quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lula e o Paradoxo do Malandro

De acordo com o filósofo Bezerra da Silva “Malandro demais vira bicho”. Acredito que mais cedo do que pensa, Lula irá entender essa frase. Lula se acha gênio: escolheu para substituí-lo alguém completamente desconhecido e despreparado. Na cabeça de Lula a lógica é simples: escolhendo alguém desconhecido para substituí-lo ele teria duas vantagens: 1) manteria o poder nos bastidores; e 2) voltaria para a presidência na eleição seguinte.

Não sou fã do PT, mas mesmo o PT tem quadros mais capacitados que Dilma. Então Lula elaborou a trama, escolheu alguém que acredita que poderá manipular, alguém totalmente dependente do carisma dele, e mais importante, alguém que lhe apoiará para voltar a presidência. A conta de Lula é simples: 4 anos de Dilma e depois mais 8 anos de Lula.

Mas malandro demais vira bicho. Lula realmente acredita que irá manipular uma terrorista? Ele é que está sendo manipulado. Tão logo Dilma assuma o poder, ela e o grupo que a apóia irão dar um jeito de colocar Lula de lado. Em menos de 1 ano o ex-presidente irá descobrir que o poder tem memória curta. Mas o pesadelo para Lula irá até a tragédia. Ele realmente acredita que um grupo terrorista irá permitir a existência de um concorrente tão popular? Dilma e seu grupo irão se deparar com a difícil escolha entre matar Lula ou prendê-lo. Poderão matá-lo e acusar a “direita”. Arrumando assim o motivo para um golpe de Estado, e prendendo os adversários. Nesse caso, Lula seria glorificado como o grande líder assassinado pelas elites. Nada mais justo então do que encarcerar essa elite.

Mas matar Lula não é a única opção para o grupo de Dilma: pode-se também acusar Lula de traidor do movimento. Afinal, todo regime ditatorial necessita culpar alguém por seus fracassos. Vocês já viram quantos esquerdistas dizem que Lula os traiu? Pois é, não será difícil aos terroristas incriminar Lula por alta traição, colocá-lo numa cadeia e, é claro, aproveitar para fazer um expurgo. Se isso parece absurdo para você, então leia um pouco mais sobre o destino dos líderes comunistas que perderam a briga pelo poder. O exemplo mais óbvio é Trotsky.

Lula, você acha que vai se dar bem com Dilma. Engano seu: ela irá te trair. A única dúvida caro Presidente é se você será assassinado ou preso. Dilma e seu grupo não mudaram: continuam se orgulhando de terem combatido, de terem assassinado, sequestrado, e roubado em favor da implantação de uma ditadura de esquerda. Lula, não se cria um monstro acreditando que pode-se controlá-lo. Dilma é o começo das trevas sobre nosso país.

12 comentários:

Anônimo disse...

Mais uma de suas obras?
Não como romancista, como no outro post, agora como escritor de drama-político, mas sem deixar a FICÇÃO de lado, afinal o que seriam dos contos sem as fantasias?!

Marcelo disse...

Adolfo,

Cara eu nem acredito! mas esta foi a conversa com um amigo agora no "happy hour", (para os bolivarianos; conspiração da zelite, regado a bebidas etílicas). Todos sabem que, a "zelite intelectual USPiana" sempre teve o desejo de usar o Demiurgo metalúrgico para chegar ao poder, mas com a queda de Zeca Diabo, Dr. Jerkyll, Charlie Chan etc., Herr Lulla viu a oportunidade de jogá-los ao mar e ficar ainda maior dentro da Organização. Concordo plenamente com seu texto, apenas ressalto o único culpado disso tudo. A oposição, que no escandâlo do Mensalão teve a oportunidade de cortar o mal pela raiz. Mas acharam que o cara tava na cordas, que um sopro o derrubaria. Como dizia meu avô;

"Quem se compadece dos lobos, condena a morte as ovelhas"


Abs

Anônimo disse...

Caro,

Nesta eu não concordo contigo. O Lula já mostrou mais de uma vez quem manda no PT. Na realidade ao escolher uma pessoa distante da máquina do partido Lula deve ter antecipado um movimento deste tipo. Não é da tradição dos partidos de esquerda entregar o poder a um outsider, mesmo que ligado a outros movimentos de esquerda, o ex-menchevique Trotsky é um exemplo.

