quinta-feira, 20 de março de 2008

Andrew Golotta e a essência da bandidagem

Andrew Gollota foi um lutador peso-pesado que, por volta de 1996, tinha chances de lutar pelo título mundial. Ele tinha um bom cartel, era bom lutador, mas mais do que isso tinha uma natureza pouco propensa a honestidade. Ele teve duas lutas chave em sua carreira, ambas contra Riddick Bowie. Perdeu ambas, ambas pelo mesmo motivo: desqualificação por golpes baixos. Na última delas, Golotta vencia a luta por pontos. Faltavam 20 segundos para terminar o penúltimo round, todos os comentaristas já apontavam a vitória de Golotta quando a natureza deste falou mais alto: ele desferiu três golpes seguidos abaixo da linha de cintura. Desclassificação imediata. Ninguém conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ninguém era capaz de entender o motivo de tal estupidez.

Tenho uma teoria para o comportamento de Golotta, como já dizia o filósofo: “malandro demais vira bicho”. Quando o sujeito esta acostumado à sacanagem não tem jeito, mais do que recorrer a golpes sujos por necessidade o bandido recorre a tais golpes por prazer. Para o malandro vencer honestamente não vale, o prazer vem da desonestidade não da vitória.

O Brasil é um exemplo claro do “paradoxo Golotta” (recorrer à sacanagem mesmo na ausência de tal necessidade). Nossos políticos não se contentam em roubar milhões, precisam lesar o Estado até na tapioca. Aqui um bandido não se contenta em roubar milhões, ele precisa também roubar os centavos. Uma vez perguntei a meu irmão: como você faria para identificar um ladrão? A resposta dele foi simples e ilustrativa: “Olhe sua conta de restaurante. Uma pessoa que rouba milhões é incapaz de se conter, vai roubar na nota do restaurante também”.

À esses bandidos faço aqui minhas as palavras do inspetor de polícia do filme “Casablanca”: “odeio vagabundos baratos”.

6 comentários:

Murilo Aleixo - Aluno de Macroeconomia disse...

Muito bom o paradoxo !!!!

Isso já ta na Alma, não é nem mais o corpo !!!!

Anônimo disse...

Prof. Adolfo,
Infelizmente quando lemos artigos como esse, temos a tendência de acompanhar aqueles que acreditam que esse país não tem solução.
Quando vemos a quantidade de políticos e funcionários públicos corruptos, costumamos repetir a frase “esse país não tem jeito”. Embora tenha vivenciado tanta corrupção, não acho essa posição correta. Não sou uma pessoa jovem, digo isso porque os jovens estão começando a entrar no mercado de trabalho, cheios de sonhos, acreditando em quase tudo. Mesmo assim, continuo crendo que esse país tem jeito. Embora entre políticos e funcionários públicos a maioria sejam corruptos, continuo crendo que entre o povo brasileiro a maioria é feita de pessoas honestas e trabalhadoras. Não precisamos fazer coro com os países que desqualificam negativamente o Brasil. Precisamos deixar claro nossa repulsa a esses atos, mas continuar acreditando, mesmo contra a maioria, que nosso Brasil tem jeito sim.
Alcimar Nascimento

Anônimo disse...

Não sei se tem a ver com o tema, mas escrevi isso:
Dei falta de uma reportagem no jornal nacional sobre as loucuras que o Mantega está começando a fazer. Todo economista (que não quer ir para o governo e nem para banco) sabe e apregoa que a inflação é um fenômeno estritamente monetário. Portanto, o seu mau (o da inflação) está no excesso de liquidez na economia. A política monetária ideal seria o estabelecimento de regras de atuação do Banco central, responsável pela emissão de notas verdes com cara de presidente e outras figurinhas de forma a se colocar um limite na quantidade de moeda na economia. Uma variante torta dessas regras é a tal das metas inflacionárias. Elas são efetivamente sucesso em alguns países, porque o Banco Central efetivamente só estaria se preocupando com a inflação. Mas sabemos que regras não são bem-vindas pelos práticos em política. Eles sempre inventam algo mais como o doidão do Bernanke (vejam o artigo do Krugman, no O Globo, possível prêmio nobel em economia). Todavia, as loucuras ficam restritas ao Banco Central. Agora, vem o tal de Mantega com essa conversa mole que tem que reduzir o prazo de financiamento para reduzir o consumo. Eles são realmente criativos, pois nenhum livro ou artigo em economia (só vale de prêmio nobel) fala tal coisa. Todos que entendem um pouquinho de banco e banco central sabem que o problema único do sistema financeiro é o seu grau de alavancagem. Neste caso do financiamento por mais de 36 meses, o problema está muito mais relacionado a estratégias de multinacionais do que propriamente do sistema financeiro. No fundo, essa medida interessa aos banqueiros que ficarão imunes de um vetor a menos de risco. Portanto, temos que ficar de olho não só no dossiê que está nas vejas dessa semana, mas também com as cadernetas de crédito. Xô maluco.
PS. Esses planejadores vieram de São Paulo que por sinal conseguiram deixar a cidade um espetáculo aquático que a cada ano afunda mais a cidade. A USP foi criada exatamente para isso: mudarem o Brasil. Conseguiram.
Um abraço
marco B

Anônimo disse...

