construir o que tem.
Como Friedman disse: Pessoas com ideais diferentes, e propósitos diferentes levam a desigualdade social. Não o capitalismo.
Também estou nesta luta contra o comunismo!

Andre disse...

O mais curioso desse post foi a citação de Mario Henrique Simonses e Roberto Campos como grandes intervencionistas...A respeito do Roberto Campos, iria ser muito interessante se voce discorresse sobre seu trabalho enquanto Ministro, e os aspectos de suas reformas institucionais, e suas publicações e postura posteriores.

Anônimo disse...

Caso concreto: a realidade do aparelhamento estatal no Brasil.Este é parte da estratégia comunista que aqui se pratica, como o foi e é em Cuba, Venezuela e afins.
Obviamente que, em regime democrático, trata-se de competição desigual; além disso, arrecadação tributária muitas vezes bilionária carreia para a bolsa do governo de plantão vultosa soma de recursos que podem ser aplicados no que bem entender.
Como fazer então? Penso que a solução está em intensa articulação da classe empresarial, os quais são o grosso dos depositantes dos recursos originários da arrecadação ditada pela política tributária.

Anônimo disse...

Alô Adolfo, em relação a quarta questão eu reforçaria os objetivos e não os mecanismos. Os objetivos liberais são: liberdade política, eficiência econômica e uma substancial igualdade de poder econômico. É claro, os economistas liberais acreditam que só um ambiente competitivo pode cumprir esses objetivos.
Um abraço
marco b

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