sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Entrevista com Alexandre Schwartsman

Alexandre Schwartsman é um dos maiores especialistas brasileiros em mercados financeiros, foi diretor do Banco Central do Brasil, e mantém um excelente blog na internet chamado A Mão Visível.

1) Você aceita o argumento "Muito grande para quebrar"? Ou seja, dependendo do tamanho da empresa o governo deve evitar que ela vá à falência?


Não é tanto dependendo do tamanho, mas sim do impacto que a empresa terá sobre o resto da economia. É, em última análise, um problema da capacidade de auto-comprometimento do governo.



Caso a quebra da empresa em questão possa ter repercussões que vão muito além da empresa e do setor, mas que possam, de alguma forma, afetar de forma negativa a economia como um todo, é óbvio que qualquer governo vai fazer o que for necessário para evitar este impacto, com base na mera comparação do custo do socorro com o custo da falência (imagino que só salva aquela empresa cujo impacto sistêmico seja bem maior que o custo de salvamento em si). Não se trata de uma questão ideológica, mas pragmática: como você pode escolher a opção que mais o prejudica?



Aí é que entra a questão da inconsistência temporal: é, na prática, impossível se comprometer com o não-salvamento. Isto, porém, gera, como sabemos, incentivos errados no que se refere à empresa. Sabedora de sua importância para o sistema, ela pode adotar um comportamento arriscado, já que nos bons estados da natureza se apropria privadamente dos ganhos, enquanto nos maus estados, socializa as perdas.



Em tais casos, não me parece haver alternativa que não passe pela regulação (em tese, é verdade, seria possível pensar num esquema de incentivos – por exemplo, o CEO da empresas será castrado sem anestesia se o governo precisar resgatá-la – mas a montagem seria provavelmente mais complicada que a regulação; pior, pode não funcionar, pois, mesmo no caso da Bear, os funcionários eram acionistas).



2) Se você tivesse que optar pelo sistema de ajuda ao setor financeiro, você optaria por uma ajuda nos moldes propostos pelo Tesouro Americano ou pelo Governo Inglês? Por que?



O inglês. Aliás, mesmo os americanos escolheram o modelo inglês. Embora tenha a desvantagem óbvia de “nacionalizar”, ao menos parcialmente, os bancos, a forma como foi feita, com ações preferenciais, sem pretensão (pelo menos por ora) ao controle, evita o pior da nacionalização. Ao mesmo tempo ataca frontalmente a questão da insolvência ao recuperar a base de capital dos bancos.



Concretamente, $ 100 a mais gastos na forma de capital, são $ 100 a mais de capital nos bancos. $ 100 a mais gastos na aquisição de ativos só serão $ 100 a mais de capital se o efeito desta aquisição sobre o preço dos ativos for de tal ordem de magnitude que gere o mesmo capital. No conjunto da obra, mesmo $ 750 bilhões parecem pouco para recuperar suficientemente o preço do lixo tóxico. Pode-se argumentar (parece ser o ponto da proposta original) que um grande comprador impediria a espiral de queda de preços de ativos e o mercado cairia em si. Pode ser até verdade, mas o risco é bem maior e, cá entre nós, chega de tomar risco.



3) O Banco Central brasileiro está agindo de maneira correta nessa crise ou você faria algo diferente? Mais especificamente, você concorda que o Banco Central deva realizar operações de swap cambial?



Você faz a pergunta a um ex-diretor que participou da decisão de fazer o swap reverso. Por simetria tenho que concordar com a operação de swap cambial, mesmo porque a racional por trás da decisão sobre os reversos era (e sempre foi) dar munição ao BC caso precisasse intervir no mercado de futuros (em oposição ao dólar pronto).



Isto dito, há uns pontos a serem qualificados. Tanto a swap normal como o reverso representam intervenção esterilizada e, como tal, devem ter pouco (se algum efeito) sobre a taxa de câmbio, pelo menos diretamente. São, assim como a aquisição de dólar pronto, medidas de caráter prudencial, eficazes em momentos como os que vivemos hoje, em que a elevada alavancagem, distorce fortemente a dinâmica de preços. Especificamente, nestas situações a queda do valor do real (aumento do dólar) força os comprados em real (vendidos em dólar) a vender ainda mais reais (comprar ainda mais dólares), fenômeno que compromete a estabilidade. Neste caso o BC pode ajudar a estabilizar o mercado.



