domingo, 14 de março de 2010

Inflação, Contas Públicas e o Banco Central Brasileiro

Interessante notar a recente mudança de opinião dos analistas econômicos referente a inflação no Brasil. Até dezembro de 2009 era consenso entre tais analistas que a inflação não seria um problema. Durante uma sessão de conjuntura econômica, ocorrida em dezembro de 2009, no Encontro de Economia (que ocorreu em Foz do Iguaçu-PR) perguntei aos palestrantes por que os mesmos não endereçavam a inflação como um problema. As respostas foram variadas, mas todos foram unânimes em afirmar que num horizonte de médio prazo a inflação não era problema.

Os leitores desse blog sabem que eu venho alertando a tempos sobre o problema da volta da inflação no Brasil. Aconselhei com todas as letras que se façam dívidas em juros pré-fixados, essas dívidas com a volta da inflação serão um ótimo negócio para o devedor. Disse com todas as letras que em 2011 teremos problemas com a inflação. Só não entendo o motivo da relutância de tantos analistas de enxergaram um problema tão simples. Existem duas razões bem claras que sinalizam para o problema inflacionário. A primeira razão é que a política monetária, ao contrário do que é alardeado, não é tão restritiva no Brasil. Em segunda lugar a política fiscal tem sido mais frouxa ainda que a política monetária.

Os dados referentes a expansão do M1 (fornecidas pelo Banco Central) deixam meu ponto claro: de janeiro de 2003 a janeiro de 2007 (o primeiro mandato de Lula) a oferta de moeda (M1) cresceu 68,34%. De janeiro de 2007 a janeiro de 2010 o M1 já creceu em 45,36%. Isto é, entre janeiro de 2003 e janeiro de 2010 a oferta de moeda cresceu em incríveis 144,7%, sendo que só entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010 esse crescimento foi de 15,37%. Cedo ou tarde esse incrível aumento de moeda vai ser transformado, pelo menos em parte, em aumento de preços.

Do ponto de vista fiscal, o panorama também não é melhor, os recursivos aumentos salariais concedidos a funcionários públicos aliado a contratação de cada vez mais servidores pressiona o orçamento público. Um ano eleitoral também não apresenta o melhor ambiente para se acreditar que o gasto público será reduzido. Resumindo, o panorama para as contas públicas em 2011 não parece ser dos melhores. Isso indica que o caminho fácil da inflação para sanar contas públicas pode voltar ao cenário nacional. Não custa lembrar que para Dilma uma inflação de 10% ao ano não é grande problema.

Não bastasse tudo isso, o governo é cheio de “especialistas” prontos a apoiar uma intervenção governamental na taxa de câmbio. Fixar a taxa de câmbio, para controlar artificialmente a desvalorização cambial, é outra daquelas soluções que só tendem a piorar ainda mais o cenário econômico.

6 comentários:

Gustavo S. Cortes disse...

Pois é, Adolfo.

E, se Dilma realmente ganhar, há grandes chances de vermos o país transformar-se novamente em laboratório dos "especialistas" e seus experimentos econômico-pirotécnicos.

Abraço,
Gustavo Cortes.

Fábio Mayer disse...

O fato é que estão tentado minimizar a inflação porque o governo do PT aumentou os gastos públicos ruins e vê no horizonte um desajuste fiscal.

Óbvio que será necessário dar mais um turno na fábrica de desculpas. Tem gente dizendo uma frase conhecida no início dos anos 70, mais ou menos assim:

"Um pouco de inflação é o reflexo da intervenção governamental na economia, mas é um mal necessário".

Além da péssima qualidade dos gastos públicos, o governo começa a ser ator principal na arena econômica, está ressuscitando companhias estatais em áreas das quais deveria se afastar.

Este governo contratou um exército de comissionados, uma verdadeira horda de gente desqualificada para o serviço público. E promoveu gastos sociais e por fim, estpa reabrindo estatais.

Caminhamos para um cenário inflacionário, mas a hiponose emvolta da popularidade do presidente diminui essa percepção.

Nem sei como alguns contratos podem se beneficiar da inflação. Os imobiliários, por exemplo, são todos corrigidos por índices, não há parcelas fixas.

Anônimo disse...

Dá para dizer alguma coisa? Talvez que se Deus existir e for brasileiro, Ele é um grande gozador. Como é possível, depois de tanto sofrimento, nos brindar com um governo tão PicareTa?

JOÃO MELO disse...

Adolfo,

Inflação sempre é problema. Realmente quem pensar diferente, acreditando que tudo está 100% normal, dará com os burros n'água.
Adolfo, Estava dias atrás vendo numa TV medieval que temos na fazenda o JN, quando, rapidamente,acredito vi você falando acho sobre o PIB.
SE ok, você é o cara!!!
Se não, o JN precisa procurar ouvir você ao invés de certos colegas com conceitos tão medievais quanto a nossa TV.
Abração,
João Melo, direto da selva!

Anônimo disse...

Existe uma tal de operacao compromissada que enxuga a liquidez. Logo, esse "incrivel" aumento do M1 nao tem efeito nos precos.

Chutando a Lata disse...

Pergunto ao professor Marco, esse aumento de M1 que o Prof. Adolfo fala não é preocupante? Isso não pode gerar uma alta significativa na inflação?

23 Março, 2010
Chutando a Lata disse...
Boa pergunta. Você tem que considerar o tipo de política monetária que o Banco Central está usando: metas inflacionárias. Este regime tem como elemento central a gerência da taxa de juros para que a inflação fique dentro da meta estabelecida. Como você lembra da teoria quantitativa da moeda, o aumento da oferta monetária pode ser compensado por três elementos: produção, inflação ou velocidade renda da moeda. Neste regime de metas inflacionárias caberá a taxa de juros o papel de equilibrar oferta e demanda agregadas, de forma que os preços se comportem a observar a meta inflacionária definida pelo Bacen. Veja que o efeito dos juros deverá atuar de forma a adequar as taxas de crescimento desses três elementos (produção, inflação e velocidade renda) às taxas de crescimento monetário, atuando, pois, também, sobre a velocidade renda. O problema maior é saber quanto custa efetivamente para o país essa política. A redução na produção acarreta redução de bem estar que podem ter componentes duradouros, como o enfraquecimento tecnológico e a conseqüente perda de competitividade da economia. Para piorar, sabemos que existe a esquizofrênica indexação dos juros selic à dívida interna que aumenta espontaneamente o custo dessa política, desnecessariamente (será?). Não é por outra razão que um número de crescimento monetário como esse apontado pelo Adolfo tem que requerer um aumento dos juros expressivo. Isso não significa que avalizo a política atual do BACEN. A razão principal de minha discordância está no imbróglio que o BACEN nos coloca, pois, no fundo, acaba respaldando a desordem fiscal e tributária em que nos encontramos, fruto do que chamo modelo da Casa Grande & Senzala.

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