domingo, 11 de abril de 2010

Falhas de Governo e Falhas de Mercado

Muito é discutido nos jornais sobre as falhas de mercado, ou seja, situações nas quais o mercado não é capaz de ofertar a quantidade socialmente desejável de determinado bem. Nesses casos, os livros textos de economia sugerem que o Estado deve intervir na economia. O que nem os jornais nem os livros textos dizem é que também existem falhas de governo. Isto é, situações onde a atuação do governo causa distorções que afetam negativamente a sociedade.

Quando uma falha de mercado é identificada, rapidamente surge um grupo que pede a intervenção do governo. Eu sugiro que tais defensores do governo se perguntem antes: exatamente como o governo será capaz de corrigir um problema que nem o setor privado foi capaz de corrigir? Evidentemente, existem situações onde a atuação do Estado melhora a situação da sociedade. O que eu questiono aqui é a habilidade do governo em sempre ser capaz de melhorar o equilíbrio de mercado. Parece até que o governo é composto por pessoas geniais e desprovidas de interesse próprio, movidas apenas pelo bem comum. Na realidade, os funcionários públicos são pessoas comuns (como qualquer um de nós), e que por vezes tem interesses e motivações muito distintas das necessárias para determinadas situações.

Sim, o mercado tem falhas. Sim, em muitos casos o governo é capaz de corrigir tais falhas. Contudo, numa gama grande de situações a atuação do governo apenas piora a falha de mercado. Monopólios são o exemplo mais claro de meu argumento. Você conhece algum monopólio privado? Se conhece, aposto contigo que esse monopólio é mantido por alguma lei ou benesse do Estado. Dificilmente um monopólio se mantém por muito tempo sem contar com algum apoio do governo.

Antes das chuvas no Rio de Janeiro, a defesa civil identificou 144 pontos de risco na cidade. Após as chuvas foi verificado que nessas 144 áreas de risco morreu apenas uma única pessoa. Em resumo, mesmo tendo muito tempo a defesa civil simplesmente identificou as áreas erradas como sendo de risco. Note que dado o volume das chuvas, seria de se esperar uma tragédia muito maior nessas áreas. Contudo, as mortes no Rio se concentraram em áreas outras, não identificadas originalmente como sendo de risco. Este é mais um exemplo de falha do governo. Tão importante quanto tentarmos corrigir as falhas de mercado é identificar e corrigir as perigosas falhas de governo.

7 comentários:

Anônimo disse...

Por isso que a Dila ta vindo aí, pra resolver todos esses problemas...

Pedro H. Albuquerque disse...

Bem lembrado Adolfo. A maior falha dos economistas no momento é não darem suficiente ênfase ao fato de que falhas de governo são hoje um fenômeno muito mais importante do que falhas de mercado.

Fabricio disse...

Acho que é válido se perguntar, por que houve o erro? Apenas simples erros técnicos ou alguma tentativa de favorecimento dos investimentos públicos e consequente desvio de verbas? Infelizmente, em termos de Brasil, temos que nos perguntar e chegar no fundo deste buraco.

Ginno disse...

Adorei o senso de humor do anônimo.

Governo deve intervir em caso de monopólio e de externalidade negativa. Sinceramente eu nunca vi o governo intervindo por causa desses dois motivos.

Chutando a Lata disse...

Até porque não corrigir falha de mercado certamente é falha de governo.

Anônimo disse...

Falhas de governo são muito mais frequentes do que falhas de mercado. Exemplos? Controles de preços, políticas expansionistas e intervenções em geral. Quem já viu algum resultado social positivo de controle de preços? E de expansões monetárias? Então, por que há sempre algum graúdo sugerindo tais medidas? Porque as falhas de governo sempre beneficiam alguns, em detrimento de muitos.

rafael p. disse...

bom post !

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