Se usado, porém, como instrumento para (supostamente) baixar a taxa de câmbio, será um fiasco retumbante. Só com intervenção não-esterilizada é que a autoridade monetária pode ter alguma esperança de afetar o câmbio nominal.



4) Os bancos pequenos brasileiros estão realmente com problemas de liquidez? Eles deveriam receber alguma ajuda extra do Banco Central? Eles cometeram algum erro de estratégia?



Aparentemente sim. E uma das funções do BC (aliás, BCs surgiram principalmente para isto) é mesmo prover ajuda de liquidez (contra bom colateral, etc, etc – o modelo de Diamond, em outras palavras). Quanto ao “erro de estratégia”, eu não qualificaria como “erro”, mas como quase a característica definidora do banco pequeno: ele não tem acesso a uma base de depósitos de varejo, precisamente porque é pequeno. Aí se torna mais dependente do mercado de atacado (por outro lado não paga o custo fixo de rede de agências e quadro de funcionários, o que dá melhor capacidade de se ajustar). No caso, o trade-off ficou bastante pior.



5) Algumas empresas brasileiras fizeram operações financeiras estranhas. Tais operações resultaram em grandes prejuízos. Em sua opinião isso foi má sorte ou barbeiragem pura dos administradores?



Barbeiragem. Não entenderam a operação, não souberam apreçar o instrumento, não tinham noção clara dos payoffs negativos.



6) Essa crise terá efeitos severos na economia brasileira?



Sim, ainda que comparativamente reduzidos, tanto no que se refere às outras economias emergentes, quanto no que se refere ao que seria o efeito no Brasil de alguns anos atrás. Os ativos em moeda estrangeira (contrapartida da intervenção esterilizada) ajudam a reduzir a dívida pública num quadro desfavorável, fenômeno que limita os efeitos negativos da crise.



Isto dito, a redução do ritmo de crescimento do comércio mundial (portanto do quantum exportados) e a deterioração dos termos de troca implicam menor capacidade de importar. Em resposta a isto a demanda doméstica terá que crescer ainda mais devagar do que já se esperava para conter a inflação. O crescimento do produto deve cair de mais de 5% em 2008 para cerca de 2,5% em 2009. Dado o carregamento estatístico do crescimento deste ano para o seguinte (algo como 2%), falamos de crescimento marginal muito baixo em 2009.

8 comentários:

Anônimo disse...

“Não é tanto dependendo do tamanho, mas sim do impacto que a empresa terá sobre o resto da economia.”

Pois é. Depende das variáveis. Isso nos remete para a Física sideral. O rombo que o meteoro vai causar depende do tamanho, do peso, da distância e da velocidade. Os burocratas no poder certamente sabem a exata participação da empresa no PIB. Estou acreditando. É preciso ver com quanto ela participou na campanha das últimas eleições. Dará uma boa medida do impacto.

Empresas assemelham-se às pessoas. Aliás, são pessoas jurídicas. Nascem, crescem; se adoecem, tomam remédios, curam; se os remédios não curam, morrem. Por que não? Umas já estão vindo e outras virão. Cansei.

Mguedes disse...

Admitamos que o consumo mundial se reduzirá. Claro, USA querem conter China, outros tigres e emergentes.

Só que produção é como veículo em movimento, o processo de produção é complexo, por isso não pode ser freado instantaneamente. Digamos que o consumo está para a produção como uma Ferrari está para um trem de carga.

Será que a resposta não seria exatamente o contrário, ou seja, a demanda doméstica tenderá a maior crescimento, exatamente porque, com excesso de oferta, os preços dos produtos exportáveis tenderão a cair. Estarei errado?

Anônimo disse...

Alo Adolfo, minhas considerações sobre a entrevista diz respeito a questão sobre os swaps cambiais que, para facilidade de exposição das minhas idéias, reproduzo novamente aqui.

3) O Banco Central brasileiro está agindo de maneira correta nessa crise ou você faria algo diferente? Mais especificamente, você concorda que o Banco Central deva realizar operações de swap cambial?

Você faz a pergunta a um ex-diretor que participou da decisão de fazer o swap reverso. Por simetria tenho que concordar com a operação de swap cambial, mesmo porque a racional por trás da decisão sobre os reversos era (e sempre foi) dar munição ao BC caso precisasse intervir no mercado de futuros (em oposição ao dólar pronto).

