segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Bloqueio Comercial, Globalização e a Dialética Marxista

Nas universidades é comum a crença de que a globalização é ruim, sendo diretamente responsável pelo empobrecimento de um país. Tal crença é comungada por vários setores da sociedade, especialmente pelos intelectuais, jornalistas e profissionais com formação na área de ciências sociais. Mas, afinal de contas, o que é globalização? Globalização nada mais é do que a realização de trocas com o resto do mundo, ou seja, refere-se a importação e exportação de bens e serviços. Quando um país torna-se mais globalizado, isto significa que ele esta realizando mais trocas com o resto do mundo. Isto é, a soma dos montantes importados e exportados aumentou.

Por que o aumento das trocas com o resto do mundo levaria um país a ficar mais pobre? Na verdade é o contrário, o aumento das trocas aumenta a produtividade, e consequentemente, a riqueza de um país. Mas vamos deixar esse ponto de lado, pois o objetivo deste post é outro. Interessante notar que as mesmas pessoas que são contrárias a globalização mostram-se indignadas com o bloqueio comercial contra Cuba. Segundo tais pessoas, este bloqueio comercial prejudicaria a economia cubana, levando ao empobrecimento desta. SURPRESA: eu concordo com elas!!! Sim, o bloqueio comercial impede Cuba de comercializar com o resto do mundo, e isto traz grandes dificuldades para a economia cubana.

Notem que meus argumentos são consistentes: globalização é bom, logo o bloqueio comercial prejudica Cuba. Notem agora o argumento dos intelectuais contrários a globalização: globalização é ruim, logo o bloqueio comercial prejudica Cuba. Opa... isso não é possível, se globalização é ruim, então o bloqueio comercial (que implica em globalização próxima de zero) deveria ter tornado Cuba numa potência econômica. Estranho notar que pessoas que são contrárias a globalização argumentem que o bloqueio comercial prejudique Cuba. Ora, se você acredita que globalização é ruim então a proibição de comércio de Cuba com o resto do mundo (bloqueio comercial) deveria fortalecer a economia cubana.

A miséria de Cuba reside num sistema político totalitário e assassino, num sistema econômico com planejamento central (e não economia de mercado) que produz resultados medíocres, e a ausência de comércio com o resto do mundo (globalização baixa) torna a economia cubana ainda mais pobre. Somente a dialética marxista é capaz de explicar que intelectuais contrários a globalização sejam os mesmos que argumentem que o bloqueio comercial prejudique Cuba.

15 comentários:

Chutando a Lata disse...

Não sei o que é pior, se a restrição ao comércio que parte de fora ou se a restrição ao comércio que parte de dentro, como é o caso do Brasil varonil.

Pedro H. Albuquerque disse...

Interessante notar que, mesmo com o embargo americano, Cuba poderia em princípio comerciar com o resto do mundo, o que na prática tornaria o embargo americano pouco relevante. Cuba é entretanto é um dos países menos globalizados e mais autárquicos. O responsável por este isolamento é o sistema socialista cubano que impede as trocas voluntárias entre seus habitantes e os habitantes de outros países.

Este "embargo" cubano às suas próprias trocas com o resto do mundo é sem dúvida uma das maiores causas da pobreza extrema de Cuba. A hipocrisia daqueles que defendem o regime totalitário cubano é portanto ainda mais marcante, pois acusam os EUA de serem responsáveis por aquilo que de fato não passa da política econômica oficial do próprio governo cubano!

Cláudio disse...

Eu ia fazer uns comentários mas acabou ficando muito grande (e, por conseqüência, deselegante) e vou postar no meu blog quando tiver tempo.

Paola disse...

