segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Pior do que não aprender é aprender errado

O que aprendemos com a recente crise nos Estados Unidos? Aparentemente não só não aprendemos nada como o pouco que aprendemos aprendemos errado. Existe um certo consenso de que a crise atual começou no setor imobiliário americano. Também existe o entendimento que a crise imobiliária se deu pelo excesso de crédito, e de facilidades, providenciado por agências ligadas ao governo americano. De maneira direta, podemos destacar dois mecanismos responsáveis diretamente pelos problemas no setor imobiliário: a) ausência de requerimento de down payment; e b) políticas públicas equivocadas facilitando a aquisição de imóveis. Vamos explicá-las com mais detalhes abaixo.

Down payment é um requerimento para que o comprador faça um pagamento inicial, geralmente em torno de 20% do valor do imóvel financiado. Dessa maneira, os bancos ou financeiras emprestam apenas 80% do valor do imóvel, mas recebem 100% do imóvel como garantia. Esse mecanismo força os devedores a continuarem pagando suas prestações mesmo na presença de razoáveis desvalorizações do imóvel. Nos Estados Unidos, vários empréstimos imobiliários estavam sendo feitos sem a necessidade do down payment. Esse fato diminuiu o incentivo dos devedores saldarem suas dívidas quando da desvalorização dos imóveis; o que agravou em muito a crise.

Outro problema severo foram as políticas públicas que estimularam bancos a emprestarem recursos para famílias com poucas condições de saldarem suas dívidas. Dessa maneira, famílias que poderiam pagar imóveis de U$ 100 mil foram estimuladas a comprar imóveis muito mais caros; quando a crise chegou tais famílias perderam todo seu investimento. Sem a interferência do governo tais famílias teriam comprado imóveis mais baratos e ainda estariam neles.

Releiam os parágrafos acima e notem que o governo brasileiro esta cometendo exatamente os mesmos erros que levaram à crise americana. O governo brasileiro está acabando com a exigência de down payment em alguns dos financiamentos da Caixa Econômica Federal. Além disso, tais financiamentos estão sendo extendidos a pessoas com pouca probabilidade de honrarem seus compromissos. Isto está ocorrendo não só no mercado imobiliário, mas também no mercado de automóveis.

Quando a conta dos erros acima aparecer não faltarão pessoas para culpar a ganância do mercado, ou a irresponsabilidade do “sistema”. Poucos irão se lembrar que a crise começou no Brasil da mesma maneira que começou nos Estados Unidos: com políticas erradas do governo.

12 comentários:

Edgar (edgarvsoares@hotmail.com) disse...

Concordo plenamente com o que foi falado e ainda complemento: o Lula está querendo que, com a "boa vontade" do governo na manutenção de juros altos, os bancos diminuam seus spreads.

Onde já se viu isso? É muita cara de pau. O Brasil sempre gosta de importar tudo dos EUA, até as porcarias. Eles estão querendo trazer o risco sistêmico no setor financeiro para cá. Essa política populista de emprestar pra todo mundo e reduzir o spread bancário é incoerente. Ele acha que o governo está dando muito lucro de mão beijada para os bancos com a taxa de juros elevada e agora quer o que os bancos aumentem seu risco a custo zero para financiar uma porcaria de política populista que tende a nos afundar? Cada vez mais fica evidente que o principal ator das políticas econômicas do Brasil não é o CMN e sim a FEBRABAN.

Um abraço!

Fábio Mayer disse...

Todo mercado, de qualquer produto, que é sobrecarregado de demanda por meio de financiamento facilitado, chega em um momento de saturação.

Quando isso acontece, a demanda cai abruptamente, a inadimplência aumenta exponencialmente e os produtores mais desavisados acabam enfrentando problemas sérios.

Aconteceu com os imóveis nos EUA, está acontecendo com os automóveis no Brasil.

Claro que incentivar o crédito é importante, mas o crédito responsável. Financiar veículos em até 100 prestações como vinha se fazendo no Brasil, é no mínimo loucura...

Anônimo disse...

Adolfo, outro problema nos EUA era a securitização dos ativos. Ou seja, quando o banco não tinha mais espaço na carteira para financiar (nas condições que você citou), isso era empacotado, ganhava um rating AAA, e era distribuido por bancos de investimentos. Será que esse é o próximo passo da CEF?

Securitização dos ativos que muito em breve serão podres?

Nao duvido mais nada da Caixa, principalmente depois de solicitar a abertura de um banco de investimentos no momento onde todos os banco de investimentos estão ruindo...

Luiz disse...

Oi professor,

Tava olhando o site do Globo e encontrei esse post nele.

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/12/08/na_economia_pior_do_que_nao_aprender_aprender_errado-586891807.asp

Marcus Carvalho disse...

O melhor de tudo é ver os comentários n'O Globo sobre esse artigo.

Erik Figueiredo disse...

A matéria foi publicada no Jornal O Globo:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/12/08/na_economia_pior_do_que_nao_aprender_aprender_errado-586891807.asp

Anônimo disse...

Todo o texto qye V. publica no Globo tem erros gramaticais (me abstraio dos erros de Economia). "estendidos", sem x!

marco bittencourt disse...

Nós temos as melhores novelas do mundo, as mulheres mais bonitas do mundo, as melhores praias, os recantos mais maravilhosos e não lutamos por nossa dignidade. Os gregos, por conta da perda de uma única vida , extirpada por ato violento do Estado, querem derrubar o governo. Aqui, todos os dias temos manifestação contra violência do Estado,direta ou indireta, em magnitude e intensidade muitíssimo maior e as coisas só pioram. Traduzo. Não ficamos indignados! O que vale é a banalização de tudo. Do nosso voto, do nosso trabalho, das nossas vidas. O que será que nos falta? Religião? Amor sincero? Vergonha na cara?

Anônimo disse...

O Anônimo (o chato) também erra. Quanto aos erros de economia, aguardo seus comentários com ou sem anônimo.

Rafael P disse...

Financiamento imobiliario para populacao de baixa renda me parece uma necessidade incotestavel... Então fica a pergunta: como fazer financiamento para pessoas com baixa capacidade de pagamento? é possivel fazer esse finaciamento de forma responsável?

Anônimo disse...

Marco Bittencourt,

Talvez nlos falte aquela coisas que as sociedades mais desenvolvidas têm. Algo que nos faz aferrar-nos aos nossos valores. Me refiro à combinação de duas coisas: TRADIÇÃO E CULTURA.

Anônimo disse...

PQP. E agora no Brasil marido de mulher gravida nao pode mais ser demido... Incentivo escroto do governo lula!

Google+ Followers

Gadget

Este conteúdo ainda não está disponível por conexões criptografadas.

Follow by Email