segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Groucho Marx e a Bahia

Vendo o jornal de hoje, um reporter da Rede Globo pulando o carnaval em Salvador pergunta: "Por que esse bloco nao aceita brancos como eu?", o presidente do bloco nao pensa duas vezes e responde: "Esse eh um bloco afro".

Entenderam? O presidente do bloco disse com todas as letras que branco nao entra ali. Eu como alguem que admira o mercado nao tenho problemas com tal decisao. Acredito sinceramente que seja direito de todo clube escolher quem quer como socio. Contudo, fico assustado com os politicamente corretos que batem palmas para essa decisao. E se um bloco em Santa Catarina proibisse negros com o argumento "esse bloco eh de germanos"? Ja imaginaram a barulheira que seria?

Eh direito dos negros montarem um clube que so aceita negros, tambem eh direito dos gays montarem um clube que so aceita gays, e eh direito dos homens brancos casados montarem um clube que so aceite homens brancos casados. O mercado selecionara e mantera os clubes, e todos serao felizes com suas escolhas. Contudo, eh inconcebivel que negros possam discriminar brancos, mas que o inverso nao possa acontecer.

Eu sou contra qualquer tipo de discriminacao racial, nao aplaudo e NEM ME FILIO a clubes que baseiam seus criterios de aceitacao na cor da pele. E pra fechar com chave de ouro, nada melhor do que a grande citacao de Groucho Marx: "Eu nao aceito entrar num clube que me aceite como socio".

28 comentários:

Simone. disse...

Ahhh prof, agora vc pisou no meu calo!!rs

Acredito que vc esteja se referindo ao Ilê Aiyê, mas esse ano ele vai permitir a participação de brancos sim. O bloco tem uma tradição envolvendo a cultura afro, com participantes da comunidade que estão ligados a isso. Os blocos afros são onde os negros podem brincar o carnaval, diferentemente, dos outros blocos. Como disse Melamed uma vez, ‘o carnaval da Bahia parece um bolo prestígio.’ (os brancos no meio e um monte de negros ao redor, mas os negros são os seguranças do bloco e ñ foliões) Pq o senhor tbm ñ citou os blocos brancos, ou seja, todos os outros? Há blocos brancos tbm, mas ninguém fala. Qdo o negro é segregado ñ há problema algum, ninguém comenta, mas na hora que o negro ‘se segrega’ é taxado de racista. Acho que não é bem por aí não. E outra, a história mostra q foram os brancos q escravizaram os negros. Quer fato maior do que esse para confirmar o que disse sobre ser inconcebível a discriminação de negros? E qdo isso acontece ser extremamente preocupante? Não estou defendendo os negros racistas, mas isso é a conseqüência. E no mais, qdo ando na rua não vejo nenhum negro menosprezando um branco, mas o contrário...

A questão dos blocos afro, creio eu, ser a seguinte: De negros, pois são blocos de bairros negros. Feito para os foliões daquela região.
Hj, infelizmente, o carnaval da Bahia perdeu, literalmente, a sua cor, ou seja, a cor dos foliões. E isso ñ pode acontecer nos blocos afros, señ daqui a uns anos os blocos afros terão que mudar de nome, pois serão tomados por pessoas brancas.
[E isso tudo é culpa de quem? Do capitalismo, evidente!]

Espero ir ao carnaval da Bahia-afro antes que ele seja corrompido e acabe. Mas mais para ver as manifestações culturais presentes nele (q nem de axé eu gosto). õ0

Nilo disse...

Será que alguém teria coragem de ir à delegacia e exigir que os organizadores do bloco fossem presos, já que discriminação racial é crime inafiançável no Brasil? E se fosse, teriam sua reinvidicação aceita por algum juiz?
Ops! Não divia ter dito isso, o anônimo vai me criticar!!!

Pedro disse...

pode indicar o link da materia?

Carlos Pio disse...

Eu fiz esse meso argumento na UnB, ondo leciono Rel. Internacionais: qual a reação da "comunidade" se um grupo resolvesse criar o "centro de convivência branca", alguém apoiaria? e será que ter um "Centro de Convivência Negra" -- que existe -- não pode vir a provocar tal reação indesejável?
Saudações,
Carlos

Chutando a Lata disse...