Isto dito, há uns pontos a serem qualificados. Tanto a swap normal como o reverso representam intervenção esterilizada e, como tal, devem ter pouco (se algum efeito) sobre a taxa de câmbio, pelo menos diretamente. São, assim como a aquisição de dólar pronto, medidas de caráter prudencial, eficazes em momentos como os que vivemos hoje, em que a elevada alavancagem, distorce fortemente a dinâmica de preços. Especificamente, nestas situações a queda do valor do real (aumento do dólar) força os comprados em real (vendidos em dólar) a vender ainda mais reais (comprar ainda mais dólares), fenômeno que compromete a estabilidade. Neste caso o BC pode ajudar a estabilizar o mercado.

Se usado, porém, como instrumento para (supostamente) baixar a taxa de câmbio, será um fiasco retumbante. Só com intervenção não-esterilizada é que a autoridade monetária pode ter alguma esperança de afetar o câmbio nominal.
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Vou me ater a questão acima que considero básica: swaps cambiais patrocinados pelo Banco Central do Brasil. De cara, faço reparo à pergunta do Adolfo: eu teria enfatizado os prejuízos recorrentes gerados por esse tipo de operação de swap cambial. Isso é que ao final das contas importa! Em cada ano o prejuízo é cerca de 40 bilhões e, por simetria, estimo que os prejuízos acumulados desde o início da implementação dessa medida derivativa fique em torno de 300 bilhões. Mas vamos aos pontos específicos.

Segundo Alexandre Schwartsman destaca, “a racionalidade por trás da decisão sobre reversos era dar munição ao BC caso precisasse intervir no mercado de futuros.” Ora, qual a razão para intervir no mercado de futuros? Esse mercado, feito em tese pelos agentes privados, é que vai ditar as expectativas dos agentes, dando uma referência para posições de hedges. Como o Alexandre Schwartsman não justificou a necessidade para intervenção no mercado de futuros, aceito logicamente qualquer explicação, inclusive a de uso e abuso de “informação privilegiada” que deu errada e precisa ser reparada. Tem gente perdendo que precisa se reposicionar. O hedge que o BACEN faz está chegando tarde: depois que a vaca foi pro brejo. Esses perdedores são os especuladores, pois os que fazem hedge não poderiam perder, por definição. O Alexandre Schwartsman não fala das implicações para quem está no mercado futuro na outra ponta e que estaria sendo prejudicado pela operação em questão. Como ninguém reclama, estimo que a operação com ou sem reverso deva atender a todos no mercado de futuros. Em segundo lugar, o que significa dar munição ao Banco Central? Economizar dólares? Se for, o que significa economizar dólares? Dólar barato? O que significa dólar barato? Se o dólar cai, o estoque de riqueza em dólar do BACEN cai! Sabem os economistas do BACEN qual o dólar de equilíbrio? Se sabem, avisem a academia! Estimo ainda que essa coisa de intervir no mercado futuro não conste das atribuições usuais de um banco central. Com câmbio flutuante, o banco central não pode ter a pretensão de fixar o câmbio e só um desavisado é que poderia temer a disparada ou a queda em parafuso do dólar. A do real podemos estimar. Basta olhar para os agregados monetários, embora haja dúvida sobre o melhor agregado monetário. Nessa crise presente, naturalmente, bastaria o BACEN computar quantas linhas de créditos amparadas em empréstimos externos estão sendo desfeitas, efetivando a troca do dólar por real a fim de retroalimentar, pelo redesconto, os bancos que perderam suas linhas de crédito. Diga-se de passagem que muitos bancos usaram e abusaram de captações externas que vencerão no médio e longo prazos. Além do mais, cabe a pergunta: por que os bancos captaram excessivamente linhas de créditos externas, se é que o fizeram? Se empresas também captaram em dólar sem fazer o hedge, sinceramente, pergunto: Para que mesmo servem os bancos e o banco central?

