terça-feira, 13 de maio de 2008

Mais um truque do governo federal

Nessa semana foram anunciadas uma série de reduções de impostos para estimular as exportações brasileiras. À primeira vista deveríamos aplaudir tal medida, afinal redução de impostos sempre soa como algo bom. Contudo, esse é mais um truque do governo federal com o objetivo de aumentar o tamanho do Estado e aumentar ainda mais sua intervenção na economia.

Notem que ao reduzir os impostos o governo federal não o fez de maneira similar para todos os setores. Nada disso, alguns setores foram ESCOLHIDOS para receberem tal benefício. Em termos práticos isso significa que o Estado AUMENTOU sua intervenção na economia. Ou seja, ao reduzir os impostos para determinados setores o governo aumenta a distorção na economia ao invés de reduzí-la. Isso acontece porque o Estado, com esta política industrial, acaba artificialmente aumentando a rentabilidade de setores menos eficientes. Com isso, recursos que antes estariam indo para os setores mais eficientes da economia passam a ser direcionados para os setores menos eficientes. Este tipo de política econômica beneficia algumas empresas, e os trabalhadores que nelas trabalham, mas prejudicam todo o resto da sociedade.

A idéia de se beneficiar alguns setores, ditos estratégicos, não é nova em economia. No Brasil, ela já foi tentada antes e gerou pérolas estatais como a Engesa (privatizada pelo valor de 1 dólar) ou então empresas privadas (como as de informática) tão ineficientes que só sobrevivem até hoje por causa do subsídio estatal (imposto de importação).

Entre realizar uma política industrial e cavar buracos, eu prefiro que o Estado cave buracos. Afinal, depois basta cobrí-los e está tudo certo. Já no caso da política industrial as coisas não são tão simples assim. Após incentivar o surgimento de uma indústria ineficiente (que não teria surgido sem o apoio estatal) não é tão fácil fechá-la. Surgem grupos de pressão, empresários se organizam para não perder o apoio do Estado, e os trabalhadores se mobilizam para eleger deputados que votam contra a competição externa. Dessa maneira, a ineficiência daquele setor originalmente estimulado pelo Estado nunca desaparece e toda a sociedade é obrigada a pagar por isso. Com o tempo, mais e mais recursos dos setores eficientes são drenados para os setores ineficientes (mas apoiados pelo Estado). O resultado disso é muito simples: uma economia ineficiente, uma sociedade pobre, e uma desigualdade de renda ENORME que foi criada NÃO pelo mercado, mas pelo Estado.

5 comentários:

Anônimo disse...

Adolfo,

A propósito do teu post muito lúcido, veio-me a idéia de explorar um tema relacionado ao poder de mercado dos sindicatos (paronais e de trabalhadores) e sua capacidade de distorcer preços relativos. Alguém conhece algum estudo sério relacionado ao tema?

Um abraço,

J. Coelho

Anônimo disse...

Concordo plenamente! Onde o Estado mete a pata, mela tudo. Ao escolher os "setores estratégicos", o Estado deturpa o funcionamento da economia, como você bem disse. Está, ademais, favorecendo algumas empresas, dentro daquele setor: aquelas capazes de exportar, normalmente as maiores. As pequenas terão mais dificuldades ainda. O Estado favorece as maiores empresas porque é mais fácil controlar alguns poucos elefantes do que milhares de andorinhas. E pode sempre ameaçar: se vocês não se comportarem, tiro seu benefício!

Fábio

Fábio Mayer disse...

Esse intervencionismo messiânico é típico da classe política brasileira.

Agora, o discurso é que vão salvar a industria e os exportadores nacionais, como se um sistema tributário decente e eficiente, menos burocracia e mais eficiência do Estado não resolvessem a questão sem esse jeitão de favor dado pela politicalha...

Anônimo disse...

ALÔ Adolfo, não podemos deixar de reconhecer que o Lula sabe das coisas, já que compara o seu plano aos dos militares _PNDs - PAEGs e tantas outras bobagens que muitos acham que é legal aumentar a taxa de poupança para 21% - picaretas que sempre obrigam o povo, povinho e povão a poupar. Os beneficiários obviamente estão andando de Porsche, iates e meio embriagados com vinhos que desconheço, mas invejo (apenas o vinho e talvez as mulheres deles). Claro, eu só posso definir tal coisa como roubo. Na ditadura, ninguém ousava traduzir tal politica nesses termos, até mesmo porque os economistas tupiniquins ainda fazem reverências aos patronos das picaretagens como o Mário Henrique SImonsen , Roberto Campos, Celos Furtado e cia.
um abraço
marco b

Badger disse...

Como bem explicado no livro de macroeconomia do Mankiw, medidas de política comercial como esta representam *SEMPRE* pura realocação de recursos entre setores. Não há *NENHUM* estímulo às exportações agregadas, dado que num mercado de câmbio livre o câmbio ajusta para compensar a redução do imposto. Ou seja, como bem colocou o Adolfo, a redução dos impostos favorecerá alguns setores exportadores às custas de outro. O correto seria elminar *TODOS* os impostos sobre o comércio internacional, pois é bem sabido que não passam de instrumentos de preferência política, para não dizer que estimulam o contrabando sem trazer benefício algum ao país.

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email