quarta-feira, 18 de março de 2009

A Poupança do Brasileiro

Mantendo sua longa tradição de falar primeiro e fazer as contas depois, o governo Lula se atrapalhou novamente. Explico: as pessoas, ao contrário do que alguns gostam de pensar, são livres para escolher onde gastar seu dinheiro. Vários membros do governo Lula estão pressionando muito por quedas significativas nas taxas de juros, só se esqueceram que existem limites para tal queda.

Quando o Banco Central decide alterar a taxa selic, ele não somente altera essa taxa como altera também um conjunto amplo de incentivos econômicos. Um aumento da selic torna uma série de investimentos inviáveis economicamente, mas uma redução da selic a torna menos atrativa frente a outros investimentos.

A bola da vez no momento é a caderneta de poupança. A poupança rende 6% mais TR ao ano, e a TR segue de perto a inflação. Com a inflação em alta e a selic em baixa, a caderneta de poupança ganha atratividade em relação aos títulos remunerados pela Selic. Dentre os títulos remunerados pela Selic, o mais vistoso deles são os títulos públicos (que financiam os gastos do governo). Ou seja, caso a Selic caia muito espera-se que vários compradores de títulos públicos troquem essa aplicação pela caderneta de poupança. Reduzindo assim a quantidade de recursos disponíveis para o financiamento do gasto público.

Em vista do problema exposto o governo poderia simplesmente gastar menos, uma vez que terá menos recursos para seu financiamento. Ou então poderia estimular a competição entre bancos, facilitando a entrada de novos bancos no mercado por exemplo, que teria como consequência uma queda nas taxas de administração cobradas pelos bancos (aumentando assim o rendimento dos títulos públicos para o emprestador de recursos). Infelizmente o governo tomou, mais uma vez, a decisão errada: vai reduzir o rendimento da poupança.

Reduzir o rendimento da poupança funciona para evitar que os emprestadores deixem de comprar títulos públicos. Contudo essa medida também tem outros efeitos, por exemplo ela diminui os incentivos para se aplicar na caderneta de poupança. Com menos recursos na caderneta de poupança serão menos recursos para a construção e aquisição de imóveis. Em breve o governo Lula estará se perguntando: onde estão os recursos do mercado imobiliário? A resposta será simples: o governo comeu.

5 comentários:

Pedro disse...

LUla vai dizer que é culpa da "Zelite" Adolfo.
Vai faturar politicamente de algum jeito. O cara é um verdadeiro 'fenomeno', mais habilidoso que Mister M.
pergunta: a politica de controle de oferta monetaria deixaria a taxa de juros livre?

Anônimo disse...

a abordagem do assunto foi constrangedoramente tacanha.
Nem tocou no ponto sobre a eficácia da política monetária em reativar a economia quando a poupança impõe um limite para a remuneração do CDBs.

Anônimo disse...

Companheiro Adolfo, dois pontos me chamaram atencao no seu post:
1) TR segue de perto a Inflação: Em qual planeta? A TR é calculada a partir da TBF aplicado um redutor. A TBF por sua vez é a média das operações de CDB de 30 dias cotadas junto a 30 instituições financeiras. Experimente comparar TR e Inflacao nos ultimos anos e vc vai concluir que escreveu um absurdo!
2)O problema não está diretamente relacionado ao financiamento do governo, mas sim à solvência do sistema de financiamento imobiliário. Se o recurso de curto prazo for para a poupança, os bancos terão um sério problema de descasamento entre ativos e passivos. Já imaginou o banco emprestar recursos da poupanca por 15 ou 20 anos e os investidores de curto prazo resolverem sacar recurso das poupanças? Vc quebra os bancos.

A solução é romper com essa cultura de indexação e promover uma mudança no sistema de poupança para os brasileiros.

Quem sabe não podemos criar um sistema de financiamento com títulos lastreados em hipotecas? Depois podemos fazer uma engenharia financeira, overcolateralizar, criar CDOS^2 e depois vender para bancos de investimentos...

Abraço!

Anônimo disse...

A TR SEGUE A INFLACAO??? De onde voce tirou isto? Se deu o trabalho de estudar o assunto? ou mesmo pegar uma série historica? Barbaridade.

Anônimo disse...

Não se o Adolfo está tão errado quanto fazem supor alguns comentários. O fato concreto (eita expressãozinha mais besta!) é que rendimento de todos os papéis acabam por convergir entre si. Isto é, não pode haver ganhos de arbitragem em prazo longo.

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