terça-feira, 29 de abril de 2008

Brasil Telecom, Oi e o gol contra da PUC-Rio

Não bastasse o absurdo que representa a fusão da Brasil Telecom com a Oi ainda temos que ouvir “especialistas” falando besteira. Vamos aos fatos:
1) O governo federal está mudando as regras do jogo APENAS para tornar essa fusão legalmente possível;
2) O governo vai financiar, pelo BNDES, parte dessa transação;
3) Fundos de pensão estatal também devem participar da jogada;
4) O setor de telecomunicações que já é razoavelmente concentrado vai ficar ainda mais concentrado.

Enfim, num país minimamente civilizado já teria gente perdendo o emprego por essa afronta às leis do país. Mas aqui parece correr tudo as mil maravilhas. Pior, aparece um professor da PUC-Rio dizendo, num programa televisivo nacional, que tal fusão pode favorecer o consumidor!!!! É o fim da picada. Eu não lembro do nome do professor, mas não creio que ele fosse do departamento de economia (que é certamente um dos melhores do país). Mas uma dica: em termos teóricos quase tudo é possível. Uma pessoa pode cair de um penhasco e sair ilesa, outra pode levar 6 tiros e continuar viva. Em termos teóricos isso é possível, mas não provável. Em termos teóricos, é possível que a REDUÇÃO do número de firmas melhore a qualidade do atendimento, mas na prática uma redução na competição leva mesmo é a uma redução na qualidade dos serviços ou a um aumento nos preços.

Reduzir a competição no setor de telecomunicações não parece ser um movimento isolado por parte do governo federal. No setor de petróleo o movimento parece ser similar, com a PETROBRAS comprando empresas privadas e concentrando ainda mais o setor. Parece que o governo atual quer reverter as privatizações ocorridas no passado. Afinal, tão logo exista apenas uma empresa no setor, bastará ao governo estatizá-la e teremos de volta as grandes estatais do passado. Para os que não se lembram, essas “pérolas” estatais do passado eram carinhosamente chamadas de ELEFANTES BRANCOS.

7 comentários:

Fábio Mayer disse...

Concentração de mercado nunca favorece o consumidor.

Agora, Adolfo:

Eu posso parecer paranóico mas o governo do PT anunciou que pretende que o país tenha um megalaboratório farmacêutico e ainda apóia essa fusão.

Dá a impressão que estão promovendo a concentração dos negócios, oligopolizando a economia. Daí, em determinado momento, aparecem com o discurso de que isso prejudica o consumidor, que o Brasil está nas mãos de tubarões e... ESTATIZA tudo de novo!

Chaves usou os mesmos argumentos para estatizar as elétricas, as telefôniocas e as cimenteiras...

Anônimo disse...

Pior de tudo é que eu aprendi desde cedo que monopólio se regula com preço igual ao custo marginal. Mas veio essa turma tupiniquim da regulação e começaram a deitar regras de rentabilidade fora do mercado.
Um abraço
Marco B
OBS: A turma do PSDB continua vencendo; acabaram de faturar a Brasil telecom. A Embratel já tinha ido.O Modelo está funcionando!!!!

Mauricio disse...

Com relação aos fatos 1, 2 e 3 concordo com você que se trata de um absurdo. Mas com relação a 4, o comentário do professor da PUC não é tão absurdo. Oi e BrT são empresas com pouquíssima sobreposição geográfica. Você se importaria se a British Telecom comprasse a BrT? Provavelmente não. Guardada as devidas proporções é mais ou menos isso que está acontecendo. Com exceção de alguns mercados (provedores de Internet e comunicação de dados, provavelmente), não há de fato concentração. Dito de outro modo, as empresas já detém poder de mercado em suas respectivas regiões (isso é ruim, é claro), mas a operação não altera significativamente este panorama.

Fabio disse...

Nem o Governo nem as grandes empresas gostam de competição: existe uma relação simbiótica e incestuosa entre eles sempre na mesma direção: a acumulação de poder. Quem sai esfolado é sempre o cidadão, o consumidor, o indivíduo.

O problema não se limita ao Governo. O Estado moderno tem uma lei imutável: trabalhar sempre a favor do incremento, aos poucos, do seu próprio poder.

Quem preza a liberdade individual trabalhará sempre no sentido contrário, no sentido de limitar o poder do Estado. (E é isso que o Adolfo tem feito aqui!)

Mauricio disse...

A operação em si não é o problema, mas a maneira como foi feita (mudanças de regras ad hoc e financiamento público) e as intenções do governo por trás da manobra. Acho importante não misturar os dois debates. Trata-se da fusão entre incumbentes regionais, com pouquíssima sobreposição geográfica. Nos Estados Unidos e na Europa diversas operações similares foram aprovadas pelos órgãos de defesa da concorrência, com pouquíssimas restrições. Do ponto de vista da defesa da concorrência não se pode confundir a existência prévia de poder de mercado com a criação de poder de mercado pela fusão. De fato Oi e BrT detêm poder de merdado na prestação de alguns serviços, mas a operação não altera este panorama na maioria deles.

Anônimo disse...

Pois é, Adolfo!

No Brasil é assim: as coisas ou são feitas ao arrepio da lei ou a lei é arrepida para que as coisas sejam feitas. Mas o pior de tudo é o tipo de argumento utilizado: há cretinos por aí acalentando o velho sonho do Brasil Grande (o que bate com o seu argumento do elefante branco), com a idéia de que tais fusões permitem surgir super-multinacionais e etc. e tal. Porém, não parece ser essa a percepção do mercado: as ações da controladora da Oi tiveram uma perda avaliada entre 9,5% e 10,5% no dia 28/04. Nesse caso, o grande negócio o é, apenas, para os Jereissatis e os Andrades (o idiota do contribuinte que se exploda!).

PS: Maurício, pelo que se sabe, o aumento de concentração industrial eleva o poder de mercado. E, nesse caso, haverá aumento de concentração. Ou não?

Mauricio disse...

Caro Anônimo,

O ponto é exatamente este. Na maioria dos mercados não haverá aumento da concentração. É importante definir corretamente o que a literatura chama de dimensão geográfica do mercado relevante. Na maioria dos mercados envolvidos esta dimensão é local ou regional (se você mora no Rio é impossível comprar um telefone fixo da BrT, por exemplo). Em outras palavras não há sobreposição entre a atuação das empresas, pelo simples fato de cada uma atua em uma região geográfica diferente.

Nos Estados Unidos o Departamento de Justiça aprovou várias fusões semelhantes entre as incumbentes regionais de lá sem maiores condicionantes. Na Europa também foram aprovadas operações similares, entre incumbentes nacionais.

Pegue o exemplo que eu dei da British Telecom comprando a Oi. Haveria algum problema concorrencial? Não. Guardada as devidas proporções algo parecido ocorre na fusão Oi/BrT.

Talvez as exceções sejam o mercado de dados corporativos, em que talvez a dimensão geográfica seja nacional e o de provedores de Internet, pois a BrT tem atuação significativa na região da Oi (com o Ig e o Ibest). Nesses casos, a operação poderia ser aprovada com algum condicionante, como é praxe na prática antitruste. Talvez nem isso seja necessário, se a fusão gerar eficiências tais que contrabalancem os efeitos anticompetitivos (e, de fato, a experiência de fusões similares aponta para ganhos expressivos de eficiência).

É importante não contaminar a discussão técnica antitruste com essas baboseiras de multinacional brasileira das telecomunicações e tudo mais que veio a reboque (mudança ad hoc da lei e financiamento camarada).

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