Eu particularmente só aceito uma forma de discriminação: a do preço, estabelecida em mercado. Em relação ao bloco Afro é preconceito sim. Para piorar, esse blogo de Afro ainda deve ter verba pública.Agora, cada um tem o direito de não querer ou não gostar de qualquer coisa, inclusive de mim. Mas quando me alijam de uma vida social normal, que não encontra amparo na cultura do meu país,mas apenas por preferências subjetivas, não posso aceitar. De qualquer forma, posso expressar minhas preferências. Assim, começo com : Odeio os blocos afros. E se eles gostam tanto assim da cultura africana, boa viagem e ajudo a pagar a passagem de ida.

Fábio Mayer disse...

Se o Brasil fosse um país sério e o nossoMinistério Público não fosse um conjunto de demagogos pouco afeitos ao trabalho, este senhor seria indiciado com base na Lei Afonso Arinos.

Mas o Brasil, não e sério, e nem as autoridades querem saber de aplicar a lei

Simone. disse...

Prof. Pio, na verdade os próprios freqüentadores do CCN discutem sobre a mudança do nome, e, acredito, que será mudado em breve. E o centro não é restrito a alunos(as) negros(as).

'Odeio os blocos afros. E se eles gostam tanto assim da cultura africana, boa viagem e ajudo a pagar a passagem de ida.' [Acho q deveria ser aplicada a citada lei nesse prof. tbm]

Tá vendo prof Adolfo, Esse tipo de comentário é ou não é extremamente racista? Já viu negros dizendo coisas do tipo sobre a cultura branca? A questão é justamente essa: os brancos sempre acham que podem coisificar a cultura dos negros, menosprezando-as e não mostrando, mesmo que não gostando, respeito por ela.

Pedro disse...

Simone,
se eu fizer um "bloco ariano" ou "volks blok" e sair na rua difundindo a cultua "europeia", em que esse bloco so aceite imigrantes italianos, alemães, portugueses, espanhóis do que me chamariam? O que o Ile Aye faz é discriminação sim, replica a discriminação dos brancos em relação aos negros. So alimenta mais ainda o ciclo. E se acha que o carnaval de salvador perdeu suas raizes ok, vamus fazer o seguinte: proibe turistas playboy pra la no carnaval, volta aos blcos não comerciais. O que sobra pra Salvador?
Essa discriminação chama-se racismo e é crime inafiançável segundo a constituição. Mas como o Ile e "patrimônio cultural da Bahia" ninguem vai fazer nada. Vi a reportagem, o fundador do bloco fala, vou "abrir" quando toda a bahia for "igualitária e justa", ou seja NUNCA. Quando o negro e segregado ou se acha segregado ele deve denunciar que o discriminou.

Pedro H. Albuquerque disse...

South Park, humor de inigualável qualidade, já fez um "estudo cuidadoso" (ha, ha) deste problema faz dez anos no episódio "Cripple Fight", vejam este clip aqui:
http://www.southparkstudios.com/clips/104201/

Anônimo disse...

'Culpa do capitalismo'. Coitadinho dele gente. Brancos e negros se descriminam por causa da cor de suas peles, e o bom e velho capitalismo leva a culpa de novo. A terra sim é livre de preconceito, quando se enterra um SER HUMANO ela não quer saber da cor.

Ginno NT

JOÃO MELO disse...

Adolfo,

Para que situação mais complexa do essa atual política de cotas? Concordo contigo que cada clube aceite quem eles queiram como sócio. O que é lamentável é o inverso da situação. SE um clube branco bloqueia a entrada de um negro, não vai faltar 300.001 críticas ao clube.
Quanto a colega Simone citar, pelo que entendi, culpa do capitalismo na situação, realmente penso(se essa é a ideia dela) que não faz o menor sentido.

Abraçao,

João Melo, hoje direto de Lisboa.

Simone. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cláudio disse...

A discriminação do bloco Afro é legítima, como qualquer outra feita por uma entidade privada - se ele receber um centavo público aí a coisa muda de figura, mas acho estranho o argumento "eu discrimino porque sou discriminado."

É fato conhecido que muitos dos blocos da moda de Salvador fazem uma seleção dos que podem comprar seu abadá. Dizem - não tenho provas - que até foto é exigida para que só "pessoas bonbonitas" sejam selecionadas. Novamente: discriminação legítima se não há dinheiro público envolvido. Só que essa discriminação não pode ser explícita senão dá cadeia.

Outra coisa que não faz mais sentido depois de tanto que já se sabe sobre a história da escravidão é afirmar que negros foram escravizados pelos brancos APENAS.

