sábado, 12 de abril de 2008

Discurso de Abertura do 2º Encontro de Pensadores Liberais: Defender o Liberalismo não é uma Tarefa Fácil

Defender as doutrinas liberais não é tarefa fácil. Não porque o liberalismo não de provas suficientes de seu sucesso tanto econômico como humanitário, mas simplesmente porque economia é uma ciência extremamente difícil. Poucos são capazes de entender as sutilezas do mecanismo de incentivo que rege a economia: a vontade de melhorar de vida. Todos queremos melhorar de vida, mas poucos compreendem que essa vontade reage a incentivos que se determinados de maneira incorreta atrapalham e afetam negativamente não só a atividade econômica, mas também o bem-estar de toda a sociedade. Einsten costumava dizer que se tivesse uma segunda vida iria estudar economia, pois nada era tão desafiador e difícil quanto a ciência econômica.

Agisse o mercado na presença de um Estado pequeno e nosso bem-estar seria muito maior. Contudo, o Estado tenta constantemente aumentar o seu poder. Para tanto o Estado usa de um artifício simples, porém eficaz: o Estado cria dificuldades na sociedade para que a própria sociedade peça mais intervenção estatal. Por exemplo, numa economia aberta, e sujeita a muita competição, o poder dos empresários sobre os trabalhadores seria limitado. Os empresários seriam obrigados a pagar aos trabalhadores sua produtividade marginal, sob pena dos melhores trabalhadores irem ofertar seu trabalho em outras empresas que estariam dispostas a pagar mais para eles. O que faz então o Estado? O Estado tenta de todas as maneiras LIMITAR a competição – seja criando entraves burocráticos para a abertura de novas empresas, ou elevando os impostos, ou ainda proibindo a venda de produtos estrangeiros no país. Com menos competição, o poder dos empresários sobre os trabalhadores aumenta. Afinal, os trabalhadores agora não têm mais tantas alternativas de emprego. Então, para se protegerem dos empresários o que os trabalhadores fazem? Eles pedem MAIS intervenção do Estado, pedem ao Estado para que crie um conjunto de leis que protegem o trabalhador frente ao poder de mercado dos empresários. O Estado de bom grado aceita o pedido dos trabalhadores e aumenta ainda mais o seu poder na economia. Obrigados a seguir um conjunto de leis que aumenta o custo do trabalho, o que fazem os empresários? Eles pedem por mais Estado para protegê-los da competição externa. Novamente, o Estado aparece aceitando o pedido da sociedade e aumentando ainda mais seu poder. Tanto trabalhadores quanto empresários falham em identificar o AUMENTO do tamanho do Estado como seu principal inimigo. E a cada nova intervenção estatal, que cria ainda mais miséria econômica e social, a sociedade pede por mais Estado, quando a solução correta seria exatamente a oposta: DIMINUIR O TAMANHO DO ESTADO.

Marx foi um pensador famoso INCAPAZ de entender o mecanismo acima. Ele corretamente identificou a exploração dos trabalhadores, mas ao invés de sugerir a redução do tamanho do Estado, ele propôs justamente o oposto: Marx via no aumento do Estado a solução dos problemas, quando NA VERDADE o aumento do Estado é a ORIGEM dos problemas.

4 comentários:

Daniel Marchi disse...

Adolfo
Certa vez, num debate, achei muito interessante a análise que um conhecido meu fez: de que tudo não passa que uma questão de "risco e retorno". Nas sociedades liberais, nas quais as liberdades individuais são maiores, as pessoas têm de arcar com suas escolhas, o que eleva seus riscos e, por consequência, seus retornos. Por outro lado, temos povos que são completamente avessos a riscos. O estado, nesse caso, seria um redutor de riscos e, inevitavelmente, dos retornos.
Obviamente essa é uma abordagem bastante simples, mas não deixa de ser curiosa.
Abç

Anônimo disse...

Valeu a pena participar do Encontro dos Liberais. Presença maciça de jovens futuros economistas. Quem sabe já temos em adiantado estado de maturidade o Hayek/Friedman brasileiro.
Os economistas trabalham com ferramentas bastante concretas, excelentes para destrinçar fatos passados, mas nem sempre totalmente úteis para esculpir fatos futuros.
Naquele debate sobre a crítica ao exagero do uso da RAZÃO, faltou alguém que levantasse a propriedade do serviço prestado pela INTUIÇÃO.

Anônimo disse...

É por isso que os liberais, e eu também, acreditam que o fundamental é que se preserve a liberdade. Só a busca de um ambiente competitivo garantiria que o cidadão não seria apunhalado duas vezes: pelo estado e pelos poderosos. O Estado pode fazer muitas coisas boas, principalmente quando efetivamente as está fazendo em nome de todos e por nossa iniciativa. O Estado geralmente é inoportuno quando age para poucos ou em nome de muitos, mas pela vontade de poucos.
UM abraço Marco B

Anônimo disse...

Adolfo, boas idéias.
Mas só me ocorreu uma dúvida, tenho quase certeza de já ter lido em alguma autobiografia de um nobel em economia dizer que Einstein o recomendou a desistir de economia porque não era uma ciência rigorosa como as ciências físicas. Não tenho certeza de ter sido um economista mesmo. Por isso queria saber daonde é essa sua informação? Ficaria feliz de saber que esse gênio realmente se interessava por economia.
Abraços!

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