domingo, 6 de junho de 2010

Mercado Acadêmico Brasil x EUA

Ser contratado por uma universidade americana implica que você pode negociar praticamente tudo, principalmente salário. Fazer uma contra-oferta, depois de receber uma proposta é usual nas negociações para contratação. Apesar de salário ser o principal item de negociação, também pode-se negociar bolsas (de pesquisa e de verão), diminuição da carga horária em sala de aula, ingressos para os jogos da universidade, e até vagas no estacionamento. Os novatos geralmente são contratados para uma posição de assitente (tenure track). Essa posição tem renegociações anuais de salário, e geralmente tem uma duração de 5 anos. Após isso, a universidade decide se te promove a professor associado (tenure) ou te manda embora (nesse caso você costuma ter uma extensão de contrato por mais um ano). Nesses 5 anos de tenure track você é anualmente avaliado: pesquisa, ensino e extensão (principalmente sua capacidade de atrair recursos externos). Se você ganhar a tenure, isso implica numa garantia de emprego (dificilmente você será demitido no futuro). Apesar de interessante, o sistema americano tem uma curiosidade: para ter um razoável aumento salarial só tem um jeito: achar emprego em outra universidade. Daí o fato de vários pesquisadores americanos de sucesso trocarem duas ou três vezes de universidade durante sua vida.

No Brasil existem duas opções: universidades públicas ou privadas. Nas públicas não se negocia nada (a não ser negociações de bastidores referentes ao formato do edital do concurso). O salário está dado, o número de aulas está dado, enfim é pegar ou largar. A vantagem é que, apesar de ser legalmente possível ser demitido durante o estágio probatório de 3 anos, na prática depois que se entra numa universidade pública é só esperar pela aposentadoria. Pouco importa o desempenho do professor de universidade pública, seu emprego está garantido. No setor privado, em 99,99% dos casos não se negocia nada, e qualquer coisa pode ser usada para sua demissão. Pouco importa se você é um excelente pesquisador e professor exemplar. Na imensa maioria das faculdades privadas o que conta é agradar ao aluno e ao diretor do curso, pouco importa o que se tenha que sacrificar para isso. Note que existem exceções, existem excelentes universidades privadas no Brasil, mas elas são a exceção e não a regra.

Nas poucas universidades privadas onde existe negociação, esta se dá no contrato salarial e no período que você precisa permanecer na universidade. Devido as dificuldades geradas pela legislação trabalhista brasileira dificilmente se paga um salário hora diferenciado. O comum aqui é contratar um professor por 40 horas/semana, mas exigir que esse professor fique na universidade um tempo inferior a isso. Ou seja, aumenta-se artificialmente o salário-hora. Negociação salarial no mercado acadêmico brasileiro é reservado apenas a elite que aceita ir para o mercado privado.

Uma prova do não funcionamento do mercado acadêmico brasileiro é a situação do mercado para economistas: simplesmente não há hoje economistas com publicação no mercado. Isso implica que o salário dos que têm publicação deveria subir, o que simplesmente não ocorre. A consequência imediata disso é que várias universidades, públicas e privadas, estão contratando pesquisadores que não possuem uma única publicação em seus currículos.

6 comentários:

Marcio disse...

Adolfo, muito bom o Diagnóstico, e é isso mesmo o que ocorre nesse mercado. Mas acho que falta um ingrediente que coloca em discussão e eficiência de se ter muitas publicações. Será que mais é melhor? Ou será que publicações x aplicações (mundo real) é mais interessante? Acho que o Brasil precisa, além de mais pubilcações, muito mais aplicação. E também acredito que esse é o caminho para se captar recursos, principalmente no setor privado.

Chutando a Lata disse...

Concordo com o Marcio em genero e grau.

Anônimo disse...

Cuidado para não generalizar. Nos EUA existem centenas de instituições de nível superior. Dessas, umas 20 são de elite e provavelmente têm bala na agulha para seguir esse padrão. Mas, e o resto? Elas só contratam professores com publicação também? Tenho sérias dúvidas.

Anônimo disse...

Atualmente, qualquer universidade americana top 150 contrata professores com base em suas publicacoes.

Carlos disse...

Anônimo, lógico que contratam, e se não é publicação é expertise.

O que é triste é nós podermos generalizar no Brasil, onde você tem centros em que muito do pessoal passou a vida toda lá (graduação, mestrado e doutorado) com publicação pífia e experiência de vida pior do que um menino que mudou de cidade ao menos duas vezes na vida...

Não adianta a gente ficar querendo passar a mao na cabeça dos outros, o primeiro passo para resolver o problema da academia brasileira é reconhecê-lo.

Evidentemente que isso não é um problema para muitos, inclusive os que não produzem. Ficar na federal sem fazer nada de útil e ainda se passar de intelectual não é um emprego nada mal.

Anônimo disse...

por mim copiava o modelo americano sem tirar nem por

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