Neste fim de semana assisti a um filme americano onde mostrava uma pessoa sendo demitida sem nenhum direito trabalhista, daí imaginei se a mesma situação ocorresse no Brasil, a pessoa teria uma boa grana para se manter durante algum tempo e conforme foi dito pelo Professor Adolfo, as leis trabalhistas no Brasil travam o crescimento econômico. Até ai estou de acordo, agora como propor para sociedade brasileira acabar com o FGTS, Seguro Desemprego, 13º salário, etc. O caso é que a cultura brasileira cativa à desonestidade. Um trabalhador honesto e dedicado não deveria temer ser demitido, mas aquele que enrola e se escora nos outros jamais vai apoiar uma mudança dessas. Nosso desafio é achar uma forma de fazermos uma revolução sem o apoio da população, acho que a melhor saída para nossos problemas não seja ficar dando murro em ponta de faca, mas sim sermos criativo.
RODRIGO
Aluno UCB

Anônimo disse...

Alo Adolfo, conversando com Aguinaldo Silva em seu blog, fiz um comentário sobre sua mensagem em relação a um comunista que por lá aparece e deita propaganda socialista. Para quem não gosta de novela, talvez não entenda totalmente o contexto. De qualquer sorte, acho que o tema é pertinente ao seu post e reproduzo aqui o que lá falei:

"Oh! Aguinaldo, tadinha da Ramona. Ter que enfrentar os Rudolfs da vida (por aqui se apresentam com o nome de guerra ) e ainda assim ser discriminada; acho que é por causa dos óculos. O papo dessa turma desbotada é sempre o mesmo e é de muito antes do próprio Marx. Tenho poucas considerações a fazer desse Velho barbudo. Aprecio alguns dos seus conceitos, como acumulação primitiva, ideologia, etc. Porém, não deixo de reconhecer que ele em si mesmo é um atraso para a humanidade, com sua visão messiânica de que o capitalismo sucumbirá e aí brotará o socialismo. Essa é uma afirmação que , desconstituída de lógica, leva sempre alguns afoitos a querer encurtar o caminho e aí promovem bagunças socialistas. No Brasil, esses comunas mequetrefes levaram bala do Getúlio. Da ditadura militar de 64 também. Porém neste caso, sabemos que a maldade da tortura reinou (Estou adorando a série Queridos Amigos e quero ver o Nenê si ....) e que aqueles milicos golpistas trataram de dar sumiço com os verdadeiros nacionalistas (não foi à-toa que sobraram muitos comunas e nenhum nacionalista). Ao contrário de você, Aguinaldo , acompanho com interesse policialesco os comentários do comuna maranhense, pois fico sabendo exatamente os movimentos dessa rapaziada. O tal do MR8 que já serviu ao Quércia, ao Garotinho e está aí para qualquer serviço que não me atrevo a qualificar, tá sempre no meio da bagunça. Precisam arregimentar novos companheiros. O meu teste para detectar malandros é fácil: nunca falam de assunto e sempre falam de ideologias. Eles tentaram me cooptar, mas logo viram que eu quero minha voz voltada apenas para um único caminho: a liberdade. Eles , os comunas, a esquerda, os malandros, estão tendo que colocar essa palavrinha em suas siglas. Só não conseguem colocá-la em seus programas e suas ações. Socialismo com liberdade é o clichê da moda. Mas o que eu quero mesmo é discutir a favela, o programa do biocombustível (o do álcool já era), da esculhambação dos partidos políticos, da relação do homem com o mosquito e definitivamente dar fim ao planejamento estratégico que os golpistas de 64 inventaram: o povo é bosta, os recursos naturais e público são dos poderosos e a política é a arte de poucos dominarem muitos. Solução: basta voltarmos ao ordenamento jurídico antes de 1964 e tratarmos o orçamento público com simplicidade e moralidade, invertendo-se o fatídico planejamento estratégico."

um abraço
marco b

William dos Reis disse...

Adolfo,
MUITO BOM ESSE SEU TEXTO. É impressionante a capacidade dos políticos de serem sacanas com a sociedade. Hoje pela manhã, antes de vir ao serviço, estava assistindo o jornal... algo que faço constantemente. Uma das reportagens, entretanto, me deixou perpelexo com a capacidade do governo de debochar do povo. Estou falando da votação que determinaria se haveria quebra de sigilo nas contas da Ministra Dilma, relativo ao gasto com cartões corporativos... aqueles em que é permitido o gasto para situações emergenciais, como por exemplo a compra de TAPIOCAS. O resultado é que, como já se sabe, houve muitos gritos, baixarias, e, por fim, para "amenizar os ânimos", um senador CARA DE PAU, distribui sorvete de TAPIOCA... comprado sabe com o que? Com o cartão corporativo.
É o seu comentado "paradoxo Golotta"... que podemos aperfeiçoar para o "paradoxo da Canalhice".
Um abraço Adolfo...

William dos Reis

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