domingo, 26 de setembro de 2010

Avaliação Trienal da CAPES

Participei da Comissão de Área de Economia durante a recente avaliação trienal promovida pela CAPES. Essa comissão sugeriu as notas que cada centro de pós graduação em economia deveria receber. Tais notas são importantes, pois além de serem usadas para distribuição de recursos públicos, também servem de sinalização referente a qualidade de cada centro de pós-graduação.

A EPGE e a USP receberam a nota máxima (nota 7), e a mereceram. A FGV-SP também mereceu a nota 7, mas ficou com 6. Basicamente isso ocorreu pois na avaliação anterior a FGV-SP tinha nota 5, e pulos de 2 níveis são reservados apenas a situações excepcionais. Eu não sou um grande fã da UFRJ (basicamente por divergências ideológicas), mas seguindo os critérios da CAPES eles mereceram a nota 6. Temos então que, de acordo com os critérios da CAPES, dois dos melhores centros residem em São Paulo e outros dois no Rio de Janeiro. Mais importante: dois deles são privados. Isto mostra a importância do setor privado para a pesquisa econômica de alto nível no Brasil.

Numa avaliação pessoal, eu teria colocado a PUC-RJ com nota 7. Acontece que SEGUINDO AS NORMAS da CAPES, a nota 5 para a PUC-RJ está correta. O problema da PUC-RJ reside no baixo número de doutores formados por esse centro. Não vou entrar aqui no mérito se isso está correto ou não. Mas a PUC-RJ conhecia as normas da CAPES, e optou por manter um número baixo de doutores formados. A PUC-RJ é um excelente centro, mas as regras da CAPES estão dadas, se você opta por não seguí-las, também não adianta reclamar depois. Mas ressalto que acho legítma decisão da PUC-RJ.

Quanto ao mestrado profissionalizante, temos que os únicos centros notas 5 (nota máxima para mestrados) são centros privados: FGV-RJ, FGV-SP, IBMEC-RJ e INSPER. Novamente ressaltando a importância da iniciativa privada na formação de capital humano de alto nível no Brasil.

De maneira geral, a avaliação trienal da CAPES concluiu o que alguns acadêmicos já haviam apontado: a qualidade da pesquisa em economia no Brasil tem aumentado significativamente. Para a próxima avaliação trienal resta um grande desafio: discutir e aprimorar o QUALIS (ranking de periódicos que recebem pontuação na área de economia). Desnecessário dizer que o grosso da nota de um centro depende do formato do QUALIS.

13 comentários:

D. disse...

Adolfo, qual o motivo da queda da UnB na pós e na graduação? Alguma idéia?

A graduação da UnB está infinitamente melhor agora do que quando eu entrei em 2007, pelo menos no quesito ensino. Pelo menos, agora tem estatística e probabilidade, coisa que eu tive de estudar sozinho. Econometria está mais arrumado com o bernardo, etc. Pelo menos o pessoal mais novo tá falando.

Qual critério "ferrou" a UnB?

Lino disse...

Adolfo, lembraria qual foi a nota dada à UnB? Se não me engano foi um dos centros mais concorridos deste ano.

Blog do Adolfo disse...

Eu nao sei sobre a graduacao da UnB (que é muito boa).

Quanto a pós, ocorreram alguns problemas conjunturais. Acredito que na próxima avaliação voltará para nota 6.

Adolfo

Anônimo disse...

Adolfo, e a nota da UCB????? Nao acredito que vc nao vai fazer NENHUM comentario!

Anônimo disse...

Uma correcao no seu Post... A PUC-RJ recebeu nota 6, e nao nota 5 como voce escreveu.

http://trienal.capes.gov.br/wp-content/uploads/2010/09/ECONOMIA-rel-11set10.pdf

Blog do Adolfo disse...

Caro anonimo,

O que voce quer que eu comente da nota da UCB? Eu fiz tudo que estava ao meu alcance para alertar sobre o problema que tinhamos. Fui voto vencido, fui colocado de lado, e pedi para sair. O que mais posso fazer?

Desejo aos que ficaram toda a sorte do mundo para realizar a reestruturacao que precisa ser feita para levar a UCB novamente a um lugar de destaque.