De qualquer forma nada disso importa porque isso já virou uma questão política e quando a política entra em cena, bye bye ética, princípios, etc.

Anônimo disse...

Caros,

Tenho duvidas quanto a discriminação em blocos ser legítima. Mesmo sendo privado e sem dinheiro público (o que eu duvido, mas realmente não sei) o bloco se utiliza da rua que é um espaço público. Se o bloco fizesse sua festa em uma fazenda, uma boate ou qualquer espaço privado concordaria que a discriminação é legítima.

O motivo da discriminação não se sustenta. Preço, por maior que seja, não impõe discriminação racial (seja lá o que for isso), é provável que os proprietários de alguns blocos "comerciais" sejam eles mesmo negros ou não-brancos, com se dá uma discriminação racial de negros contra negros? No mais, pelo que conheço de Salvador, não é muito, não consigo imaginar um bloco sem negros entre seus participantes, alguns minutos vendo os camarotes pela televisão e/ou vendo os destaques nos trios confirmam minha suspeita.

A história da escravidão deve ser usada sem o devido cuidado. Não apenas negros eram escravizados por negros como já ocorreu escravidão de branco por branco (alguém lembra do Spartacus? Por que Moisés estava fugindo do Egito?); escravidão é horrível mas não é exclusividade de nenhuma raça ou etnia.

Quanto ao comentário do Chutando Lata, conheço o autor para apostar que ele também pagaria passagem só de ida para o suposto bloco germânico de Santa Catarina.

Por fim, para render a devida homenagem a Marx, o relevante, o Groucho, lembro que "estes são meus princípios, se você não gostar.... tudo bem, eu tenho outros".

Abraço,

Roberto

P.S. Cara Simone, faça o que fizer, por favor, não volte para o segundo grau para aprender sobre capitalismo, acredite em mim o que eles ensinam lá está errado.

Simone. disse...

Pedro, contando q o seu bloco divulgue somente a cultura ñ verei problema algum. Mas vc há de convir que qdo os brancos se juntam, proibindo negros, eles realmente são racistas. Vc já ouviu falar da Ku klux klan? No começo, o intuído da KKK não era sair linchando os negros. No início se juntavam p ‘exaltar’ as coisas em comum do grupo e a ascendência.

Ah, pr'aqueles q não entenderam qdo disse q a culpa era do capitalismo... releiam de novo o q escrevi, sim! Nesse ponto já me referia a outra coisa. O preço dos abadas é q afastou a população negra do circuito Barra-Ondina. E é o q acontecerá se começarem a abrir os blocos-afros. Cobrarão caro...
Pedro H A., então vc quer dizer q a busca por lucro cada vez maior ñ é fruto do capitalismo?? Meu Deus, vou voltar p o 2º grau pq aprendi errado!! õ0 (e eu ainda perco tempo me re[explicando] )

Ah Pedro (o outro agora, o sem sobrenome), o carnaval, lá, é puramente comercial sim, mas não para aquela população q ñ tem $ para participar. Tudo bem q o gov. lucre muito, mas a população... Existe um documentário q é muito bom p esclarecer as diferenças encontradas no carnaval de Salvador intitulado ‘Cordeiros’.

Hugo disse...

É isso ai, já inventaram até um novo sinônimo para discriminação - além da "cota" -, que é "patrimônio cultural da Bahia". Discriminação agora é coisa que precisa ser preservada, tendo, inclusive, nome e sobrenome.

Pedro disse...

Pois é, manifesto a ideia de fundar um bloco europeu de carnaval é ainda no mesmo forum já existe a comparação com a KKK.

Imagina que tipo de ações eriam feitos publicamente... linchamento seria o menos pior que imagino que aconteceria com os partidarios do bloco.

Pelo menos não fui comparado à SS...

Nilo disse...

Agora por sermos brancos temos que ser punidos pelo que pessoas fizeram a séculos!!! É o mesmo que punir seu filho por um crime cometido por você, e ainda é culpa do capitalismo que exclui quem não pode comprar um abadá!!

Chutando a Lata disse...

Para a Simone. Aplique a Lei. Tenha coragem. Porque eu sei exatamente que tipo de processo moveria contra voce. Reafirmo. Odeio os blocos afros.Se alguém ai clama por reparação histórica, contribuo: só com passagem de ida.

Ginno disse...

Eu não tenho dinheiro pra comprar abada, ai eu monto um grupo só de negros em que não aceito branco. Que solução criativa.

