sexta-feira, 4 de julho de 2008

Pergunta Indiscreta

Por que as pessoas que são contra cotas para negros na Universidade são a favor de cotas para empresas nacionais? Afinal, os argumentos e a racionale para ambos é similar.

Como pode ser visto, a política de cotas no Brasil já é adotada há muito tempo. Temos cotas para empresas nacionais. Afinal, o imposto de importação é justamente isso: uma salvaguarda para empresas nacionais terem condições de competir com empresas estrangeiras.

Os negros não precisam de cotas, são tão inteligentes e aptos quanto qualquer outro ser humano. O mesmo argumento vale para as empresas nacionais, para que elas melhorem não é necessário cotas, elas precisam sim é de competição.

Uma última observação sobre cotas: da próxima vez que você for a alguma empresa pública tente encontrar um deficiente físico. Por lei os concursos públicos devem reservar 10% de suas vagas a deficientes. Assim, onde estão eles? Acredite em mim, eles estão lá. Só que você não é capaz de vê-los. Motivo: as pessoas que são aprovados nas vagas para deficientes dificilmente tem alguma deficiência que as identifique facilmente. São pessoas que dificilmente precisariam das cotas, mas são elas que se aproveitam delas. O deficiente com um grau elevado de deficiência dificilmente se beneficia dessa medida. Esse é o resultado prático de qualquer medida de cotas: beneficia os mais aptos dentre o grupo beneficiado, mas pouco faz pelos realmente necessitados.

2 comentários:

Fabricio disse...

Caro Adolfo,

complementando com o exemplo das cotas em Universidades para escolas públicas.
Ora, é certo que em cada estado existem pelo menos duas ou três escolas públicas de excelência.
Aqui no Rio tem os Colégios de Aplicação da UERJ e da UFRJ e o Pedro II, frequentados, em regra, pela mesma classe média (alta) que frequenta os bons colégios particulares.
Claro que o aluno que passa nas cotas não é o garoto do Grupo Escolar Getúlio Vargas de Piraporinha do Norte, como sonham os legisladores. Quem vai passar é o aluno do CAP da UERJ mesmo, que passaria de qualquer maneira, e agora pode estudar menos, ou talvez passasse para o segundo semestre e agora passa para o primeiro, e por aí vai.

Anônimo disse...

Eu já vi um deficiente num órgão público. Ele tinha um problema numa das mãos, e só conseguia usar a outra. Pois bem, os gênios administradores colocaram-no sozinho para trabalhar na recepção, onde precisava cadastrar ou verificar o cadastro do público que entrava no prédio, telefonar para o setor que o público procurava para autorizar a entrada etc, tudo lentamente usando apenas uma mão!. Resultado: fila e demora na recepção do prédio!

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