Prossegue o Alexandre Schwartsman afirmando que a modalidade de swap normal ou reverso representam intervenção esterilizada, medidas de caráter prudencial, eficazes em momentos como os de hoje em que a elevada alavancagem distorce fortemente a dinâmica dos preços. Especificamente , prossegue ele, nessas situações força os comprados em real a vender ainda mais reais, comprometendo a estabilidade. Neste caso, conclui, o BACEN pode estabilizar o mercado. Vejo nessa argumentação uma cadeia de equívocos. Primeiro, o significado de esterilização. Não vejo como se possa falar em esterilização se o BACEN simplesmente faz uma aposta e perde sistematicamente. Precisaríamos da contabilidade da operação explicitada para a sociedade, para conferir a possível esterilização, lembrando que os resultados do banco central, anunciados pela imprensa, parecem sugerir que tais operações não trazem efeitos benéficos para o tesouro, no final das contas. Em segundo lugar, temos o velho enigma do bode na sala. Se especificamente o problema é alavancagem, acabem com essa alavancagem excessiva. Eu sempre defendi a proposta de 100% Money para o sistema bancário. Se são as empresas que estão alavancadas, estão especulando. Quero dizer com isso que a solução desse problema de alavancagem excessiva existe e é tecnicamente trivial, além de termos outras tantas possibilidades para conter essa alavancagem excessiva ou não. Em terceiro lugar, toma ele as conseqüências da dinâmica do preço no mercado derivativo como se todos especulassem, mesmo com o pretexto de oferecer mais um instrumento de hedge. Será que o mercado precisa dos gênios financistas do tesouro e do Banco Central para gerar instrumentos de Hedge? Acredito que não e o especulador que se arranje no mercado. Aceitaria em tese a defesa dos que fazem hedge. Mas se fazem hedge, não há o que defender pois assim não haveria hedge e sim especulação, intencional ou não, no pressuposto que existem instrumentos o bastante suficiente no mercado financeiro. A conclusão de que o BC ajuda a estabilizar o mercado é de pouca utilidade, já que no contexto de câmbio flutuante essa afirmação tem pouco sentido. Poder-se-ia falar na volatilidade cambial. Mas em tempos de crises, não seria alta mesma? Portanto, a intervenção do BACEN nessa modalidade de derivativo só se justificaria para atender especuladores. O que neste contexto seria de fato um absurdo jurídico, econômico e ético.

Na argumentação do efeito do swap cambial, há de se destacar o que diz os livros de microeconomia e de finanças: mesmo com a possibilidade de um efetivo mecanismo que gere hedge (chegando tarde ao mercado financeiro, obviamente! ) contra a alta do dólar e, com isso reduziria a necessidade dos agentes privados em comprar dólares à vista , reduzindo a pressão de alta. Por outro lado, há efeito diametralmente oposto, o de contribuir para a alta. Como há a quebra no equilíbrio entre as posições compradas e vendidas entre os participantes da iniciativa privada, passa a haver o risco moral dos agentes privados manipularem a taxa de câmbio para cima (que é negociado em mercado de balcão), no sentido em que lhes gerará lucro. De fato, se o Banco Central afirma que tal política é para economizar dólares, o público fica sabendo de antemão que o Banco Central não irá usar seus dólares que seria a única forma de evitar, pela sua venda direta ao mercado, uma efetiva subida do dólar, abrindo espaço para a especulação contra a queda do dólar, o que , em última instância, é o que o Banco Central gostaria de evitar. Em outras palavras:a proposta não é crível ou mesmo consistente. Isso indicaria que o Banco Cental não poderia fazer tal operação. Se faz, então .... O que parece, dadas as hipóteses de boa vontade e boa intenção dos agentes públicos, ser este último efeito especulativo que tem prevalecido, visto os prejuízos escandalosos que o BACEN jogou para o Tesouro.

Ressalto que do ponto de vista lógico e legal, o Banco Central só poderia falar em câmbio estável se tivesse um modelo para determinação do câmbio o que seria uma piada,principalmente em situação de crise. O questionamento óbvio que faço é o seguinte: cadê o modelo que determina o câmbio de equilíbrio? Muitos economistas não entendem que o câmbio é simplesmente preço. Para piorar as coisas, um preço que envolve milhões de outros preços e tudo aquilo que sabemos que é importante para a determinação da trajetória dos preços. Por isso que é piada maior ainda falarmos de câmbio fixo que nada mais é do que um controle de preços ad hoc. Se tem uma coisa que todos elogiam no governo Lula é exatamente o câmbio flutuante – deixa sem ação os burocratas e assim temos certeza que não estamos sendo lesados.

