quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Entrevista com o Embaixador José Osvaldo de Meira Penna

Embaixador, professor universitário, escritor, e defensor do liberalismo. O Embaixador Meira Penna é um dos grandes expoentes do liberalismo no Brasil. Abaixo, segue a entrevista com o Embaixador que também mantém um site na internet.

1) O que aconteceu com os Institutos Liberais brasileiros?
R) Os ILs vivem de contribuições de empresários e de outras pessoas com dinheiro que defendem os ideais liberais. Com o colapso da URSS, o evidente insucesso da “Cuba Libre” do coma-andante Fidel e a re-eleição do Lulinha Paz-e-Amor que se revelou menos perigoso do que se pensava e “aderiu” ao ambiente político generalizado de tolerância com a corrupção e o desgoverno, os empresários ficaram menos entusiasmados em contribuir para nossa NGO... Ainda sobrevivem, precariamente, o Instituto Liberal, do Rio de Janeiro, e o Instituto Liberdade e Instituto de Estudos Empresariais de Porto Alegre.

2) Por que os partidos políticos brasileiros são tão avessos às idéias liberais?
R) A tradição brasileira de autoritarismo e corporativismo. Os partidos dependem do apoio popular. Logo, se o povo elege corruptos e idiotas, a culpa desse mesmo Zé Povinho... Temos que nos resignar à natural incompetência da maioria de nossos eleitores. O defeito é de ordem cultural e histórico.

3) Qual a origem do sentimento anti-americano no Brasil?
4) Qual é o maior obstáculo a ser superado pelo liberalismo no Brasil?

R3 e R4) Vide minha opinião com a leitura dos livros publicados cuja lista se encontra no site abaixo mencionado. O último deles POLEMOS, Editora da Universidade de Brasília, 2006. Nele consta igualmente as opiniões sobre minha obra de Mário Vargas Llosa e do falecido embaixador Roberto Campos. O sentimento anti-americano é um capítulo especial de um deles – capítulo 23 de EM BERÇO ESPLENDIDO em que analiso os “Bodes Expiatórios” e as “Projeções de Sombra”.
Temos sentimentos ambivalentes sobre os USA. É nosso maior importador, nosso maior exportador, em suma nosso maior mercado e o modelo que adotamos quando, com a proclamação da República, escolhemos o nome “Estados Unidos do Brasil”. Os primeiros republicanos, de 1889, foram francamente pro-USA. E, até hoje, é para a América do Norte que mandamos o maior número de concidadãos que procuram “vida melhor”. É igualmente da América do Norte que importamos nossos principais “modelos” ou estilos de vida...
O maior obstáculo a ser superado pelo Liberalismo no Brasil, portanto, o Patrimonialismo. Essa expressão tirada da obra do grande sociólogo alemão Max Weber, a leitura de cuja obra é aconselhável. É um sistema de governo no qual a “Coisa Pública” se torna propriedade privada dos políticos e dos burocratas, um patrimônio da “Nova Classe”...

5) Qual sua opinião sobre a ONU?
R) Minha opinião sobre a ONU é positiva. Com todos seus defeitos, a Organização, é ainda a única que existe num mundo dividido por mais de 200 nações que se querem “soberanas” mas a maior parte das quais é “sub-desenvolvida”... Temos que levar em consideração que a ONU não existe como entidade e vontade própria. Ela depende de um Conselho de Segurança onde cinco de seus membros devem estar de acordo, sem o que funciona o chamado “veto”. Podem “vetar” qualquer Resolução os USA, a Rússia, a França, a Grã-Bretanha e a China, quando um deles não está de acordo. A Assembléia Geral pode apenas fazer “recomendações”... O Secretário Geral não é um Presidente de qualquer coisa. É apenas, como o nome indica, um mero “Secretário”...

6) Quem foi o liberal mais influente no Brasil? Qual foi sua importância?
R) A resposta é difícil. Talvez tenha sido o patriarca de nossa Independência, José Bonifácio o qual, nas limitações da época, foi influenciado pelo pensamento liberal europeu e americano. Durante o Império de Pedro II tivemos um regime quase liberal, salvo que funcionava junto com a Escravidão africana.
Vide meu livro EM BERÇO ESPLENDIDO. Entre os principais estadistas brasileiros como Getúlio Vargas e os militares de 1964, especialmente Castello Branco e Médici, só mesmo o primeiro, Castello Branco, com seu Ministro Roberto Campos, pode ser considerado um “liberal”. O outro que tentou faze-lo, Fernando Collor, é um grandíssimo boboca. Nunca obteve o apoio de um só Partido no Congresso.

7) Qual sua opinião sobre a Universidade de Brasília?
R) Sobre a UnB a resposta é ainda mais difícil. Fui durante sete anos professor da mesma até que a indisciplina e má educação de grande parte dos alunos, todos eles se locupletando com uma educação superior GRATUITA, acabaram me irritando. Afinal de contas, como diplomata de carreira e aposentado com o título de Embaixador, não preciso do salário dessa Universidade. Entretanto, também acredito que deve ser a melhor de Brasília, para o ensino superior.

2 comentários:

vítor moreira disse...

apesar de ter idéias muito respeitaveis sobre vários aspéctos. Creio que não se deva generalizar da forma como foi feito na última resposta... Não é por causa de "maus anos" ou até mesmo semestres que o embaixador teve como professor de alguns alunos( diga-se de passagem que os alunos são mutáveis) que ele deva dizer que a UnB é dotada de indisciplina e má educação de grande parte dos alunos.

Eduardo disse...

Professor, se me permite, gostaria de incluir na lista dos grandes liberais brasileiros o grande escritor, advogado e jurista da diplomacia, Rui Barbosa. Apesar de ser um admirador da cultura francesa, conhecia profundamente o pensamento político anglo-americano e através de sua intervenção influenciou muito a nossa primeira constituição republicana. Figura ilustre de nossa história foi sem dúvida um grande defensor das liberdades.

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