Engraçado.... Estudo Ciências Sociais na UFSM desde 2006, e nunca vi ninguém dizer, taxativamente, que globalização é ruim.
E depois, desde quando o pensamento dialético é uma exclusividade marxista? Ele é muito anterior a isso!
A questão da globalização, aliás, toda a questão da modernidade e da pós-modernidade, como já disseram Fredric Jameson e Marshall Berman, deve ser vista dialeticamente. Isso significa, simplesmente, deixar o comodismo de lado e olhar de mais de um ponto de vista. Se olharmos por um determinado ângulo, a globalização é boa, mas, mudando o foco, ela traz más consequências, e uma coisa não invalida a outra. Esse fluxo intenso produz riquezas, incentiva o desenvolvimento da tecnologia, aumenta a qualidade de vida. Concordo. Mas também gera mais pobreza, aumenta o individualismo e o isolacionismo pessoal, etc. O bem não impede o mal. E, no todo, por mais desgraças que ocorram, continuo pró-pós-modernismo, e, consequentemente, pró-globalização.

Fabricio disse...

A desculpa de Cuba é ridícula. A coisa é mais ou menos assim:
A gente faz revolução comunista para ficar livre dessa coisa perversa que é o comércio e o mundo capitalista.
Aí (claro) dá tudo errado, e a culpa é do mundo capitalista que não quer fazer comércio com a gente!

Ithamar Ramos disse...

Isso comprova o que eu tenho falado a anos.
No Brasil impera a antintelectualidade e as universidades vem se tornando antros de boçalidade.
Nos cursos de humanas não vejo nada além de pregação socilista para que se votem sempre nos candidatos com o mesmo discurso.

Como é possivel que chamamos de intelectuais pessoas que prgam pensamentos e ideais que não podemos aceitar se utilizarmos um minimo de intelecto e racionalidade.

Ouço muito sobre as gerações passadas que fizeram coisas na universiodade e a maravilha da educação.

Pois na minha vez só tenho escutado os discursos furados que ja vi na televisão e os professores exigem que se abaixe a cabeça e decore a resposta, nunca contrarie e nunca questione.

Outro lufar que vi exatamente isso foi no exercito, como um verdadeiro pensador me revolta ver que os ditos opositores da ditadura militar cultivem um pensamento militar e sejam tão avidos contra atritudes e pensamentos democraticos.

Sofremos um boicote a educação, uma exaltação a ignorancia e uma cultura de anti-intelectualismo.

Um boçal que decora uma meia duzia de livros e os repete feito um poapagaio sem ter esse tipo de raciocinio basico, não pode ser chamado de intelectual.

Augusto Freitas disse...

"Esse fluxo intenso produz riquezas, incentiva o desenvolvimento da tecnologia, aumenta a qualidade de vida. Concordo. Mas também gera mais pobreza, aumenta o individualismo e o isolacionismo pessoal, etc."

Paola, você poderia por favor me explicar como um 'fluxo intenso' pode produzir riquezas, desenvolver a tecnologia e aumentar a qualidade de vida e ao mesmo tempo gerar pobreza, aumentar o individualismo (O que é isso e por que seria ruim? Você age de acordo com os seus interesses, ou de acordo com os interesses da sociedade, seja lá quais forem?) e o isolacionismo pessoal? Este não é determinado pela escolha de cada um? Algumas pessoas são mais reservadas, tímidas. Outras são extrovertidas e abertas. Certo?

"O bem não impede o mal."

Então o que impede o mal?

Anônimo disse...

"Somente a dialética marxista é capaz de explicar que intelectuais contrários a globalização..."

Professor,

A dialética marxista era contrária, em resumo, a mais-valia.

De resto, o post esta DEZZ!!!

Anônimo disse...

Só o que impede o mal é o Fidel!

Anônimo disse...

"Somente a dialética marxista é capaz de explicar que intelectuais contrários a globalização sejam os mesmos que argumentem que o bloqueio comercial prejudique Cuba."
acredito que os liberais poderiam explicar melhor. Não são vcs que são a favor do livre mercado? é hora de defender pq é a melhor escolha. A globalização pode ser ruim, mas vc impedir as relações comercias com outros países... restrição é pior. O país em questão não pode sequer escolher com quem irá fazer negócio. Que medo é esse que os EUA têm de comercializar com Cuba? por acaso algum de vcs acreditam que Cuba seria uma grande potência não fosse o embargo?
O embargo serve como bode expiatório para os problemas financeiros de Cuba. O discurso partiria desse ponto.
O problema é que todos os outros países se deixam dominar. O livre mercado é ditado por um só lugar, logo, ele não é tão livre assim.

