terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Brasil já está maduro o suficiente para as mulheres pagarem sua parte na conta

Parece que o maior mérito da candidata do PT à presidência da república é ser mulher. A campanha petista não para de martelar que “o Brasil já está maduro o suficiente para ter uma mulher na presidência”. Eu concordo, e digo mais: já está na hora das mulheres pagarem sua parte na conta.

Não me refiro aqui a questões de microeconomia. Ou seja, não questiono aqui o fato de que boa parte das mulheres – muitas delas progressistas, orgulhosas de serem independentes, e prontas a recriminar suas companheiras que optam por ser donas de casa –, sequer se incomodam em pagar sua parte na conta quando saem com um homem. Também não questiono a repulsa de algumas feministas por homens que têm a “indelizadeza” de lembrá-las que a conta deve ser dividida.

Meu ponto é de macroeconomia, e segue um princípio simples: se alguém recebe mais do que pagou, é porque alguém está pagando mais do que irá receber. Não há como fugir dessa lógica. Transpondo isso para a previdência social, temos uma verdade comprovada pelos fatos: mulheres vivem mais do que os homens. Dessa maneira, no que se refere à previdência social mulheres devem pagar mais (ou por mais tempo) do que os homens. Isso não se refere a discriminação, é apenas um fato estatístico. Estatística esta que é levada em consideração no mercardo de seguro de automóveis: para segurar um automóvel mulheres pagam menos do que homens. Ora, se é válido usar estatística para se cobrar menos das mulheres, então qual é o problema de se usar estatística quando esta favorece aos homens?

Claro que eu conheço os tradicionais, e errados, argumentos em favor das mulheres contribuírem menos para a previdência: jornada dupla e discriminação no mercado de trabalho. Contudo, no mundo moderno, homens também cumprem jornada dupla. Seja ajudando em casa, tendo um segundo emprego, cuidando das crianças, ou fazendo as tradicionais tarefas de homem numa casa. Quanto ao fato das mulheres serem discriminadas, bem essa é apenas uma hipótese que alguns tomam erradamente como uma certeza.

Enfim, as mulheres amudereceram: botaram os homens para ajudar em casa, foram trabalhar fora, deixam que outras pessoas cuidem de seus filhos, e concorrem à cargos políticos. Sem dúvida foram grandes vitórias, mas cabe lembrar que direitos geralmente vêm acompanhados de deveres: está na hora das mulheres pagarem sua parte na conta.

12 comentários:

Anônimo disse...

Já está passando da hora das mulheres arcarem com os custos. Antigamente os homens pagavam as contas para as mulheres que, em compensação, ficavam em casa, cuidando do marido, dos filhos e da casa. Hoje as coisas mudaram, graças a alguns adventos, portanto, vamos arcar nos direitos e nas obrigações!

Anônimo disse...

Concordo plenamente Adolfo, já é a hora das mulheres desse país reverem seus pensamentos e enxergarem que um custo Macro deve ser dividido em igual valor entre os sexos.

José Luiz

Cibele Bastos disse...

Olá Adolfo!

Não concordei com seu post :) Fiz um post-comentário no meu blog.

Abs,

Cibele Bastos.

Cibele Bastos disse...

Não concordei que mulheres devem pagar a mais nesta conta hehe. Comentei no meu blog.

abs!

Anônimo disse...

perfeito!

Anônimo disse...

Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens! Homens!

Gritam os militantes do sexo frágil do novo milênio...

Marcelo disse...

Como parece que o Lullaquistão será governado por uma mulher. Você e sua mente doentia serão condenados á morte por apedrejamento! Direitos "bolivarianos" iguais!

Anônimo disse...

Sabia que mudarias teu voto!

Até concordo em parte com o post, lutamos por igualdade, até na questão micro que citastes, entretanto, acredito que o melhor, nessa situação seja: paga a conta quem ganha mais, ou se for para dividi-la esse fator tem que ser levado em conta.

