terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Educação e qualidade do voto

"Uma população bem educada vota melhor". "Educação melhora a qualidade do voto".

Quantas vezes você já ouviu os argumentos acima?

Educação é muito importante, contudo leva mais fama do que merece. Parece até que educação é remédio para tudo, não é.

Educação, por si só, não melhore a habilidade de uma população em votar. Vamos a um exemplo simples: o Distrito Federal esta certamente entre os estados com o maior nível de escolaridade do Brasil. Além da quantidade, a qualidade do ensino no DF é melhor do que na maioria dos outros estados.

Que tal olharmos agora as últimas escolhas dos eleitores do DF para o Senado Federal: Arruda (cassado), Estevão (cassado) e Roriz (cassado). Agora o governo do DF esta mergulhado em uma crise com probabilidade de levar a mais desastres. Arruda, dessa vez governador do DF, está no centro da crise.

Para garantir a qualidade do voto dois são os requisitos necessários: 1) opções de candidatos (ou seja, é necessário que existam candidatos decentes); e 2) vergonha na cara por parte da população (em não votar em bandidos comprovados). Infelizmente, sem essas condições educação ajuda muita pouco.

11 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

Pois é Adolfo, mas mesmo na Suíça e nos EUA a população vota muito mal. O que nos remete aos seguintes princípios:
(1) republicanismo constitucionalista: o voto não é nem de longe tão importante para o bom funcionamento de uma nação quanto uma boa constituição que estabeleça os direitos da única minoria que importa, o indivíduo; e
(2) Bryan Caplan: a escolha individual via mercados livres é uma forma de organização social superior à escolha coletiva via ditadura da maioria (voto majoritário).
Vejam o que o John Adams disse sobre a tirania das maiorias aqui:
http://en.wikipedia.org/wiki/Constitutional_republic
O pior é que isso tudo não é sequer novidade, basta ler Aristóteles.

Anônimo disse...

Adolfo,

Há espaço para assinaturas no teu post? Se houver, assino em baixo.

J. Coelho

Anônimo disse...

A educação por se só concerteza não é o sufuciente para escolhermos melhor em quem votar. Mas concerteza uma justiça decente, justa, que aja com coragem, isso sim fará com que escolhemos melhor nossos candidatos. Pois politicos ladrôes,cheio de processo no curriculo, não teria que esta entre os politicos candidatos.Aí sim teriamos como fazer nossas escolhas...
Deixo aqui a minha indignação com os nossos políticos.

Edvaldo Frazão

Nilo disse...

Se educação fosse tão importante assim, Silvio Santos e Samuel Klein não seriam nada do que são hoje, ao contrário do que vemos, é difícil ver um doutor rico como eles.

Augusto Freitas disse...

Muito bom post, Adolfo. Gostei do comentário do Nilo também. Realmente se alguém quer ficar rico, e se ainda não quiser ter o trabalho (pelo menos no início) do Klein e do Santos, ao invés de estudar é melhor virar político, porque esse não precisa de educação nenhuma, além de ser eleito por pessoas que não têm educação.

Caramba! Se o Cristovam ver isso morre de infarto, ou mata a gente.

Anônimo disse...

Na lista de senadores ainda falta o Paulo Octavio, que teria mandato de senador até 2010. Os suplentes não ficam devendo também (Ademir Santana de PO, Gim Argello de Roriz, Valmir Amaral de Luis Estevao)

Pedro

Anônimo disse...

Acredito que seu argumento é falho. A comparação da edução observada no DF é relativa aos demais estados brasileiros, que, notadamente, possuem média de anos de estudo aquém do ideal. Diante deste fato, a análise feita com base nos anos absolutos de estudo seria menos viesada. Talvez, ainda, uma segmentação seria de maior proveito.

Exemplificando: se cada estado brasileiro tivesse em média 1 ano de estudo, enquanto o DF tivesse em média 2 anos, a educação no DF seria 100% superior aos demais. Há alguma dúvida de que com 2 anos médios de estudo ainda enfrentariamos problemas de escolha ótima, mesmo a educação do DF sendo 100% superior aos demais estados?

A revolta é válida, mas querer extrapolar o argumento de que os ganhos educacionais não são observados é ridículo.

Esperava pelo menos maior rigor técnico.

Att,

João Ricardo

Diego disse...

"Se educação fosse tão importante assim, Silvio Santos e Samuel Klein não seriam nada do que são hoje, ao contrário do que vemos, é difícil ver um doutor rico como eles."

E os milhões de outros não escolados ganham quanto por mês? Caso específico não diz nada. Na média um ano a mais de estudo dá, sei lá, 10% a mais de salário. Na média.


Adolfo, defina "votar bem".

Se votar bem for igual a votar em quem você vota, esse não é exatamente um critério.

Qualquer critério pessoal de votar bem é dogmático. Eu não votaria num Mao tse tung, mas tem um colega meu que o considera o melhor presidente da história da humanidade. Da mesma forma que ele não votaria no Reagan.

Nilo disse...

"E os milhões de outros não escolados ganham quanto por mês? Caso específico não diz nada. Na média um ano a mais de estudo dá, sei lá, 10% a mais de salário. Na média."

Isso não é argumeto. Se milhões de analfabetos ganham pouco, é porque não se esforçaram o suficiente. Não conseguem ganhar dinheiro, mas fazer filhos e tomar cachaça conseguem.
Essa ganho no salário só vai até um certo ponto, depois ele decresce. Pesquise, quase não há doutores ricos. Se esse argumento fosse verdadeiro os Estados Unidos seriam o país mais educado do mundo, e não são!!!
A educação traz riqueza, ou a riqueza que traz educação?

Anônimo disse...

Nilo, o Sr(a) não acha muito forte a afirmação de que os pobres são pobres pq querem? Eu acho-a brega -esta totalmente fora de moda falar esse tipo de coisa.

Visão míope do problema. John Stuart Mill já era a favor de políticas que visassem equalizar as oportunidades com o propósito de mitigar círculos viciosos de pobreza. Quem dera se esta mazela fosse tão simples e resolvida somente com força de vontade. Nesse mundo, a situação de equilíbrio seria fabulosa.

Adicionalmente, se observar dados da PNAD, verá que os ganhos com educação apresentam inclinação mais acentuada a partir dos 11 anos de escolaridade. Ou seja, a partir da conclusão do ensino médio, cada ano de estudo a mais apresentará um retorno significamente maior. Se vc comparar o salário de um doutor com o salário de alguém que tem ensino médio irá observar a diferença.

Já em relação à riqueza das nações, é tema controverso, mas acredito depender fortemente da taxa de poupança, crescimento populacional e progresso tecnológico. Nesse sentido, a relação mais direta que enxergo é riqueza em função da educação e não o contrário.

Abs,

João Ricardo

Diego disse...

Caro Nilo, tem esse estudo num livro de econometria. Acho que o autor é o Becker. Cada ano no doutorado contribui com um aumento médio de 5% no salário. Esse aumento é inferior ao aumento de um ano de mestrado, por exemplo, mas, EM MÉDIA, um doutor ganha mais que um mestre. Sem dúvida alguma.

"Pesquise, quase não há doutores ricos."
Você está falando de casos. Eu estou falando em MÉDIA. Se você quiser eu te mando o estudo certinho. Acho que é do Becker.

Agora se riqueza traz educação ou vice versa é algo mais complexo. Eu acredito que aducação traga riqueza em maior peso que a riqueza traz educação. Até porque mensurar quanto vale a educação é complicado. Tem uma série de externalidades da educação bem difíceis de serem calculadas.

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