terça-feira, 25 de março de 2008

Patrimônio Histórico

Poucas idéias ruins fizeram tanto estrago na vida de pessoas comuns quanto a idéia do patrimônio histórico. Brasília é o maior exemplo disso, mas outros exemplos não faltam. Em Brasília praticamente tudo é patrimônio histórico: você quer construir? Não pode, aqui é patrimônio histórico, sua obra tem que se moldar à cidade. Quer reformar? Também não pode. Em resumo, o preço do imóvel em Brasília é um dos mais caros do Brasil. Milhares de pessoas pagam por um aluguel de casa caro, e de pouca qualidade, para que possamos dizer: “Brasília é patrimônio histórico”.

Para que serve ser patrimônio histórico? Resposta: para nada de útil. Contudo, os efeitos nocivos disso sobre a sociedade são gigantescos. Imaginem se a Paris do século X fosse patrimônio histórico, ela seria a Paris do século X até hoje. Pergunto, alguém iria fazer turismo lá? Eu mesmo respondo: Brasília é patrimônio histórico, alguém vem fazer turismo aqui por causa disso? Claro que não, quem vem a Brasília vem para ver a capital do Brasil. Ninguém vem a Brasília para ver a Vila Planalto (vila no fundo do Palácio do Alvorada que não pode ser reconstruída ou reformada, afinal é patrimônio histórico). Quem vai a Paris vai para ver uma das cidades mais belas do mundo, para ver os museus, a arquitetura. Isso nada tem haver com patrimônio histórico.

Em várias cidades do Brasil a idéia de se transformar regiões inteiras em patrimônio histórico deixou pessoas sem lugar para morarem, aumentou o preço dos aluguéis e ainda por cima deixou as cidades mais feias. Patrimônio histórico não gera turismo. Cidades turísticas não passaram a atrair mais turistas depois de se transformarem em patrimônio histórico. Cidades que não recebiam turistas também não passaram a receber turistas depois de sacrificarem boa parte de seu espaço ao patrimônio histórico.

Ao invés de gastar recursos, e de tornar a vida do cidadão comum pior, transformando uma região em patrimônio histórico, deveríamos fazer como Dallas: no centro de Dallas fica uma cabana com a inscrição “Essa foi a primeira cabana de Dallas”. O espaço de uma praça com uma cabana é o suficiente. E ao redor disso monta-se um museu. Pronto, taí o patrimônio histórico preservado, e a vida das pessoas pode seguir em frente.

3 comentários:

Badger disse...

Pior que isso Adolfo, os vagabundos comuno-fascistas da ONU chamam as benfeitorias de "patrimônio histórico da *HUMANIDADE*", quer dizer, a humanidade passa a ser dona do patrimônio, em detrimento daqueles que deveriam ser os verdadeiros donos, os habitantes da região. E as antas brasileiras como de praxe acham bonito. Não é a toa que nos EUA você nunca ouve a expressão "patrimônio histórico da humanidade", americano não é otário.

Anônimo disse...

Oh Adolfo, pelo menos em Paris eu tenho certeza que não passaram o trator em cima das relíquias francesas. É claro, o ponto relevante é se temos ou não um plano urbanístico. Brasília não tem um nos moldes tradicionais. Tem nos moldes tupiniquins que é esse que você falou. Prefiro este aos outros que o Paulo Otávio está gerindo. A turma do Paulo Otávio vai lotear entre eles a tal da área noroeste. Quem gostou? Por mim, eu só permitiria que lá fossem construídas somente casas e não edifícios de não sei quantos andares. Se não fosse esse radicalismo político de fazer de todas as cidades brasileiras um amontoado de cimento eu até compraria sua idéia. Contudo, eu quero mesmo é uma reforma urbana em que mudanças do plano urbanístico tenham que ser decidido por plebiscito. De qualquer sorte, gosto do plano piloto do jeito que está.
um abraço
marco b

Anônimo disse...

Concordo, não pensava dessa forma. Mas agora não que discordar em nada !!!! muito bem colocado !!!!!

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