quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Onde está a crise americana?

Meus amigos, vocês notaram que de uma hora para outra a crise americana sumiu? Parece até que por um passe de mágica ela desapareceu. Para registro deixo claro aqui: quando muitas pessoas erram muito, por muito tempo e num volume de recursos altos, existe um custo a ser pago. A interferência do Estado NÃO ELIMINA esse custo, apenas o transfere e o posterga para o futuro. PIOR do que isso, a interferência do Estado distorce os incentivos, premia os piores, e estimula um comportamento que AUMENTA O TAMANHO E A DURAÇÃO da crise no longo prazo.

Pois bem meus amigos, a crise americana NÃO PASSOU. Os prejuízos ainda estão lá, os ajustes não foram feitos, e aconta terá que ser paga. Na surdina, estados americanos tomam medidas ridículas (tais como proibir o aluguel de casas), bancos continuam fazendo as trapalhadas de antes (contando com a ajuda financeira futura do governo), e nem de perto os consumidores reduziram seu consumo para suportar a perda de seu patrimônio (queda no valor das casas). Tal como os consumidores, o governo federal americano também não ajustou suas contas no volume necessário. Como diria o filósofo Capitão Nascimento (do filme “Tropa de Elite”): vai dar merda.

A ajuda fornecida pelo governo americano ao setor financeiro não acabou com a crise, apenas transferiu seus custos do setor financeiro para os contribuintes. Além disso, ao alterar o conjunto de incentivos da economia tornou uma crise passageira (tal como a esquecida crise de 1921) numa futura depressão (tal como a de 1929-33).

3 comentários:

Deodoro disse...

Prezado Prof. Sachsida

O tratamento do tema pode ter diminuído nas grandes agências, como AP e Reuters, mas, ao menos na academia, o debate permanece bastante vigoroso. Recentemente, economistas do porte de Rajan, Rogoff e Roubini vêm publicando, insistentemente, artigos no Project Syndicate a respeito dos efeitos da crise a serem observados em futuro próximo.

Para além do natural ciclo de vida das informações midiáticas, é possível que a complexidade dos nexos causais da crise de 2008, e a sua origem "esotérica", em MBS, CDOs, CDO2 etc., desestimule o interesse do grande público em acompanhar o tema. Parece que as consequências do aperto financeiro de 2008, por serem lentas e, principalmente, subreptícias, não se dão ao tratamento comum da imprensa.

Desde que a academia não se cale, não está tudo perdido.

Leo disse...

Amigo, que tal um app dos últimos comentários na barra lateral do Blog?

Facilita muito a vida de quem freqüenta essa casa.

Abs

Fábio Mayer disse...

A Europa acorreu em salvação dos bancos e o que aconteceu? Grécia, Portugal, Espanha e Itália às voltas com problemas fiscais. É o custo de não regulamentar na hora certa e de deixar as coisas livres demais para instituições financeiras sedentas de lucro fácil.

Os EUA só não entraram ainda em crise fiscal mais grave, por ser uma economia estrondosamente grande e poderosa, mas o fato é que, até agora, nada se fez lá para colocar a casa em ordem.

Semana passada, o governo dos EUA anunciou uma espécie de PAC, para ver se reacelera a economia que teima em não sair da primeira marcha...

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