segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Você é a Favor das Privatizações?

Privatizar significa vender a propriedade, ou o direito de uso, de um bem do Estado para o setor privado. Por exemplo, até 1990 a TELEBRAS (que era uma empresa estatal) cuidava do setor de telecomunicações no Brasil. Com a privatização do sistema TELEBRAS novas companhias telefônicas se instalaram no nosso país.

Uma parte importante do processo de privatização refere-se ao direito de vender. Isto é, você só é realmente dono de um bem se for capaz de vendê-lo. Por exemplo, por mais que se repita que a Petrobras é do Brasil isto não é verdade. Afinal, se a Petrobras fosse do Brasil ela seria dos brasileiros, e se fosse dos brasileiros seria minha também. Mas se a Petrobras também é minha, então eu quero vender minha parte. Dado que vender minha parte da Petrobras não é possível, então ela também não é minha e nem dos brasileiros. Se você não pode vender um bem então ele não é seu. Defender a privatização significa defender o direito de compra e venda.

Vamos a outro exemplo: a floresta amazônica. Diz-se que a floresta amazônica pertence aos brasileiros. Isto é falso, pois se ela me pertence quero vender minha parte. Como isso não é possível, a verdade é que a floresta brasileira pertence ao Estado brasileiro, e não ao povo brasileiro. Essa não é uma diferença pequena. Pertencendo ao Estado, a floresta amazônica cai numa categoria conhecida como recurso comum. Um recurso comum é um tipo de bem que é não-excluível (não se pode evitar que as pessoas usem), mas é rival (quando uma pessoa o usa, isso afeta significativamente a possibilidade de outra pessoa usá-lo). Em palavras isso significa que a taxa de exploração da amazônia é muito maior do que a desejável para a sociedade.

Quer salvar a floresta amazônica? A solução é simples: devemos transformá-la num bem privado. Isto mesmo, para salvar a floresta amazônica devemos privatizá-la. Quer saber qual é a melhor parte? Não importa para quem você dê ou venda a floresta, tão logo os direitos de propriedade sobre a floresta estejam estabelecidos, o próprio mercado se encarregará de salvá-la (isto é, desde que as pessoas realmente queiram salvar a floresta). Para salvarmos a floresta amazônica, devemos permitir que a mesma seja vendida.

9 comentários:

Joao Melo disse...

Adolfo, de acordo com o seu comentário. Nunca fui com esta estória tipo "o petróleo é nosso". Nem na época de Getúlio funcionava. Nosso é o que é nosso. Você bem analisou. Desde que li e analisei o texto original do John Williamson dos dez tópicos que são recomendáveis para a "saúde" de uma boa economia, sou favorável a privatização.
Abraço,
João Melo

Nilo disse...

Essa sempre foi minha opinião!! Finalmente alguém concorda comigo!

William dos Reis disse...

Poxa Adolfo, você foi excepcional no seu comentário até antes do último parágrafo.
Vender a Amazônia?!
Isso não trás a certeza de que ela será preservada. Muito pelo contrário. Como você bem disse, uma pessoa que possua essa propriedade, tem direitos de compra e venda dos bens que nela possuir. Você acha mesmo que alguém iria comprar a Amazônia simplesmente para prezervá-la? Acho que não meu amigo!
Ele, como todo bom capitalista, vai querer ter lucro nessa operação. E isso significa mais desmatamentos pra venda de madeira, mais queimadas para abertura de campos pra atividades de agricultura e pastagem, mais perdas da fauna e da flora. Enfim, acho que a solução não é privatizá-la, e sim FISCALIZÁ-LA.
Abraço.
William dos Reis

Fábio Mayer disse...

Sou favorável às privatizações.

Mas não à da Amazônia,porque ela envolve fatores muito além dos econômicos, há questões de soberania que devem ser pesadas.

E eu penso que para salvá-la nãoé necessário privatizar. Para salvá-la, é necessário o Estado efetivamente fiscalizar, prender, julgar e desapropriar os bens de quem a devasta, coisa que o Brasil não faz, porque nossas instituições são no mínimo preguiçosas...

Anônimo disse...

Por mim pode ser até mesmo ocupada pelos gringos. Que diferencia faria? Alguém poderia fazer pior do que nos mesmos estamos fazendo? Se alguém quiser preservá-la vai contar com o meu apoio. Eu que nunca gostei de ONG, até ajudaria uma que quisesse comprá-la para preservá-la. Mas gostaria mesmo é de ver a boa rebeldia tupiniquim lutando para fazer daquele espaço um santuário. Quanto a privatização, pelo menos aqui no Brasil é piada, já que os órgãos reguladores só regulam para a bandidagem e seus diretores são petistas de ontem, de hoje e de sempre.

Anônimo disse...

Fábio Mayer,

O argumento do Adolfo é bem simples: se os custos de explorar a Amazônia forem internalizados, a Amazônia será preservada. Não interessa quem a explore. Pode até ser o estado (prefiro escrever "estado" em vem de "Estado"). O problema é a ação do estado não considera as externalidades da exploração. Até porque aos amigos do Estado tudo é permitido, não é mesmo? A isso convencionou-se chamar "tragédia dos comuns". Portanto, a privatização da Amazônia não parece ser um mau negócio.

Anônimo disse...

Sinceramente, como diz meu caro amigo Nilo, vamos por tudo a leilão.

Kátia Velásquez

Anônimo disse...

Adolfo, vc esta explorando um ponto semantico apenas (so e meu se eu posso vender). A afirmacao de que a "amazonia e do povo" esta baseada no principio do contrato social. A questao e se vc discorda da necessidade do contrato social em si.

Anônimo disse...

sem contar que com a privatização as empresas estatais passam a ser definitivamente dos brasileiros, uma vez que com a lei que proíbe empresas estrangeiras controlarem o capital votante das empresas brasileiras, acaba que os brasileiros compram as ações destas empresas que foram privatizadas e passam a ser propriamente donos da empresa, ou seja, a empresa passa a ser dos brasileiros literalmente.

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