Fidel impede o mal, c ctz! há anos ele vem combatendo o capitalismo.

Grupo 4 disse...

Leiam a frase de Edmund Burke no cabeçalho do blog. :)

Paola disse...

Augusto,

A produção de riqueza e de miséria é simultânea. Sabe aquela velha história de que os ricos enriquecem às custas dos mais pobres? Em muitos países, há sim uma considerável melhora nas condições de vida dos menos favorecidos. Mas, em outros, a economia globalizada gera mais exploração, aumento do desemprego, etc. Isso sem mencionar os conflitos internos gerados por interferência externa.

O individualismo é bom ou ruim dependendo do ângulo pelo qual se olhe. Trata-se de uma condição típica do atual estágio evolutivo da nossa cultura ocidental, e que está interferindo cada vez mais em culturas alheias, gerando conflitos dentro das mesmas - em especial, conflitos geracionais, com os jovens seguindo as tendências ocidentais e os velhos se horrorizando com o fim dos costumes, da tradição.

Do individualismo extremado pode decorrer o isolamento, no momento em que as pessoas já não conseguem se identificar umas com as outras. Não, isso não é uma escolha pessoal. Isso é o modo como a pessoa consegue (ou não consegue) lidar com o seu contexto social. Se é bom ou ruim, podes tentar descobrir nas pesquisas sobre saúde mental, depressão, etc.

A questão é: a globalização não pode ser vista em termos de bem ou mal. Trata-se de um processo dialético, como, aliás, tudo em nosso mundo. Sabe aquele dito, "tudo tem dois lados"? Bem e mal, prós e contras, andam sempre lado a lado. Um pode afigurar como maior do que o outro em um dado momento, mas jamais será grande o suficiente para aniquilar o mundo. E ainda bem, pois do contrário não haveriam mudanças, e teríamos atingido o famigerado "fim da história". Chato, não?

E só pra constar, isso não é um texto contra a globalização. Pelo contrário, sou pró-globalização, e mesmo pró-pós-modernismo. Apenas treino o meu olhar para enxergar de tantos ângulos quantos me forem possíveis.

Anônimo disse...

para elocubrações acerca do mal sob um ponto de vista ingênuo mas perspicaz, sugiro o filme: "A culpa é do Fidel"

Rafael disse...

Sinceramente?

Creio que os problemas da globaliação é muito mais social que economico em si.

Pelo ponto de vista economico é ótimo (desenvolvimento tecnológico, aumento da renda per capita etc).

Pelo ponto de vista social, acaba ocorrendo uma padronização de valores, fazendo com que a economia dite o que seria melhor para a pessoa, ao invés da pessoa ditar o que é melhor para a economia.

Dai ao invés da economia vir de um estudo da sociedade para o bem estar da sociedade, o ritmo estaria mudando para um estudo da economia para o bem estar da economia, transformando o modo de vida das pessoas em uma constante.

Uma frase que me vem à mente nessas horas é a que um amigo me falou outro dia:
"Para quem não tem condições, o capitalismo pode até parecer que te da um leque grande de escolhas. Porém, as escolhas são limitadas ao que ele está disposto a te oferecer".

Ou seja, por mais que o capitalismo evolua a sociedade, ele acaba por limitá-la. A globalização apenas acelera esse processo.

lelê disse...

Caros,

No Brasil, 64% quer maior controle do governo na economia. Essa reportagem diz isso: http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/11/09/ult5022u3974.jhtm

Eu só quero saber dos dados, qual o nível de escolaridade dessas pessoas? sabem o que dizem? e ainda um jornal comunista desse fica colocando essas coisas...se contra a globalização é o fim.Bem eu acho que o povo brasileiro prefere a ditadura mesmo.

abs.
alessandra ferreira

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