terça-feira, 23 de março de 2010

20 Anos do Plano Collor

Em março de 1990, o Presidente Fernando Collor de Mello comunicou a população um dos mais polêmicos planos econômicos que atingiram a economia brasileira. Entre o pacote de medidas divulgadas, o confisco da poupança era de longe a pior idéia. Confiscar a poupança é o mesmo que confiscar a propriedade privada, e em países onde a propriedade privada não tem segurança dificilmente se estabelecem as condições necessárias para o crescimento econômico de longo prazo.

Confiscar os recursos privados de brasileiros foi um grave erro político, mas foi pior ainda em termos econômicos. A desestabilização decorrente de uma medida tão imbecil como essa foi grande, e ainda hoje (20 anos depois) existem processos judiciais tramitando por conta desse absurdo econômico e jurídico. Só num país com instituições tão fracas, como o Brasil em 1990, para o presidente não ser imediatamente deposto em decorrência dessa medida.

Deixando claro que considero o confisco da poupança uma medida lamentável, vamos adiante. Verdade seja dita, o Plano Collor tinha trunfos importantes: privatização de empresas, abertura econômica e redução do tamanho do Estado. Todas essas medidas, fundamentais para garantirem o crescimento de longo prazo da economia, foram tomadas acertadamente por Collor. Hoje parece ser óbvio que a privatização trouxe ganhos para a população brasileira, mas na época de Collor era muito diferente. Piquetes e barricadas eram organizados nas ruas para se impedir a privatização de empresas estatais ineficientes. Foi Collor quem enfrentou tais manifestações, e pagou um preço político caro por isso. Foi Collor que obrigou a abertura da economia brasileira ao resto do mundo, acabando com a lei de informática por exemplo. A lei de informática obrigava o brasileiro a comprar computadores caros, e de péssima qualidade, de empresas brasileiras. Essa lei foi um verdadeiro atraso tecnológico para nosso país. Instituto Brasileiro do Café (IBC) e Instituto do Álcool e do Açúcar (IAA) foram outros dois elefantes brancos extintos acertadamente por Collor.

Em março de 1990, eu era calouro no curso de economia da Universidade Estadual de Londrina. Durante os seminários que debatiam o Plano Collor, num salão lotado de estudantes e professores de economia, a única pessoa lúcida do ambiente disse: “Os computadores brasileiros são uma merda”. Nesse momento, alguém se levantou e gritou: “São uma merda sim, mas são uma merda nossa!!!”. O auditório veio abaixo em aplausos e urras de aclamação. Esse era o ambiente enfrentado por Collor.

Depois de 20 anos do Plano Collor minha leitura é simples: por pior que tenha sido o confisco da poupança, acredito que o saldo do Plano Collor tenha sido benéfico para a população brasileira. Teria sido muito mais benéfico se Collor não tivesse confiscado a poupança, mas acredito que, em termos de crescimento de longo prazo, o Plano Collor gerou mais benefícios do que mazelas. Abertura econômica, privatização de empresas e redução do tamanho do Estado, foram medidas corajosas e acertadas do Plano Collor.

9 comentários:

Anônimo disse...

Corajoso post.
Mexer com aquele vespeiro, foi um ato certo de quem acabava de ser eleito majoritariamente sem medo, mesmo após passar por um 2º turno contra todas as esquerdas e simpatizantes sendo eleito por um partido sem expressão.
Bem diferente nos dias atuais. "Nossos" eleitos são uns borra-botas, como diria meu avô!
Ou "amigos do rei", não é Aécio?
Brados
Martins

Fábio Mayer disse...

Collor havia declarado que tinha apenas uma bala na agulha e por isso, entrou na besteira de sustar a poupança.

Mas concordo com você, graças àquele plano, iniciou-se um processo de enxugamento da máquina pública, que culminou anos depois com o plano Real e acabou colocando a economia brasileira em parâmetros aceitáveis, capazes de conter a inflação.

Todas as demais medidas do plano eram óbvias e ululantes: o Brasil experimentava inflação desmesurada porque seu Estado era (como é até hoje, embora em grau menor) perdulário, irresponsável e empreguista, sendo que havia um sucateamento claro dos órgãos da administração pública direta e um inchaço colossal nas companhias estatais, institutos e fundações que eventualmente não precisavam lotar seus cargos por concurso público.

