quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O Novo Formato do Concurso do IPEA

Antigamente o concurso do IPEA era composto por basicamente três provas: macroeconomia, microeconomia e econometria. Todas as matérias adotavam ementas de mestrado/doutorado. Não havia reserva de mercado para nenhuma profissão, entrava quem fazia mais pontos.

Hoje o concurso do IPEA é separado em áreas: Macroeconomia, Relações Internacionais, e tantas outras. As provas agora não são mais a nivel de mestrado/doutorado, mas a nível de graduação. As matérias que serão cobradas em cada área divergem e muitas vezes são carinhosamente chamadas de coisas estranhas. A prova de macroeconomia favorece nitidamente pessoas com formação na Unicamp/UFRJ. Pior: agora existe reserva de mercado. Podem concorrer na área de economia APENAS economistas. Na área de Relações Internacionais APENAS pessoas com graduação em relações internacionais ou economia. Ou seja, matemáticos, estatísticos, engenheiros e tantos outros com doutorado em economia, mas graduação em outra área, não poderão concorrer na área de economia.

Algumas áreas do concurso são um verdadeiro balaio de gato: cabe de tudo lá dentro, menos economia. Até prova ORAL vai ter no concurso, verdadeira inovação. As vagas para Macroeconomia não cobrarão conhecimentos de econometria, mas a teoria cepalina estará lá firme e forte. A área de Relações Internacionais terá o sensacional multiculturalismo como tema (alguem sabe o que é isso?). Na área Infra-estrutura e logística de base (deviam patentear esse nome) lá aparece o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como matéria obrigatória, mas se esqueceram de pedir aos alunos aprenderem métodos para se checar a eficiência de programas. Mas a campeã mesmo parece ser a área de Sustentabilidade Ambiental, que engloba matérias tais como sustentabilidade fraca e a economia neoclássica; a sustentabilidade forte e a economia ecológica; Caracterização e problemática dos biomas brasileiros: Amazônia, cerrado, caatinga, campos sulinos, pantanal, mata atlântica, zona costeira e zona marítima. Biodiversidade: gestão de florestas, acesso ao patrimônio genético, biosegurança, biotecnologia e biopirataria.

Vamos a uma pergunta prática: como fica a situação de um candidato que passe na área de meio ambiente mas queira trabalhar na área de macroeconomia? Esse não era um problema no passado, afinal não existia essa ABSURDA divisão por áreas. No passado os candidatos eram aprovados por saberem os MÉTODOS e a TÉCNICA. De posse desses conhecimentos, o campo de aplicação era decidido internamente. E agora, já imaginaram o problema que vai dar?

Por fim, esse concurso do IPEA atrairá candidatos com perfil similar aos aprovados no concurso dos gestores (outro cargo federal, mas que atua diretamente nos ministérios). Se atrairmos candidatos com perfil similar aos já existentes na esplanada do ministérios, qual será o diferencial do IPEA? Respondo: NENHUM. Esse concurso marca uma MUDANÇA DE RUMO PARA PIOR na trajetória do IPEA. Ele é um passo importante em direção à extinção do IPEA.

O bom senso pede para que esse concurso seja CANCELADO. Outro, nos moldes dos concursos antigos, deve substituí-lo. Mas agora faço um alerta aos técnicos do IPEA: a covardia custa caro. A omissão nesse período trará um custo futuro não desprezível.

O edital do IPEA pode ser acessado aqui.

10 comentários:

Lilian disse...

Dica de leitura...Textos ácidos e sarcásticos, pra quem quer ficar por dentro dos assuntos políticos e dos últimos acontecimentos de forma leve.


www.mosaicodelama.blogspot.com

Boa leitura!

Anônimo disse...

Talvez tenha razão o Anônimo que sugeriu, no post anterior, a falta de razão para a existência do IPEA. Como está, o IPEA é uma excrescência.

Anônimo disse...

Adolfo,
A mudanca no edital com a reserva de mercado para os economistas foi resultado de uma acao judicial (absurda) do cofecon.

