terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O “Sucesso” dos Países Comunistas nos Esportes

Sucesso e comunismo são palavras que normalmente não andam juntas. Por isso, não deixa de causar curiosidade a recorrente afirmativa de que os países comunistas tiveram sucesso em promover os esportes. É comum ouvir professores elogiando Cuba, por exemplo, como uma potência esportiva. Vamos a uma breve análise referente a mais este MITO comunista.

Numa economia de mercado, um indivíduo tem várias oportunidades referentes ao futuro de sua vida. Pode escolher dentro de um rol muito grande de opções qual é a mais adequada a seu perfil. Nesse processo de escolha, o indivíduo leva em conta que, normalmente, a vida profissional de um atleta começa após os 17 anos, e termina antes dos 37 anos. Assim, para a grande maioria dos atletas, são no máximo 20 anos de profissão. Período esse extremamente curto quando comparado à outras profissões. Após essa breve carreira, o atleta tem que escolher outra profissão e começar praticamente do zero. Dessa maneira, só existem dois tipos de indivíduos que aceitam seguir uma carreira esportiva: a) os atletas realmente fantásticos, aqueles que não só são fenomenais no esporte como também possuem habilidade suficiente para, durante um breve período de tempo, acumular recursos para o restante de sua vida; e b) os não tão fenomenais, mas que também não são habilidosos em outras profissões, escolhendo assim o mundo dos esportes. Como não existem tantos atletas geniais, é comum que, numa economia de mercado, grandes talentos esportivos escolham outras profissões. Com isso podemos inferir que o sucesso de medalhas olímpicas, de países como os Estados Unidos e Inglaterra, devem-se sobretudo à capacidade do capitalismo em gerar condições para atletas medianos, mas que não têm grandes habilidades fora dos esportes, tornarem-se grandes campeões.

Numa economia socialista temos uma drástica mudança: o custo de se entrar no mercado de trabalho aos 37 anos não é tão alto. Afinal, economias socialistas pregam um alto grau de igualdade salarial. Assim, um atleta que abandona os esportes em idade avançada pode ingressar no mercado de trabalho, ganhando um salário próximo ao de outros funcionários que possuem anos a mais de experiência. Mais do que isso, em regimes socialistas, medalhistas olímpicos são transformados em heróis nacionais, pois o esporte é usado como arma política. Além disso, ser um atleta de nível internacional é uma das poucas maneiras de se escapar do “paraíso” socialista. Dessa maneira, ser atleta numa economia socialista é uma profissão com altos retornos. Não por méritos do regime socialista, mas antes pelos deméritos desse sistema. O alto número de medalhas olímpicas obtidas pelos países socialistas não se devem à sua capacidade em promover o esporte, mas sim pela INCAPACIDADE desse regime em gerar outras opções ao indivíduo.

Após essa breve análise, podemos inferir que o “sucesso”comunista no mundo dos esportes não passa de mais uma fraude publicitária. Pois tal “sucesso” não provém dos méritos desse sistema, mas é sim um sub-produto de seus deméritos.

18 comentários:

Anônimo disse...

Adolfo, você se superou nesse texto. Parabéns.

Esse texto tem que ser divulgado na internet, tem que ser leitura obrigatória nas universidades de pedagogia desse país.

Mais um mito comunista foi por terra.

Pedro

Nilo disse...

Uma grande prova disso são os boxiadores cubanos!!

Leandro F. de Souza disse...

Perfeito.
Sem mais palavras.

Fábio Mayer disse...

Eu sempre pensei que as razões eram de marketing, e que essa situação não se dava por uma inacapacidade do sistema.

Totti_ucb disse...

varias pessoas poderam vir a ter ataque cardiacos com esse texto.
enquanto isso, Fidel continua no poder! quanto tempo mais ira continuar a ditadura em cuba??

Anônimo disse...

Não sou entusiasta do comunismo, tampouco acho o capitalismo a maravilha da sociedade moderna. Mas certas opiniões, não só sobre o comunismo, pautadas na idéia de que "é ruim, porque é ruim", frequentemente são expressas a partir de silogismos simplistas e, via de regra, maniqueístas. É o caso. Apenas a título de reflexão: se as experiências comunistas no esporte (abstraindo-se o fato de que educação e esporte seriam faces da mesma moeda e que o Estado estaria garantindo o acesso indistinto para todos os cidadãos), fazendo uso institucional dos atletas é tão horrorosa, o que diremos sobre a mercantilização dos desportistas da economia de mercado? Ah, tá. Nesse caso, a autonomia do indivíduo justifica tudo... Tá bom.

Anônimo disse...

Caro Adolfo, pode existir uma razão mais simples: a propensão a assumir riscos e as restrições legais. Ambos os países, comunistas e capitalistas,estão repletos de atletas bombados.
É o que penso
Marco B

Anônimo disse...

Muito bom Adolfo. Análise econômica pura.

Mário Jorge.

Anônimo disse...