Collor também tentou uma reforma previdenciária que acabasse com um dos maiores absurdos da coisa pública brasileira: muitos servidores se aposentavam ganhando mais do que na ativa. Mas que eu lembre, nisso ele não teve sucesso.

Os petistas não aceitam historia oficial, mas eles foram semre CONTRA todas as medidas de ajuste fiscal. Foram favoráveis ao empreguismo nas estatais mantidas om recursos do Tesouro, tentaram impedir as privatizações e chantagearam o povo brasileiro com greves, grevs gerais, piquetes e manifestações nem sempre pacíficas.

Collor foi um péssimo presidente, mas em muito contibuiu para isto, ter tido uma péssima oposição.

Havia MILHARES de veículos da frota pública que só serviam aos funcionários que os usavam como carros particulares. Havia dezenas de empresas estatais completamente FALIDAS, mantidas em funcionamento com recursosdo Tesouro Nacional. Havia imóveis entregues de graça para uso particular de servidores e políticos.

Gustavo S. Cortes disse...

Muito bom, Adolfo.

A ponderação das consequências positivas e negativas do Plano Collor é necessário para que não culpemos em demasia algo que, até certo ponto, trouxe benefícios para a sociedade brasileira.

Agora, sobre o nacionalismo jurássico, o lamentável é saber que ainda há resquícios daquela saraivada de aplausos na Londrina de 1990 ainda hoje, quando o Governo Federal defende medidas nacionalistas retrógradas.

Abraços,
Gustavo Cortes.

Leandro disse...

A verdade seja dita. Graças a abertura da economia para o resto dos paises tivemos a possibilidade de fazer nossas idústrias e o comércio em geral entrar no avanço tecnológico. Não me lembro tão bem assim de como foi o governo Collor, minha vaga lembrança apenas me faz recordar dos varios movimentos e da grandiosa repercução causada por esse confisco nas economias da população. Esse deve ter sido o seu erro crucial, causando a perda do seu mandato.
Acredito que todo governo tem seus prós e contras e, é preciso analisar com cuidado ambos os lados antes de sair criticando de fundamentos.

Zé luiz 20 disse...

O Plano Collor foi de suma importância para o país naquela época, tirando a parte do confisco. O país não andava bem, tudo dependia de uma máquina pública que não funcionava e o plano, pensando a longo prazo, resolveu parte dessa questão.Sobre a respectiva lei de informática digo o mesmo, como estaria o país hoje se naquela época não tivesse tomado tal providência? Todo sucateado.

Augusto Freitas disse...

Recordar é viver.

Collor x Lula
http://www.youtube.com/watch?v=A22Mj747geI&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=JRQ-O1IvBmg&feature=related

Augusto Freitas disse...

Caro professor e caros amigos deste blog. Disponham de alguns minutos do seu tempo para ver esse CHUTAÇO DE LATA que o programa CQC, da TV Bandeirantes deu.

Repórter do programa se fingiu de empresário para doar uma televisão para a Secretaria de Educação do município de Barueri-SP. Essa televisão deveria ter sido encaminhada para uma escola. Foi instalado um aparelho GPS que, além, de informar a localização exata da televisão, ainda registrava quando a mesma era ligada e desligada.

A doação aconteceu no início do período de férias, mas estranhamente a televisão foi utilizada todos os dias, inclusive à noite. Não vou contar o resto da história para não tirar o sabor deste acontecimento.

Vale muito a pena ver. Segue o link para a página do programa http://www.band.com.br/cqc/ Sugiro que vejam os vídeos em sequência. O primeiro intitula-se "Proteste Já Sem Censura - Parte 1"; o segundo "Proteste Já Sem Censura - Parte 2". O terceiro segue neste link.

http://www.band.com.br/cqc/blog.asp?id=280149

O terceiro explicita a pessoa que é o governador de Barueri, senhor Rubens Forlan (PMDB). Pra quem se indigna com esses absurdos que nos são apresentados todos os dias é um prato cheio. Repito, vale a pena ver.

Chutando a Lata disse...

Algo quando é bom tem que durar algum tempo. O que sobrou desse plano? Mesmo a abertura comercial foi uma farsa. Veja hoje o que temos em termos de proteção.

Anônimo disse...

Infelizmente a redução do tamanho do Estado foi realizada de forma atabalhoada.

Também, quem nasce para Zélia/Cabral não chega a Malan/Serra.

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