quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A Crise Veio na Hora Certa

Fui fazer a matrícula de minha filha no colégio, a mensalidade subiu e o desconto de pontualidade foi reduzido. A justificativa do colégio foi simples: estamos no meio de uma grande crise mundial.... em minha inocência acreditava que em momentos de crise de demanda os empresários abaixassem os preços, mas parece que esta ocorrendo exatamente o oposto. O preço dos serviços aumentou: o encanador, o eletricista, o cara que faz chave, todo mundo reajustou o preço. A justificativa é sempre a mesma: é a crise.

As montadoras não estão vendendo tantos carros como no começo do ano: culpa da crise. Pronto, essa é a palavra mágica para o governo ir ajudar as montadoras. Libera-se crédito, posterga-se o pagamento de impostos e sabe-se lá mais o que esta por vir. As construtoras não estão ganhando tanto dinheiro: culpa da crise. E lá vem o governo com mais crédito, mais programas de incentivo para ajudar as construtoras também.

Essa crise veio na hora certa. Nunca tantas empresas ganharam tanto dinheiro público como na atual crise global. São trilhões de dólares dos contribuintes americanos, trilhões dos contribuintes europeus, bilhões dos contribuintes chineses e brasileiros e outros bilhões dos contribuintes de todo o mundo. Nunca antes se transferiram tantos recursos públicos para um grupo tão restrito de empresas. Essa crise chegou na hora certa para tais empresas.

Vejo algumas pessoas tentando justificar que a ajuda estatal para o setor financeiro faz sentido, mas a ajuda para outros setores é errada. O próprio Congresso Americano diz que as montadoras americanas estão nessa situação por sua própria incompetência. Sim, isso é verdade. Mas acaso isso é diferente com o setor financeiro? Ora, os bancos e seguradoras que pedem por ajuda do governo agora chegaram a essa situação justamente por sua incompetência. Ajudar as montadoras é errado, mas não é mais errado do que ajudar o setor financeiro.

Como este blog vem alertando desde o ano passado ajudar empresas falidas, sejam elas do setor financeiro ou não, é errado. Não adianta querer justificar que as regras que se aplicam ao setor financeiro não se aplicam aos outros setores da economia. Imaginar que as montadoras, que as empreiteiras, que os grandes conglomerados da economia, assistam passivamente a transferência de recursos de toda a sociedade para o setor financeiro sem protestar é ilusão. Era evidente que todo grande setor da economia tentará tirar proveito dessa crise. Minha única surpresa até o momento é: por que as empresas aéreas ainda não apareceram pedindo dinheiro público? Afinal, é a crise.....

10 comentários:

marco bittencourt disse...

Eu fico aqui pensando: na crise de 29, havia pouco dinheiro. Já nessa, há muito. Nas duas o que se nota é a ação amalucada do governo.

Fábio Mayer disse...

A Renault, aqui de Curitiba, está com os pátios lotados de veículos, pensando em demitir e dando férias coletivas... nem pos isso, ela diminui o preço dos carros que pretende vender.

E o governo, batendo recordes de arrecadação (uma CPMF a mais ano passado e uma e meia em 2008, atáé outubro)pretende criar uma radical porta de aumento de impostos pela reforma tributária furreca capitaneada pelo ex-ministro da fazenda.

Breno Lima disse...

Como diria a Tia Nastácia: "Farinha pouca meu pirão primeiro!"

lelê disse...

Calma...logo, logo as empresas aéreas vão pedir dinheiro, eles estão na fila.
Alessandra Santos

Joao Melo disse...

Adolfo, quem sabe as empresas aéreas já solicitaram "discretamente" e a notícia ainda não foi publicada? De qualquer maneira, não concordo com o que está sendo feito, apesar de um Nobel como o Krugman entender que o Obama deve GASTAR dinheiro público neste tipo de problema. Sou capitalista e luto por um livre mercado sem amarras. Claro que o governo deve acompanhar tudo, porém, NÃO direcionar o nosso dinheiro para quem não sabe ser capaz de enfrentar uma crise.
Abraço,
João Melo, direto da selva

KATIA FERNANDA disse...

O ditado é simples: "para tudo há uma desculpa"...hehehehehehe..

William dos Reis disse...

Poxa Adolfo, enfim uma observação clara dos acontecimentos...
Realmente é impressionante que achem normal que o setor financeiro receba ajuda, mas que o mesmo não se aplique para as montadoras. Essas sim são "incompetentes"... O setor financeiro não... A propósito é muita competência deles emprestar dinheiro para quem não tinha uma avaliação de crédito confiável.
Agora, sobre os aumentos de preços... não pude deixar de rir... Como vc está certo Adolfo!! Aonde chegamos hoje vemos que os preços estão mais altos... E a justificativa deles é a crise. Onde na verdade deveria ser o oposto...
Show de bola seus comentários...
Abraços!!!

Augusto Damião disse...

Convenho com sua tese. A ação em hodierno dos governos é equivocada, um qüiproquó, vemos isto no concernente ao que o governo incentiva às empresas a persistirem no equívoco, e se arriscarem ainda mais, pois elas sabem que haverá alguém para pagar a conta, caso dê algo errado.

Essas corporações improfícuas, como exemplo as empresas de organoclorados e quejandas dever-se-iam ir para o antro do báratro do fundo do averno, pois além de obstarem à eucrasia da humanidade algumas ainda usam da crise para aumentar os preços em gerais.

Outra conjuntura nefasta que está acontecendo no santiâmen é o isomorfismo mimético, ou seja, todas irão querer que o governo pague suas contas, destarte como ele pagou as contas das montadoras e dos bancos.

" A casticidade da língua é meu colunelo."

ANTONIO ALBERTO MAZALI disse...

Muito oportuno esse alerta sobre ajuda oficial ao setor privado. Pode-se imaginar a vasta janela aberta para o favorecimento a amigos e benfeitores de partidos políticos. Vejam o Banco do Brasil: pode adquirir bancos!! Meu Deus. Quem está fazendo as avaliações dessas compras? Ao que se sabe, o Banco Votorantim foi adquirido e ninguém sabe quem avaliou. E a CEF, pode comprar construtoras quebradas! Quanto valem? Será que valem alguma coisa?
ANTONIO ALBERTO MAZALI

Pedro Griese disse...

Adolfo,
Qual escola voce matricula sua filha?
So de curiosidade.
Aqui no DF, qual escola dá pra confiar?
Sds
Pedro Griese

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