As mulheres realmente vivem mais, então deviam contribuir por mais anos, melhor dizendo, pelo mesmo tempo que os homens. É o correto já que pedimos por igualdade no mercado de trabalho. Mas essa igualdade existe? O dado estatístico comentado por ti é apenas UM, já as desigualdades são muitas(e sabes que são verdades!), e são por causa delas que a Previdência tenta nos compensar. Talvez em um dia, que ele não demore. Torço!! Elas não existirão e haverá verdadeira igualdade de gênero e, nesse dia sim, contribuiremos pelo mesmo tempo q vcs.
E por mais moderno que o mundo seja os trabalhos domésticos ainda estão a cargo das mulheres, os maridos nunca fazem o suficiente/o mesmo. Alguém aí conhece um marido que passe as roupas da esposa? Fim de papo!

dados:
•As mulheres têm uma remuneração menor do que os homens pelo mesmo trabalho, do que decorre o recolhimento de uma contribuição também menor para a previdência social, fator que repercute diretamente sobre o valor da aposentadoria;
•A maior parte da mão-de-obra feminina está ocupada no mercado informal ou em empregos precários;
•A participação da mulher no mercado de trabalho é intermitente, em razão de suas atividades na esfera da reprodução social;
•A taxa de desemprego feminino é cinco pontos percentuais mais elevada que a encontrada entre os homens.
esses são "os tradicionais, e errados, argumentos em favor das mulheres contribuírem menos para a previdência"?

Anônimo disse...

Professor,

Acho que o ponto é o seguinte: por que as mulheres vivem mais do que os homens?

Ora, elas também não são submetidas as mesmas condições que nós...

D. disse...

Caro Adolfo,

Não acho que essas medidas paleativas adiantem de alguma coisa.

Enquanto estivermos no regime de repartição simples, não há medida que resolva o déficit da previdência.

Nos últimos anos, uma série de países já migraram para o regime de capitalização, como Argentina, Chile, Polônia, etc. Mas o Brasil insiste nesse maldito estado de bem-estar, que de bem não faz nada.

Anônimo disse...

[OFF]

Acabei de ler este trecho e, inevitavelmente, lembrei-me desse post. Lê com carinho e sem preconceito.

'O homem pode, pois, persuadir-se de que não existe mais hierarquia social entre os sexos e de que, grosso modo, através das diferenças, a mulher é sua igual. Como observa, entretanto, algumas inferioridades — das quais a mais importante é a incapacidade profissional — êle as atribui à natureza. Quando tem para com a mulher uma atitude de colaboração e benevolência, êle tematiza o princípio da igualdade abstrata; e a desigualdade concreta que verifica, não a põe. Mas, logo que entra em conflito com a mulher, a situação se inverte: êle tematiza a desigualdade concreta e dela tira autoridade para negar a igualdade abstrata(1). Assim é que muitos homens afirmam quase com boa-fé que as mulheres são iguais aos homens e nada têm a reivindicar, e, ao mesmo tempo, que as mulheres nunca poderão ser iguais aos homens e que suas reivindicações são vãs. É que é difícil para o homem medir a extrema importância de discriminações sociais que parecem insignificantes de fora e cujas repercussões morais e intelectuais são tão profundas na mulher que podem parecer ter suas raízes numa natureza original.

(1) O homem declara, por exemplo, que não vê sua mulher diminuída pelo fato de não ter profissão: a tarefa do lar tão nobre quanto etc. Entretanto, na primeira disputa, exclama: "Sereis totalmente incapaz de ganhar tua vida sem mim".'

Eduardo disse...

Ao anônimo que defendeu que mulheres ganham menos, uma questão microeconômica simples:
Se mulheres apresentam a mesma produtividade a salários mais baixos, por que razão homens seriam contratados?

O professor Mark Perry (mjperry.blogspot.com) tem alguns posts bastante interessantes acerca do assunto.

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