segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Por que o spread bancário no Brasil é tão alto?

O spread é a diferença entre a taxa de juros que o banco paga para receber recursos e a taxa que ele recebe por seus empréstimos. Por exemplo, se você colocar 1.000 reais numa aplicação financeira receberá algo em torno de 1% ao mês de rendimento. Contudo, se ao invés disso você precisar tomar emprestado 1.000 reais do banco irá pagar por esse empréstimo algo em torno de 7% ao mês. Essa diferença entre taxas é o que chamamos de spread. Em nenhum lugar do mundo o spread bancário é tão alto quanto no Brasil.

Existem pelo menos 3 argumentos para explicar o porque do spread bancário brasileiro ser tão alto. Em primeiro lugar a legislação brasileira protege demais o devedor. Quanto maiores forem a proteção aos devedores, mais difícil aos credores é recuperar uma dívida. Assim, o risco do empréstimo aumenta, o que afeta diretamente o spread. Em segundo lugar vários tributos incidem sobre a atividade financeira, nada mais natural que parte desses tributos sejam repassados aos consumidores por meio do spread. Em terceiro lugar a atividade bancária brasileira é extremamente concentrada. Com pouca competição os bancos conseguem cobrar mais por seus serviços.

De maneira simples, o spread bancário no Brasil é alto por causa de uma legislação inadequada em conjunto com um ambiente pouco competitivo. Os acontecimentos recentes no setor bancário com a fusão entre grandes bancos só tende a agravar esse quadro. Dessa maneira, é difícil de entender a atitude do governo brasileiro que parece celebrar a união entre bancos, e consequente redução da competição.

A redução do spread bancário passa necessariamente por uma mudança na legislação brasileira. Mas também é necessário aumentar a competição entre bancos. Contudo, devemos entender que o aumento da regulação bancária implica na redução da competição. Ambientes muito regulados costumam não raras vezes exigir garantias e procedimentos que só podem ser fornecidas por grandes corporações, afastando as pequenas empresas e diminuindo a competição. Dessa maneira, a crescente demanda de determinados setores por um aumento da regulação do setor financeiro irá inevitavelmente aumentar os spreads.

6 comentários:

Anônimo disse...

Por que o Spread no Brasil é tão alto? Simplesmente porque é uma exigência do modelo. O banco do brasil para poder carregar o seu passivo que foi comprometido com as finanças públicas e ainda é usado para fechamento de contas dos gestores privados do modelo brasileiro de jurosdutos tem que arrumar espaço para cobrir o buraco. Como ? Cobrando de quem não pode reclamar e não faz parte do grupo de extorsão. Como provar o que falo? Basta analisar o balanço do banco do Brasil e verificar como estão distribuídos os ativos e suas respectivas remunerações. Claro, você poderia indagar: e o resto do sistema financeiro ? Está solto como sempre esteve e sabe que se o banco do Brasil está preso a essa armadilha. O fechamento do cerco iria expor feridas que nunca cicatrizam. Poético, não? O fato é que nada será feito para reduzir o spread bancário, até mesmo porque os empresários pequenos e médios já aprenderam o quanto é bão um jurinho de 2 a 4% ao mês. O problema maior é que a ineficiência do sistema é pago por quem poupa que não consegue a remuneração sequer da dívida pública. Essa diferença é que faz a diferença, se é que me entende?

Um abraço
Marco B

Fábio Mayer disse...

Em qualquer lugar sério do mundo, existe uma diferença de spread entre o que o banco paga e o que cobra de juros, isso não é ruim, é fato econômico.

Porém, no Brasil, os spreads bancários são altos também porque não existe marco regulatório, os bancos fazem o que bem entendem, e, como você bem disse, porque o péssimo Judiciário brasileiro faz tudo para proteger o mau pagador (não exatamente o devedor).

Veja a situação que vivemos nos últimos 12 meses aproximadamente:

1. Economia em alta, vendas de veículos em alta, emprego em alta, renda geral aumentando: Os juros bancários subiram, porque alegavam o excesso de demanda pelo crédito.

2. Economia em baixa, indicadores econômicos mundiais em baixa, o Brasil começou a sentir os efeitos da crise internacional: Os juros subiram de novo, porque os bancos alegam que aumentará a inadimplência!

Ou seja, os bancos não diminuem o spread porque não querem e porque sabem que nada, nem ninguém, vai lhes causar problemas por conta disso. Mais do que isso, o fazem porque agem como cartel, contando, inclusive, com o amén do governo, por meio de seus bancos estatais/públicos.

Ora, eu tenho um relacionamento de 14 anos com o banco com que trabalho. EM 14 anos, todos os empréstimos que peguei foram pagos, sem discutir a taxa de juros. Meu patrimônio declarado e comprovado para cadastro é sempre muito superior aois valores que eventualmente empresto. Tenho comprovação de fontes de renda, quase todas elas clientes do mesmo banco.

No entanto, os juros que o banco pratica para mim, são muito maiores que o que praticaria para um empréstimo consignado. Meu cadastro só serve para eles me cobrarem 65 reais a cada 6 meses.

lelê disse...

Infelizmente vivemos em um país onde a concorrência é prejudicial, principalmente, para os banqueiros. A falta de concorrência concentra o mercado e quem se ferra somos nós consumidores. Pelo visto isso é comemorado como prêmio, quando o noticiário divulga...Santader comprou Real e etc. Pelo visto a concentração de poder só vai só aumentar no Brasil e nos consumidores, clientes vamos só nos ferrando.
Alê

Anônimo disse...

Faltou uma razão para explicar os altos spreads bancários. Há milhões de pequenos poupadores (remunerados com taxa de juros merreca) e um único grande tomador (o governo) que abocanha quase toda a poupança. O que resta, é disputado a caneladas pelo resto do mercado. Se associarmos a isso o risco de crédito e tudo o mais, é óbvio o resultado: combinação de baixa taxa de juros na captação e alta taxa de juros para os tomadores de empréstimos.

Anônimo disse...

Adolfo,

E o compulsório, este também não é fator de aumento do epread bancário?

Paulo

Anônimo disse...

Adolfo,

Não sei se você vai ver esse comentário em um blog de tanto tempo atrás. Mas diante das últimas notícias do BB e da CEF que foram obrigadas a diminuir seus spreads, acho que vale a pena retomar o assunto em um post novo. Olhando esse seu post antigo, só consigo pensar em que o nosso governo comunista está querendo diminuir a concorrência, concentrando mais o mercado nos bancos públicos pra ficar com mais poder, acelerar a economia a qualquer custo e eleger Haddad em SP.

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