terça-feira, 4 de maio de 2010

Sachsida Ajuda o Reino Unido

O Reino Unido, outrora berço do liberalismo econômico, é hoje um baluarte das regulações, intervenções do governo e impostos. Evidentemente um local como esse não pode prosperar, e logo se vê envolto em problemas econômicos. Essa é exatamente a situação atual dessa outrora majestosa ilha. A recente crise financeira ainda não mostrou o pior de sua face nas terras de sua majestade, mas isso logo logo irá ocorrer. Sabendo desse problema crônico, o parlamento britânico acaba de me pedir ajuda. Abaixo segue, em primeira mão para os meus leitores, o Plano Sachsida para o resgate do Reino Unido.

1ª Parte: Torrar o dinheiro público
O resgate do Reino Unido começa com um maciço pacote de gastos do governo. Se gastar uma libra é bom para estimular a demanda, então gastar 10 bilhões deve ser melhor ainda. O fundamental é gastar muito, mas ao mesmo tempo devemos retirar da contabilidade os gastos emergenciais, os gastos prioritários, os gastos com saúde, os gastos com educação, os gastos militares, os gastos com infra-estrutura, e os gastos com pagamento de juros. Após isso, o Reino Unido (apesar de executar gastos monstruosos) apresentará ao público uma aparência impecável de responsabilidade fiscal.

2ª Parte: Inundar o mercado com crédito barato
Usando a experiência de sucesso do BNDES brasileiro, criaremos no Reino Unido o BNDES inglês. Sua principal tarefa seria captar compulsoriamente recursos dos trabalhadores e destiná-los a projetos gigantescos, que por alguma miopia de mercado não encontra financiadores no setor privado. Ao mesmo tempo o BNDES inglês faria operações de empréstimo junto ao Tesouro britânico (similar ao que já ocorre no Brasil), visando aumentar ainda mais os recursos (com juros subsidiados) postos a disposição de projetos ousados que necessitam de ajuda estatal (afinal os empresários privados não estão preparados para terem lucros apenas no longo prazo).

3ª Parte: Criação da Caixa Econômica Federal da Inglaterra
Para dinamizar o mercado imobiliário iremos criar um banco com o objetivo de usar recursos do Tesouro, e dos trabalhadores, para expandir o crédito subsidiado para a compra de imóveis. Crédito que será usado também para financiar pessoas que não tem condição de pagar tal empréstimo. Campanhas como “Imóvel nunca perde valor” e “Imóvel é 100% seguro” serão vinculadas na mídia para estimular a demanda por imóveis. Bancos privados serão pressionados a extender crédito imobiliário a todos, sob ameaça de processos judiciais.

4ª Parte: A contribuição das Organizações Não-Governamentais
Atenderemos todas as demandas das organizações não-governamentais referentes ao meio ambiente. Isto é, limitaremos ao extremo a quantidade de terrenos livres para a construção. E limitaremos também o tamanho das construções. Essa medida preserva a beleza arquitetônica do Reino, ao custo de aumentar o preço dos imóveis. Tal medida irá requerer ainda mais crédito para a compra de imóveis.

5ª Parte: Banco Central sem medo do desenvolvimento econômico
Não podemos ter um Banco Central com medo do desenvolvimento econômico. Assim, as taxas de juros serão mantidas artificialmente baixas durante todo o período (independentemente das enormes pressões por mais crédito).

Seguindo esse plano simples teremos, em uns 4 ou 5 anos, uma bolha imobiliária gigantesca no Reino Unido, aliada a enormes fragilidades no setor financeiro, e uma situação fiscal insustentável. Assim que o caos se instalar, basta o primeiro ministro fazer o seguinte pronunciamento: “O mercado mostrou sua verdadeira face... confiamos demais no liberalismo econômico e agora estamos arruinados. Isso é culpa dos ganaciosos especuladores. Ou o FMI, o Banco Mundial, os EUA, o Japão, a Alemanha e a Comunidade Européia nos ajudam, ou teremos uma crise financeira de proporções mundiais, com o temível efeito contágio levando todo o mundo civilizado para a ruína”. Após 3 dias de intensos debates, sem ouvir os contribuintes, o resto do mundo decide enviar uma ajuda emergencial de 10 trilhões de euros para o Reino Unido para evitar o colapso financeiro a nível mundial.

Com os 10 trilhões de euros, coletados do resto do mundo, sanearemos as finanças inglesas, daremos casas ao pobres, pagaremos enormes dividendos aos ricos, melhoraremos a infra-estrutura inglesa e diminuiremos os impostos cobrados da classe média. Ai esta o resultado do Plano Sachsida: após 4 anos de farra na Inglaterra o resto do mundo paga pelo ajuste. Claro que em alguns anos outros países irão a bancarrota, mas isso não é problema inglês.... quem mandou não serem fiscalmente responsáveis?

10 comentários:

Nilo disse...

Esse seu plano me parece familiar!

Chutando a Lata disse...

Só faltou acrescentar que depois de 10 anos estariam comemorando a Lei de Responsabilidade Fiscal que inclusive nada fez para coibir o Tesouro de repassar uma grana espetacular para o BNDES. Depois ainda dizem que nós é que somos malucos. Fazer o quê?

Augusto Freitas disse...

"Malandro é malandro. Mané é mané".

Anônimo disse...

Perfeito!!! Como colaboração sugiro que a Caixa Econômica de lá seja chamada "Royal Economic Box"

Abraço,

Roberto

Marcelo disse...

Acho que você esqueceu dos sem-terra, no caso os "Without Island"

Abs

Anônimo disse...

Kkkkkk!!! Ilário Professor!

Plano perfeito para se acabar com um país.

amauri disse...

Boa tarde
Li hoje na FSP um artigo de certo empresario dizendo o seguinte:
"... o deficit fiscal medio na zona do euro deve ficar acima de 7% do PIB e a situação do Brasil esta muito distante deles com um deficit esperado para este ano de 2,4% do PIB."
Neste artigo o senhor, na minha opinião com muito humor, deu as dicas que são adotadas no Brasil e, os ecomonistas que leio on line fala de um futuro para nós preocupante. Segundo o empresario dito acima, ele não vê problemas na economia brasileira. Qual a sua opinião?

Anônimo disse...

Ai ai, esse plano ta sendo aplicado em algum lugar bem próximo de nós...

Anônimo disse...

Depois vire diretor de uma incorporadora.

Escreva um artigo na WIMOVEIS, chamando economistas que prevêem bolhas imobiliárias como "desocupados".

Afirme ainda que imóveis sempre se valorizam enquanto a bolsa é que sobe e desce.

rsrsrsr

Leo

Julek disse...

Caro professor, uns dias atrás e sem ter conhecimento deste seu artigo, enviamos o nosso time de especialistas brasileiros também para a Grécia. O mundo em crise precisa conhecer o bem-sucedido modelo brasileiro.

Um grande abraço

http://trilhaliberal.blogspot.com/2010/05/pacote-de-ajuda-brasileira-para-grecia.html

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