A trajetoria do programa de economia da UCB precisa de serios ajustes para evitar um problema ainda maior no futuro.

Cabe agora a competente equipe que permaneceu la reconhecer os problemas e tomar as medidas necessarias.

Adolfo

Blog do Adolfo disse...

Anonimo sobre a puc-rj,

A puc-rj, na avaliacao que eu tenho, ficou com nota 5 no curso de economia.

http://trienal.capes.gov.br/wp-content/uploads/2010/09/Resultados-Geral.pdf

Adolfo

Anônimo disse...

Pois e', mas nesse outro documento da capes apenas com analise da area de economia a nota da PUC-RIO e' 6...

http://trienal.capes.gov.br/wp-content/uploads/2010/09/ECONOMIA-rel-11set10.pdf

Anônimo disse...

Eu não entendo esse tipo de avaliação. A meu ver, ela só mostra a produção de cada instituição. Não consigo entender o que interfere em um centro ser ou não bom, ou se um mestre é ou não um excelente professor. Só mostra a quantidade de produção científica dos centros. Mas o que isso interfere na formação dos graduandos, mestrandos e dout...? É o tipo de pesquisa que para mim, não significa nada, ou dizendo melhor, apenas mostra o quanto cada centro produz. Pode parecer incoerente, mas a produção de um, só engrandece ele mesmo! Por que não medir o nível de conhecimento dos alunos? incentiva-me mais a buscar um bom centro do que o que cada professor da instituição está ou não produzindo. Então o que isso significa?
A qualidade dos alunos é o que deveria dizer se um centro é ou não excelente.
Evidente que há uma defasagem em pesquisas, pois saem caras, mas esse tipo de avaliação deixa as universidades com pouco dinheiro cada vez como menos dinheiro. Talvez se houvesse uma distribuição melhor outros centros poderiam pesquisar mais. Mas, ao passo que, com menos pesquisas menos dinheiro é certo que produzirão cada vez menos e a nota irá cair.
Essa nota só serve aos egos dos mestres!

Anônimo disse...

A FGV/SP tb ficou com 5.. muito estranho.

Vladimir disse...

Grande Adolfo,

A FGV-SP e a PUC-RJ tiveram suas notas rebaixadas para 5 pelo CTC. Até onde sei a explicação foi baseada em um critério que não estava escrito nas regras do jogo e que foi criado ex-post. Ou seja, ninguém sabe realmente quais são as regras, e o poder de modificá-las depois do fim do triênio dá margem às especulações mais variadas.

Os professores da FGV-SP tiveram artigos publicados na Econometrica, AER, JET, JME, Economic Journal, JDE, etc.. que são journals top em qualquer ranking internacional, ou seja, de qualidade indiscutível.

Mesmo pelo ranking dos journals da CAPES, que é bizarro, a FGV-SP ficou com a melhor pontuação de publicação per capita de todos os centros do Brasil.

A conclusão é clara: Porque se esforçar em fazer pesquisa de qualidade se tudo o que foi feito é desconsiderado por causa de uma regra que é criada ex-post?

A CAPES, que já progrediu muito ao longo dos anos, deveria se aprimorar ao estabelecer as regras ex-ante para fornecer os incentivos de forma clara, sejam eles quais forem.

abraço,

Vladimir

Gilberto disse...

Sem dúvida que existe uma correlação positiva entre centros com professores que produzem artigos de alta qualidade e a qualidade do centro que ele pertence, pois se o professor produz bons artigos é porque ele é bom, e a tendencia é treinar bem os alunos.
Mas tem um ponto que o anônimo acima levanta que acho interessante, como saber realmente a qualidade dos mestres/doutores formados pelos respectivos centros? A posterior colocação profissional, as vezes o cara estudou muito sozinho e conseguiu boa colocação, portanto, sem correlação com o centro.
Sabemos que mesmo em centro considerado top existe aquele prof.(orientador) que não esta nem ai para alunos.

Abs,

Hélder Alves disse...

Professor,
Você esteve por aqui (CAPES)!
Se soubesse que era da Comissão, teria te procurado (não sei se vc se recorda, mas trabalho aqui)!

Se vc ainda estivesse na UCB, certamente teriamos mais uma instituição particular nessa lista dos cursos de excelência.

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