Se for para pensar em uma ditadura, e não estou convencido que este é o caso, é mais provável que seja com Lula no comando. Presidência formal não significa muito em ditaduras de partido, o que conta é o controle da máquina do partido. Qual era mesmo o cargo de Stalin? Fidel? Hitler? Independente de cargos formais todos tinham o partido na mão.

Imagine uma crise no governo Dilma. Lula aparece como traido e volta nos braços do povo, com apoio de Sarney e cia ltda. O único obstáculo a este cenário é o Michel Temer, que pode querer se aproveitar e pegar a presidência, daí porque Lula queria um cara sem força no PMDB, como o Meireles, note que novamente vale a lógica do partido. Em suma, na briga entre os sindicalistas e os intelectuais da USP os sindicalistas ganham.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Concordo com o comentário do primeiro anônimo, vc escreveu um pequeno romance. Lula e Dilma abandonaram, há um bom tempo, há perspectiva de rupturas bruscas no rumo do desenvolvimento capitalista no brasil. Dilma dará continuidade ao projeto de Lula expresso na "Carta ao Povo brasileiro", manter a ordem e fazer mudanças marginais, qdo isso não gerar perda de poder. Não é uma questão de bem ou mal, é uma interpretação do que se quer enfrentar e do diagnóstico que se faz da realidade. Enfim, sua novela está com os personagens errados...Ab. Dilma e lula tem um mesmo projetinho...

Marcio disse...

Falta explicitar na trama que a fraca oposicao ao governo e a pifia campanha do PSDB e fruto de chantagem do PT. Todo mundo viu na midia a quebra de sigilo na receita federal dos integrantes da oposicao, o que preocupa e o que nao saiu nos jornais ...

Anônimo disse...

fala a verdade. voce estava de porre quando escreveu isso?

Blog do Adolfo disse...

Grande Roberto,

Seu ponto é bom. Contudo, Stalin e Fidel assumiram o poder pela revolução, ou em consequênica dela. Dai a importânica de cargos no partido. Em relacao a Hitler ele rapidamente dissolveu o parlamento. Dai a importância da chefia do partido.

Nao creio que Lula tenha tanta força FORA da presidência como ele acredita. Dai minha análise.

Adolfo

Demetrio Carneiro disse...

Oi Adolfo, a interpretação é meio radical, mas estimula o debate sobre um governo Dilma, o que eu acho que já está na hora.

De qualquer forma não parece haver dúvida que a criatura terá que se livrar do criador. Já tivemos diversos exemplos na política brasileira de postes que ganharam vida própria e, mesmo, acabaram se voltando contra o criador. Afinal poder é poder e pode ser muito copensador emocionalmente.

Lula não parece ter o perfil de quem vai vestir pijama. O plano A parece que era colocar ele em algum organismo internacional multilateral. Com as posturas, Honduras, Irã etc. ,adotadas recentemente parece que não vai dar muito certo. Pelo menos não para estruturas multilaterais que tenham representação. Sobra o front interno.

Na minha opinião o poder executivo brasileiro é execessivamente imperial para admitir um consórcio. Não acho impossível um aprofundamento autoritário e existem muito sinais que indicam isso. O que tenho como certo é uma extrema chance de mexicanização da política brasileira, com a oposição posta na parede. Uma oposição débil e despolitizada como a atual não irá se segurar nas pernas.

Por incrível que possa parecer acho que veremos fortíssimas pressões dos segmentos mais radicais de esquerda contra o governo. Hoje mesmo andou circulando uma declaração do presidente do Conselho Nacional de Saúde denunciando que o governo Lula está privatizando a saúde pública. Já vi algumas declarações acusando Lula de aliado do rentismo etc.

De qualquer forma a lógica do poder real muda muitas contas. é aguardar e ver.

Abs

Geraldo disse...

O Brasil tem uma saída, e esse saída é o Galeão...

Anônimo disse...

Professor Adolfo,

Vc é talentoso quando o assunto é economia, mas em se tratando de política, desculpe-me, mas deixa muito a desejar.

Discordo 100% do seu post.

Anônimo disse...

Eletrizante análise.

Erik Figueiredo disse...

Adorei a análise, mas concordo com o anônimo, você estava de porre quando a escreveu.

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