De fato, procede o argumento de que o custo de oportunidade para um individuo de "talento representativo" que deseja se tornar um atleta seja menor em paises comunistas, o que gera um pool de candidatos de qualidade atletica superior nos mesmos. No entanto, esses atletas olimpicos de Cuba nao sao produto de um simples vies de selecao, mas tambem de investimentos feito pelo proprio governo cubano. Ha que se reconhecer isso, pois em outros paises (Brasil?!) o esporte tambem e muitas vezes *percebido* como a opcao mais encorajadora pelo jovem de baixa renda e, no entanto, o governo nao consegue gerar atletas de ponta. Nao estou dizendo que o governo deva intervir nisso, mas apenas que podemos ter comunismo com maiores ou menores graus de competencia... Cuba parece melhor que o Brasil nesse quesito...

D.A.M. disse...

Outro mito é o direito a greve que os comunistas julgam direito dos trabalhadores, só que esses esquecem que é um direito só no modo capitalista de produção, onde as pessoas têm a opção e sendo racional devem tentar melhorar sua situação.
Por que não existe greve em países comunistas, será que é mesmo por causa da distribuição de renda, ou porque se você fizer greve você só poderá escolher como morrer, agonizando uma vez que você perde o emprego e não tem mais do que viver em lugar nenhum já que tudo é do Estado o único empregador, ou rápido, fuzilado acusado de traição contra a sociedade.

Jamile disse...

Diante do conteudo deste texto fica mais uma vez confirmado que seja o sistema comunista, socialista ou capitalista os individuos com menores oportunidades, ou seja, os pobres,os assalariados, os desfavorecidos financeiramente são sempre os mais prejudicados, explorados e manipulados pelo sistema.

Anônimo disse...

Concordo totalmente, e pergunto ao Profº Adolfo: Qual país comunista poderia ser o modelo ideal de nação comunista?

Anônimo disse...

Sim, professor! Gostaria apenas de reforçar a pergunta anterior e receber uma resposta, é claro.

junia marcia rocha de oliveira disse...

No Brasil o nosso sistema também na maioria ds vezes é imcapaz de gerar opções diferentes para os indivíduos.Isso é visto principalmente no futebol, onde nossos atletas são em sua maioria favelados em busca de uma saída,uma "fuga" para a Europa. Mas com uma graaande diferença! Aqui o esporte pode até tornar seus campeões heróis nacionais, mas não é visto como arma política ou melhor o governo não investe o suficiente para que ele seja visto dessa forma afinal para isso teria também que atrelar a educação as práticas esportivas o que é muito pouco, quase nada comparado com Cuba. Aqui também os ex-atletas, jamais conseguirão ser inseridos no mercado de trabalho a não ser em algo ligado ao meio esportista.Agora eu pergunto a todos:É preferíovel viver em um país cuja liberdade de escolha lhe é concedido e você pode ser um eterno favelado assim como pode ser um milhonário, sabendo que terá que andar com as própias pernas ou em um regime que você é o que definirem para voê afinal você não tem nehuma outra opçã?Eu lhes respondo meus "camaradas" definitivamente NÃO!!!

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto. O comunismo é um sistema que prega a igualdade, mas de que adianta se igual se não temos a opção de escolher o que queremos para a nós? Precisamos de um sistema que proporcione igualdade e liberdade. E este não é o capitalismo...

Tatiana disse...

Concordo que o esportista que possui um alto investimento em sua carreira profissional se torne um grande atleta pois a união da aptidão com ótimas condições de treinamento(aparelhagem de ultima gerção) cria um astro dos esportes; já quando se força uma pessoa a treinar sem ter o mínimo de condições adequada para isso não se cria um astro do atletismo. Em Cuba os atletas são obrigados a treinar e a ganhar as competições, caso contrário serão castigados juntamente com suas famílias.
Sua crítica foi perfeita.

miguel disse...

miguel diz: o comunismo não é bom, nem o capitalismo presta; economistas do Brasil, vamos elaborar um novo sistema.

anneberg disse...

Anneberg Ramos, acadêmica de Serviço Social.
Vários mitos Cubanos estão sendo desvendados, apesar do Estado tentar de vários formas reprimir a liberdade de expressão, a indignação de verdadeiros heróis, que rompem essa barreira,vindoa tona, o que realmente acontece em Cuba. Não consigo imaginar como seria morar num país onde meu grito de indignação não pode soar, onde teria que viver sem a liberdade de escolha.
Li a pouco um artigo magnífico de Yoani Sánchez, onde a mesma mostra no seu blog, a realidade de Cuba, fiquei perplexa, pois não tinha noção da magnitude do problema, ela desvenda outro mito, que é o da medicina, onde a mesma mostra que o salário de um cirurgião não passa de 60,00 reais, e que ela não pode sair da ilha pois seria um golpe muito forte ao Estado, mostra também o medo com o futuro de seu filho.Tudo isso mostra a grande mazela do comunismo.

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