quinta-feira, 15 de maio de 2008

A Bolha Brasileira

Os analistas internacionais parecem culpar uma “bolha” no mercado imobiliário como a principal responsável pela crise americana atual. A seu próprio modo o Brasil também está com uma “bolha”. Mas, ao contrário da americana, a bolha brasileira parece passar despercebida pela grande maioria dos experts em finanças. Até o momento ninguém notou o perigo que representa o aumento da inflação para os financiamentos de longo prazo, que estão sendo providenciados na economia brasileira.

Hoje é muito comum um consumidor ir numa loja de material de construção, ou num supermercado, ou numa financeira, ou numa concessionária de veículos, e tomar empréstimos (com valores constantes ou decrescentes) para um longo período de tempo. É claro que a taxa de juros embutida em tais empréstimos não é baixa, contudo as prestações são fixas. Ou seja, um aumento da inflação REDUZ a rentabilidade desses empréstimos.

Vamos a um caso concreto: venda de automóveis. Hoje uma pessoa consegue financiar a compra de seu carro em até 6 anos pagando prestações FIXAS. Caso a inflação brasileira aumente para patamares de 10% ao ano (como o IGP já projeta) teremos uma brutal redução na rentabilidade dos fundos que financiaram a compra do automóvel. Os bancos e as financeiras não são estúpidos, eles certamente já se anteciparam ao risco inflacionário e devem ter repassado parte desses papéis para o mercado. Assim, a pergunta correta a se fazer é: quem está com os títulos que geraram o financiamento dos automóveis? Afinal, são tais pessoas que irão ter severos prejuízos na eventual manutenção da inflação nos patamares atuais.

A inflação tem vários custos para a sociedade. No Brasil, além dos custos tradicionais, poderemos ter também um custo adicional gerado pelo aumento da inflação: a perda de rentabilidade, e conseqüente problema de solvência, de vários fundos que financiaram a compra de bens a longo prazo. Da próxima vez que você for ao banco, pergunte ao seu gerente se a sua carteira de investimento financia compras de longo prazo. Se a resposta for positiva preocupe-se com a inflação, pois ela pode te machucar mais do que você imagina.

13 comentários:

GAbiRu disse...

e nosso problema é similar ao americano, né nao? tipo, trabalha com a hipótese de soltar o crédito a rodo através de garantias estapafúrdias. mais na frente, na hora de resgatar a grana, vai dar merda.

peguei a conta do BB e vou comprar o livro!!!!

Fábio Mayer disse...

É o que eu tenho dito, o sub-prime brasileiro pode ter 4 rodas...

Anônimo disse...

O que dizer? Perfeito o argumento do post. Acrescento apenas que a euforia econômica do governo do PT é uma bolha que vai estourar logo, logo. Não dá para vislumbrar outra coisa com os gastos crescendo, em termos reais, duas ou três vezes mais do que o PIB. Porém, o que mais me deixa assustado é não ouvir qualquer comentário acerca disso por parte das cabeças coroadas da oposiçao. Será conseqüência da popularidade do "ômi"?

Anônimo disse...

Este realmente é um ótimo insight. Vamos ver qual será a mágica para segurar os fundos DI e os multimercados se a inflação galopar e fizer com que estas aplicações "miquem". Acho o caso dos fundos DIs e outros de renda fixa os mais perigosos, pois embora não sejam diretamente utilizados na captação de recursos para financiamento de bens duráveis, podem sustentar bancos que estejam carregados com eles e se tais financiamentos perderem rentabilidade em virtude da inflação os bancos terão dificuldades de saldar seus débitos no mercado de Depósitos Interbancários o que certamente elevará o risco do sistema financeito como um todo.

Rogê

Orlando Tambosi disse...

Salve, Adolfo,

estou chamando o post lá em casa.

Abs.

Anônimo disse...

Pegue o dinheiro que você ia aplicar no fundo e compre o carrão de seus sonhos em 6 anos com parcelas fixas, daí comece a falar que um pouquinho de inflação pode ser bom para ajudar o crescimento. Depois diga que como a inflação passou de 10% ao ano e é necessário criar mecanismos de indexação para manter o poder de compras dos trabalhadores. Quando a inflação chegar a 100% ao ano culpe os neoliberais e ganância dos empresarios, defenda controle de preços como a única saída para o Brasil.
Siga meu conselho e, na pior das hipóteses, você ganha um carro. Com um pouco de sorte você arruma um empreguinho como economista do governo (não se preocupe se será PT ou PSDB, dá no mesmo).
Quanto ao coitado que investiu o dinheiro no fundo... quem liga? Se ele tiver sorte ele tira o dinheiro do fundo e compra um carro antes da inflação chegar a 1000% ao ano e algum iluminado sequestrar (ou alongar os prazos) o dinheiro aplicado em todo e qualquer ativo financeiro existente no país.

P.S. Este comentário é uma ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

Anônimo disse...

Com certeza, você Adolfo sabe muito mais de economia que eu mas pra mim é difícil dizer que o Brasil está sofrendo uma bolha. De qq forma, periodos longos de crescimento acabam provocando situaçoes insustentáveis (bolhas). Olha o que está acontecendo aqui na Espanha. A situaçao ficou séria por aqui...
Abraços
A

Anônimo disse...

Depois que a nossa "bolha" estourar, o governo vai fazer o quê? Mais intervenção, é óbvio (mesma coisa nos Estados Unidos). Algum pacote será bolado, mas o resultado é sempre o mesmo: mais poder ao Estado.

Essas jogadas estão bem pensadas, antes. Algum desses "estrategistas" já pensou três, quatro passos adiante, já espera consequências "não-intencionais", e já tem o pacote pronto pra "salvar" a situação.

Fábio

Fabiano disse...

Excelentes pontos. Roge e Adolfo explicaram direitinho por que um novo PROER deve estar vindo por ai.

Anônimo disse...

Grande ponto Adolfo. Parabéns.
Eu só gostaria de destacar que o governo vai ganhar com os títulos públicos pré-fixados. Mais de 30% dos títulos da dívida mobiliaria federal são pré-fixados.
Abraços,
Tito.

Anônimo disse...

Post Dez(10) Professor!!!

Contudo fica a deixa de que o brasileiro tem que começar a planejar melhor como utilizar a sua renda, pautando, principalmente, pela cultura da poupança, pois há ótimas oportunidades a disposição.
Marcos Paulo

Daniel Marchi disse...

Adolfo
E o que realmente desanima é que o governo poderia reduzir as pressões sobre a inflação por meio da redução de seu gasto, mas obviamente não faz isso. Contrariamente, cria essa bobagem de fundo soberano com parte das reservas estrangeiras e do "excedente" da arrecadação.

abç

poisze disse...

Caro Adolfo...
Evidência empírica de que o estouro da bolha brasileira está para acontecer é o vertiginoso crescimento do crédito no governo Lula e também já pode ser verificado o crescimento da inadimplência. Esses economistas...
Prefiro a economia da vovó na cozinha para poupar e comprar à vista.

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