Por fim, ressalto o seguinte. Sabemos, pelos jornais, que recentemente cerca de 200 empresas fizeram apostas contra a subida do dólar e perderam. E estamos vendo as operações de swaps aparecerem novamente, sem falar na escandalosa segmentação de reservas para o setor exportador. Poderíamos indagar: não seria o swap uma forma de compensar as perdas? Não poderia estar ocorrendo o mesmo problema que aconteceu com o Cacciola que está atrás das grades?

Faço essa observação porque não posso aceitar a explicação para a questão abaixo, além de não ver a adequabilidade dessas operações, dada pelo Alexandre Schwartsman.

5) Algumas empresas brasileiras fizeram operações financeiras estranhas. Tais operações resultaram em grandes prejuízos. Em sua opinião isso foi má sorte ou barbeiragem pura dos administradores?


Barbeiragem. Não entenderam a operação, não souberam apreçar o instrumento, não tinham noção clara dos payoffs negativos.

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Se é barbeiragem, só temos incompetentes na administração das grandes firmas nacionais. Pior. Não foram demitidos! É claro que há a possibilidade de uso de “informações privilegiadas” que não só levaram os especuladores ao inferno zodiacal ( especular contra o câmbio é uma aposta maluca como está a demonstrar a crise). Não podemos e nem devemos fazer alegações levianas. Mas podemos duvidar. Eu lanço a semente da dúvida, até porque não está justificada a necessidade de swap cambial que só prejuízo traz ao tesouro (nem mais ao banco central é).

Em resumo, as operações de swaps “esterilizadas” deveriam ter seus custos explicitados ao longo do tempo em que foram implementadas para que a sociedade possa entender se há “barbeiragem” do Banco Central e em quanto está a brincadeira derivativa. É claro, se a contabilidade dos swaps “esterilizados” se mostra relevante, o que dirá da contabilidade das operações de swaps não-esterilizadas. Diga-se de passagem, qual a diferença entre os financistas de Wall Street que levaram essa crise fenomenal dos financistas do BACEN que não contam com os ganhos espetaculares que aqueles desfrutaram? Ou será que contam?

Por último, perguntaria: que fim deram ao processo que corria no TCU em relação aos swaps cambiais patrocinados pelo Banco Central do Brasil? Quais foram os questionamentos que se esvaíram ? Dada a desordem jurídica presente, passada e temo futura, acho que foi o cala a boca!


Um abraço, Marco Bittencourt

Joao Melo disse...

Professor Adolfo, conto com a sua experiência para uma boa resposta ao texto do GASPARI neste domingo. Se possível, vide o que escrevi no meu blog.
Viva o livre mercado. Sempre.
Abraço,
João Melo, direto da selva.

Anônimo disse...

Desconheço o termo swap cambial esterilizado. Se for não colocar dólares no momento da operação, qual a importância disso? Se perder não vai colocar recursos nas mãos dos apostadores que poderiam ser transformados em dólares? O Banco Central alemão faz tal coisa? Num país com leis fracas, tudo vale e nada vale e assim a arbitrariedade é a regra com a consequencia de que sempre estamos mais pobres. De qualquer forma, parabenizo o entrevistado por nos dar informações que demonstram a racionalidade dos homens que ocupam o poder no banco central. Fiquei sabendo que tudo é questionável. Se, como diz o Marco, os prejuízos são a regra, entendo que uma CPI seria importante para levantar a barbeiragem do banco central.
at
celso

Anônimo disse...

relendo meu livro de introdução á economia do Mankiw encontrei o óbvio: poder de mercado é uma das falhas de mercado. Empresa ineficiente o mercado elimina. Qual não foi a minha surpresa: o economista entrevistado quer apoiar empresa grande e ineficiente. Se querem esculhambar o capitalismo, que venha logo a estatização. Imagino o que o Mankiw diria sobre essa entrevista. Eu, como aluno de economia, tenho certeza seria reprovado e acredito até pelo entrevistado.
pedro bonfim

marco bittencourt disse...

Como o Adolfo está trazendo economistas que participaram das decisões de política econômica, o debate deveria prosseguir de forma ampla, trazendo visões que mesmo equivocadas para muitos trarão luz para o túnel escuro da economia brasileira. Assim, estimo que muitos economistas possam expor suas idéias, tal qual o entrevistado que tem suas opiniões peculiares. Isso tornará o debate mais dinâmico e mais interessante. Faço a minha parte.