Sabe de uma coisa: estou otimista. eu acho que ortodoxos sao mais inteligentes/dedicados mesmo que heterodoxos. Com o salario atual do ipea os ortodoxos eles tem todos os incentivos para estudar o blabla campineiro/ufrj e passar no concurso.
Tomara que eu esteja certo.

Anônimo disse...

depois mandaram o fábio giambiagi de volta pro bnds por ele criticar os gastos excessivos do governo eu já perdi minha crença no futuro do instituto nas mãos do Ponchmam

Anônimo disse...

Eh Adolfo!

Prova do IPEA para Dummies! Desculpa Dummies nao, o pessoal da Unicamp ou da UFRJ.... Dois programas de economia que ja deveriam estar extintos ha muito tempo e so servem para enganar as pessoas e curiosamente atualmente fazem parte do governo! Sera que o governo quer enganar as pessoas? Claro que nao nenhum governo serio faz isso. Mas o governo eh serio?

Pedro Erik disse...

Nesse caminho, o IPEA passará a se chamar Instituto para Programa Esquerdista Ampliado. É o caminho do socialismo real (aquele que destrói o conhecimento) começando em nosso instituto de pesquisa.

Você tocou no ponto central do problema, Adolfo: o diferencial do IPEA, frente aos outros concursos. Esse diferencial irá acabar e levará certamente à ruina do Insituto. Mais oito anos de petismo, melhor assim. Melhor se tornar se tornar Inativa Pesquisa Econômica Aplicada.

Abraço,
Pp

cinthia disse...

Aparentemente, ortodoxos são as pessoas que comentam até então. Talvez o concurso devesse exigir conhecimentos básicos de micro e macro, não é mesmo? Assim todo mundo, até os que não estudam muito, conseguiriam competir. De fato, para que estudar essa meleca de economia ecológica? Que raio de matéria interdisciplinar é essa que mistura biologia-biofísica-economia-estatística-cálculo e outras mais? Isso é coisa pra inglês ver, né não tigrada? Na minha opinião, os senhores estão ficando para trás. Vai estudar pra ver não...abraço! Denis.

Anônimo disse...

"Vamos a uma pergunta prática: como fica a situação de um candidato que passe na área de meio ambiente mas queira trabalhar na área de macroeconomia? Esse não era um problema no passado, afinal não existia essa ABSURDA divisão por áreas."

Caro blogueiro, se a pessoa quiser trabalhar com macroeconomia, que tenha coragem e capacidade para estudar e passar na área de macro. Ambiente acadêmico não é igual ao corporativo, mas qualquer empresa de qualquer setor apresenta divisões e áreas internas delimitadas para evitar retrabalho e duplicidade de gestores.

Anônimo disse...

Nossa... inacreditável o que eu já li aqui.
As áreas do concurso estão virando balaio de gato?? Quer dizer que engenheiro e matemático ocupar cargo de economista NÃO é balaio de gato ??
Só acho uma coisa... deveria haver uma separação clara nos cursos de economia em duas áreas: teoria economica e finanças. Quem quiser estudar economia de verdade estuda teoria. Quem quiser ficar brincando de modelinhos de economia (tipo esses que diziam que garantiam que a economia estava uma "magavilha") vá estudar finanças...

Anônimo disse...

Até porque, o pior para um ortodoxo é ver a capacidade que seu país adquire de se libertar de estruturar oligárquicas e simplistas. Esses elementos, dos super-engenheiros metidos a analítas políticos e economistas, começam a perecer frente a boa teoria econômica unida e o pró-ativismo de uma instituição como o IPEA na atualidade. Basta ver a beleza que está sendo a presidencia do Coutinho (campineiro) no BNDS... ATENÇÃO ortodoxos... será a boa hora de se pensar em uma "revoluçãozinha" dos "cabeças de planílha"? Em revoluções, a UFRJ e a UNICAM são boas...que tal pedir ajuda a eles?

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email