Cartilha do Povo Brasileiro:

1° Lição: Vou descriminar afinal todos descriminam.
2° Lição: Vou jogar esse papel no chão, afinal todos jogam.
2° Lição: Vou roubar afinal todos roubam.

Não me parece algo a ser seguido.

Anônimo disse...

Lucas Santos

Creio que vou fugir um pouco do assunto, mas vamor lá.

Eu sou quase negro, na verdade nem sei direito qual é a minha cor. Mas uma coisa eu digo com convicção. Quando se trata de discriminação, o que vejo nos locais onde convivo é que tanto negros quanto brancos se discriminam entre si, no entanto a ênfase que é SEMPRE dada, é o preconceito do branco para com o negro. Já vi várias pessoas usando camisetas com a frase: 100% NEGRO. Eu dúvido se alguém teve a oportunidade de ver alguém com uma camisete com o emblema: 100% BRANCO. Alguém? E caso fosse visto, com toda certeza essa pessoa seria taxada de racista. Eu acredito que onde não sou bem vindo, realmente não faço a menor questão de estar presente, a não ser que o ambiente me traga algum tipo de crescimento, que eu queira bastante. Mas em se tratando de Carnaval, onde o nosso glorioso país possui a capacidade de arregimentar multidões, com um propósito ao meu ver imoral, indescente e até mesmo IDIOTA, para pular e se "pegar", aproveitando e disseminando milhares de doenças (DST's e outras) e causando mortes nas ruas e rodovias. Eu faço questão de estar é bem longe, tanto de blocos negros, brancos ou de qualquer outra denominação que utiliza uma pose de argumento cultural para celebrar uma coisa tão fútil quanto o carnaval. A todos os defensores do carnaval, só faço uma pergunta. Você compraria uma abadá e daria para a sua filha adoslescente? Sei que muitos responderão sim, a esses, só desejo meus parabéns pelo possível neto que está por vir.

Lucas Santos

Anônimo disse...

Off Topic:

http://www.forumdaliberdade.com.br/fl2010/localizacao.php

Tá faltando vc professor

Anônimo disse...

Como empreendimento privado, acho que pode sim existir. Mas, convenhamos, que retardados. Seria tão retardado quanto um "bloco branco". Quando as pessoas vão entender que gente é tudo igual?

abraços, Zamba

Raquel disse...

Adolfo,
Adorei essa postagem!!!
Sou uma pessoa completamente contra qualquer tipo de discriminação relacionada a cor da pele!!! Sei que com relaçao a esse bloco de carnaval existe a questão cultural,mas sei tambem que se fosse o contrario ( um bloco de carnaval onde só fosse permitida a entrada de pessoas brancas), com o argumento de que é por questões culturais geraria uma tremenda confunsão...
Bj...
Raquel

Anônimo disse...

É comprovado que A História se repete; que o homen cada dia sabe
menos...coitado do cêgo que nao quer vê...nao esquecam que: cada um só colhe o que planta! Nao reclame depois....

Kênia Marques disse...

Acredito que o preconceito racial e muito maior do que a maioria pensa. Parece que ficou pré-estabelecido que só quem e negro é discriminado e isso é uma grande mentira, esse bloco é um grande exemplo, usando como desculpa “O patrimônio Cultural” e Blábláblá... Que na verdade não passa de um preconceito racial como tantos outros. Pq não podem existir blocos e outros tipos de movimentos exclusivos para brancos??? Pq caso isso aconteça com certeza será manchete no Jornal das Oito.
Quanto usar a questão financeira que tomou conta do carnaval de Salvador como desculpa, parece um pouco incoerente, pq me pergunto todos os pobres são negros, não existem brancos que também não podem pagar pelos seus abadas??? Estes também não são excluídos???
Acho esta questão de discriminação racial tão complicada quanto discutir outros assuntos, tais como: política e religião. E tão polêmica porque muitas vezes a intolerância impera, pq cada um só enxerga o seu ponto de vista. Mais a questão requer uma visão muito mais ampla e de maior tolerância. Vivemos num pais multirracial onde quase não existi uma linhagem pura, a grande verdade é que somos todos frutos de uma grande mistura.

Fatynha disse...

Profº, concordo com vc em grau, gênero e número quanto em "uma crítica construtiva a Reinaldo Azevedo", até imprimi para ler depois com mais calma.

Leo Lucas disse...

E há algum não-branco nos grupos de dança germânica de Santa Catarina?

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