1) Você aceita o argumento "Muito grande para quebrar"? Ou seja, dependendo do tamanho da empresa o governo deve evitar que ela vá à falência?

Minha opinião: Não. De fato, pela boa teoria econômica, não podemos aceitar que empresas tenham dimensões exageradas e nem aceitar que empresas ineficientes não venham a falir. Lembrando: liberal combate o poder econômico e jamais o reforçam e pugnam pela morte dos ineficientes. O mercado competitivo é o paraíso intelectual dos economistas. É para lá que queremos que a economia caminhe. Se temos falhas de mercados, devemos atacá-las e não cortejá-las. A incompreensão dessa máxima é que consubstanciou o planejamento brasileiro, introduzido pelos militares golpistas de 1964 e perdura até hoje. Veja o esquema cartelizado da Petrobrás.

2) Se você tivesse que optar pelo sistema de ajuda ao setor financeiro, você optaria por uma ajuda nos moldes propostos pelo Tesouro Americano ou pelo Governo Inglês? Por quê?

Minha opinião: Deixaria falir e distribuiria os ativos entre os credores, consoante as boas leis de falência. Estamos vendo pela crise presente que é necessário a regulação do sistema financeiro. De qualquer sorte, o sistema bancário de uma forma geral deveria voltar a ser simples e os derivativos só poderiam ser usados para hedge. Quem especula, tem que ter o carimbo de apostador e façam esses especuladores o que quiserem, mas dentro da lei e com seu dinheiro, não com o da empresa que não pode especular.

3) O Banco Central brasileiro está agindo de maneira correta nessa crise ou você faria algo diferente? Mais especificamente, você concorda que o Banco Central deva realizar operações de swap cambial?

Minha opinião: Acredito que em parte está fazendo o dever de casa de um banco central ao se posicionar como banco de última instância. Mas estão aparecendo uma série de operações esquisitas, como a segmentação das divisas para os exportadores que ninguém sabe direito quem são e muito menos qual a taxa que está sendo empregada nessas operações. Outra operação estranha são os swaps cambiais que comentei longamente em comentário anterior acima. Essas operações merecem mesmo é uma ampla investigação ou uma CPI. Os efeitos imediatos da crise seriam, como se viu, o aumento da taxa de câmbio e o aumento nas taxas de juros praticadas pelos bancos, uma vez que está havendo perda de linha de crédito oriunda do exterior por precaucão; linhas de créditos essas que poderiam ser substituídas pelo banco central, através do redesconto e alívio no compulsório. De fato, o Banco Central está agindo nessa direção. Mas como estamos vendo, os bancos não querem emprestar seus recursos, pois sabem que existe uma moeda podre rodando por aí e ninguém sabe com quem está o mico. Se todos colocam seus recursos em ativos do governo, o que fazer? No caso do Brasil temos os bancos federais e estaduais que devem estar exultantes com tantos negócios a vista. O problema é que os tubarões quase nunca pagam suas dívidas com as instituições públicas e as taxas salgadas aquelas instituições públicas só reservam para o cliente de alto risco (nós). Além disso, não vejo problemas em trocar dólares do BACEN por reais para atender os bancos por falta, se houver, de liquidez. Quanto aos especuladores, nada a fazer. Deixaria o câmbio flutuar, pois só o aumento do câmbio é que desmotivaria a saída em bando. Nesse quesito cambial, não podemos deixar de registrar a importância do câmbio flutuante. Ele, o câmbio flutuante, apesar de toda a sujeira, fará o dever de casa no lado externo e passada a tempestade convergirá para seu valor de equilíbrio que ninguém pode determinar ou influenciar. Assim, o banco central deveria estabelecer um limite para troca de reservas por reais e estabelecer uma estratégia para tal desova de dólares, informando ao mercado sua decisão e estratégia, tendo como referência apenas a necessidade de recursos para o redesconto e não o câmbio em si mesmo, caso se confirme a crise de liquidez que anunciam por aí, suspendendo todas essas outras operações que parecem estar apenas colocando os prejuízos da farra dos especuladores na conta povo brasileiro. Como os bancos e empresas deverão ter problemas com suas linhas de crédito, seria natural que a taxa de juros no interbancário aumentasse. Mas isso não implica em aumento da Selic. Como não se pode combater ao mesmo tempo a inflação e a crise, fiquemos na crise que é mais importante. Além do mais, se a moeda for falsa mesmo, melhor para o banco central. Por isso, não se deve mexer na selic. O momento é de crise e não de colocar mais lenha na fogueira. Para uma ajuda colateral, deveríamos estancar os aumentos de tarifas dos serviços essenciais que são indexadas.

