segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Inflação e Gasto Público

Em tempos de crise vários economistas sugerem que o governo passe a gastar mais para compensar a redução na atividade econômica. Assim, o setor público estaria contribuindo para manter a economia saudável numa época que o setor privado enfrenta dificuldades.

O argumento acima esconde um detalhe fundamental: de onde vem o dinheiro público? O dinheiro público vem do setor privado. Dessa maneira, para o governo gastar mais ele tem que necessariamente retirar mais recursos do setor privado, isso será feito agora ou no futuro. Isto é, o aumento dos gastos públicos é financiado com recursos privados. Ainda assim, alguns especialistas defendem o aumento do gasto público durante as crises, argumentando que esse aumento de gastos durante as recessões seria compensado por uma redução nos gastos públicos durante os períodos de expansão econômica.

Novamente, o argumento acima esconde um truque: nem todos os gastos públicos podem ser reduzidos depois de serem aumentados. O exemplo mais simples é o gasto com salários dos servidores públicos: depois de aumentos salariais, ou de aumento no número de funcionários públicos, esse gasto não pode ser nominalmente reduzido. Hoje é isso que ocorre no Brasil: o governo está dando generosos aumentos salariais ao funcionalismo público, e aliado a isso está contratando muitos novos servidores. Esse tipo de comportamento pressiona os gastos públicos hoje e no futuro.

Temos assim uma importante questão: como esse gasto será pago no futuro? A opção mais imediata é com aumentos de impostos. Contudo, quando notamos que a carga tributária brasileira já se aproxima dos 37% do PIB vemos que não há muito mais espaço para aumento de impostos. Assim, resta ao governo uma segunda opção: gerar inflação. Com o aumento da inflação o salário real dos funcionários públicos pode ser facilmente reduzido, e dado que as receitas tributárias podem ser facilmente indexadas, essa passa ser uma solução simples para equacionar o problema.

Segmentos importantes do governo já deixaram claro que uma inflação entre 10% a 15% ao ano não é problema tão sério. Eles estão errados, mas enfim continuam acreditando nisso. Assim, me parece que em dois ou três anos estaremos novamente convivendo com o fantasma inflacionário. Quer uma sugestão? Se endivide em dívidas pré-fixadas, você até irá pagar um pouco a mais nos próximos dois anos, mas a partir daí terá feito um belo negócio. Em compensação acredito que os bancos, fundos de pensão e financeiras que fizeram empréstimos pré-fixados de longo prazo terão problemas sérios de solvência.

6 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

E depois eles dizem que não entendem porque as taxas de juros reais e nominais são tão altas no Brasil...

Anônimo disse...

Pois é, Adolfo.

Se depender do Guido Margarina, entrará em ação o lado desagradável da aritmética monetarista: combate à inflação conduzindo à... inflação.

Diego disse...

E o IPEA fazendo "estudos" afirmando que o estado brasileiro está muito pequeno.

Mário Guedes disse...

Claro e translúdico como o ar no planteta Terra: a sugestão é simples e única: já que a tributação é estratosférica a solução é emitir moeda, sem medo de errar.

Marcelo disse...

O pior de tudo é ver o presidente do IPEA(me recuso se quer a escrever seu nome), dizer que carga tributária não é alta, porque há as transferências de governo. É mole!

Anita disse...

O peso se torna cada vez maior. Se já trabalhamos até maio para pagar impostos, com todos estes "remedinhos" para a crise, aonde vamos parar? Incrível mesmo, que ainda haja alguma instituição minimamente séria que diga que a carga não é alta. Só rindo!

(Prof. Adolfo, podemos reproduzir seu post no Instituto Millenium? http://www.imil.org.br/)

Deixo meu e-mail: anita@institutomillenium.org

Abraço!

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