4) Os bancos pequenos brasileiros estão realmente com problemas de liquidez? Eles deveriam receber alguma ajuda extra do Banco Central? Eles cometeram algum erro de estratégia?

Minha opinião: Bancos pequenos ou não estão sujeitos às normas do Banco Central. Logo, se houve falhas no Brasil deve ser por conta dos bancos e não por conta do banco central, uma vez que as normas se aplicam a todos os bancos e não vimos os chamados os grandes bancos brasileiros quebrarem; a não ser que as normas não prestem o que não acredito ser o caso brasileiro. Veja que a desregulamentação inconseqüente está mesmo localizada é nos EUA em que se permitiu a farra dos derivativos, alavancados em CMOs (títulos hipotecários securitizados). Muitos investidores compraram tais títulos em diversas categorias de risco. Dada a redução dos juros americanos, a rentabilidade de títulos muito arriscado e de baixo risco convergiram, desnorteando as “máquinas de avaliação de risco”. Como se viu, tais engenhocas não servem pra nada e o que vale mesmo é a velha e boa prudência bancária que a desregulamentação financeira americana jogou no lixo. Além do mais, o Brasil já passou por várias fases de concentração bancária. Se tivermos que passar por outra que não seja induzida novamente pelo banco central. Em resumo, a literatura econômica diz o seguinte: os ineficientes sairão do mercado. Que se cumpra o desiderato econômico!

5) Algumas empresas brasileiras fizeram operações financeiras estranhas. Tais operações resultaram em grandes prejuízos. Em sua opinião isso foi má sorte ou barbeiragem pura dos administradores?

Minha opinião: Barbeiragem é uma ova! As grandes empresas brasileiras, que são essas algumas (cerca de duzentas) e são as mesmas que comandam o comercio exterior não são gerenciadas por amadores. Todas erraram? Não pode ser! Contudo, agora, todas pedem socorro. Como são operações fora do balanço, isso significa que, nas operações em que houve ganhos, elas colocaram o dinheiro no bolso e não impactou a empresa. Quando perdem, impactam o balanço e aí a sujeira aparece. Temos que ter mais uma CPI, pois parece que houve uma aposta a favor da queda do dólar e uma orgia contábil sem precedentes. Apostaram, danem-se! Resta saber até que ponto o banco central não é o facilitador dessa brincadeira, pois não poderia permitir especulação por parte das empresas com o câmbio. Acredito que tal situação esteja relacionada com aquelas operações esquisitas do banco central (swaps e segmentação de reservas). Querem especular, façam com o seu dinheiro particular. Não com o da empresa que tem finalidade específica e não pode especular.

6) Essa crise terá efeitos severos na economia brasileira?

Minha opinião: Só quem tiver bola de cristal acertará ou aquele super-especialista que não sabemos bem de onde vem ou para onde vai. Basta lembrar que a crise é mundial. De qualquer sorte, é de se esperar uma retração na atividade econômica, já que todos esperam uma retração mundial. O quanto, só DEUS sabe. Não podemos esquecer a saudável função empresarial: procurar saídas para seus negócios. Se for para cima do Governo, os impostos ou o déficit aumentarão, piorando a crise para o povo. Quanto ao Governo, bom , esse está bagunçado mesmo e seu conserto é outra historia. No final de tudo, só esperamos que saiba o governo atuar na crise sem aprofundá-la. O melhor nesses casos, é ver para onde vão as ondas, marolas ou não. O que tinha que ser feito, foi feito: ter um banco central na sua função de provedor de liquidez. Garantir que os negócios se realizarão, só o próprio setor privado.

Um abraço e aguardo que outros mais economistas venham aqui expor suas idéias, certas ou erradas. Só o bom debate purificará as boas.

Um abraço
MARCO B

BROASILEIRO ABANDONAD disse...

sWap cambial EH roubo. Como justificar uma operaçao em que so ha prejuizo. EU DESISTO,

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