quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Urna Eletrônica: Tô Fora

Dados sigilosos da Receita Federal foram violados. Dados bancários sigilosos de um caseiro foram violados. Escutas telefônicas clandestinas não faltam no país. Funcionários da Agência Brasileira de Informação (ABIN) aparecem em operações não autorizadas (para não dizer ilegais). Exatamente por que devemos confiar na urna eletrônica?

Quem fiscaliza se a programação da urna eletrônica está correta? Resposta: o mesmo governo que violou sigilos fiscais e bancários de seus oponentes. Exatamente por que devo confiar mais na urna eletrônica do que na Receita Federal? Por que devo confiar mais na urna eletrônica do que na ABIN? Por que devo confiar num governo que faz dossies ilegais contra adversários políticos? Por que confiar num governo que está envolvido em tantos escândalos sem fim? Nada me leva a confiar nesse governo, exatamente por que deveria confiar na honestidade da urna eletrônica?

Vou repetir o que já disse: urnas eletrônicas que seguem o padrão das brasileiras SÃO PROIBIDAS em alguns estados americanos. Essas urnas não fornecem a segurança necessária para garantir a lisura do processo eleitoral. Não sou eu que digo isso, são especialistas em segurança digital. Vamos a perguntas simples: quem tem acesso ao código de programação das urnas? Aposto que isso é sigiloso. Quem audita as urnas eletrônicas? Aposto que é o próprio governo. Notaram: simplesmente não é possível questionar o resultado fornecido pela urna eletrônica.

Na Alemanha Nazista, os nazistas usavam marcas de leite nas cédulas eleitorais para saber quem votava a favor ou contra o governo. Quem me garante que a urna eletrônica não faça o mesmo? Aliás, ISSO JÁ FOI FEITO. Foi exatamente por violar o sigilo da votação no Congresso Nacional que os Senadores Arruda e ACM tiveram que pedir a conta. Ou seja, já há alguns anos a votação no Congresso Nacional já foi violada. Se no Congresso Nacional não se garante o sigilo, exatamente como se pretende garantir o sigilo no interior do país?

10 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

Não é so nos Estados Unidos Adolfo. No mundo inteiro questiona-se o uso do voto eletrônico por motivos técnicos, de transparência e de custo.
Na Holanda, por exemplo, país que produzia tais máquinas em grande quantidade, o uso do voto eletrônico foi proibido devido à falta de transparência e outros problemas criados pelo sistema.
O voto eletrônico aumenta o incentivo à acomodação na fiscalização eleitoral e permite a tomada do controle político mais facilmente por um governo totalitário.
A contagem tradicional tem também seus problemas, mas produz um nível muito maior de transparência e de descentralização por construção. E transparência e descentralização é essencial em sistemas políticos competitivos.
Veja este artigo na Wikipedia que fala sobre os enormes problemas do voto eletrônico no mundo inteiro: http://en.wikipedia.org/wiki/Electronic_voting
Se o brasileiro acha que não há problemas com o voto eletrônico, ou é porque é tecnicamente ignorante ou é porque é politicamente infantil.

Anônimo disse...

Também não gosto das urnas eletrônicas, o único teste que ouvi falar foi feito quando o TSE desafiou hackers para quebrar a segurança das urnas. Detalhe: o hacker tinha que se cadastrar e só podia usar softwares autorizados pelo TSE. Isto não é piada, aconteceu mesmo!!!

Os dois problemas com a urna são possibilidade da urna mudar o resultado e possibilidade de identificar o voto. O primeiro problema pode ser resolvido com a impressão do voto. Após votar o eleitor recebe seu voto impresso, checa se está correto e deposita em uma urna comum. Desta forma será possível conferir o resultado da urna caso algum candidato questione.

Para o segundo problema eu nunca soube de uma solução que parecesse boa. Por estas razões eu não simpatizo com as urnas eletrônicas.

Abraço,

Roberto

Anônimo disse...

Sempre achei essa papo da urna eletrônica ser perigosa um exagero.

Mas os eventos deste ano me deixaram bastante preocupado.

Quem garante que não vão importar a tecnologia venezuela de quebrar sigilo do voto, tipo aquela listinha que fizeram?

Medo!

quatroventos disse...

Propor que se faça auditoria externa ao processo eleitoral? Além disto um estudo comparativo dos resultados e das pesquisas bocas de urna também seria uma boa forma de avaliar. Por fim, creio que se nós tomamos conhecimento dos escândalos nos últimos anos não foi porque eles aumentaram ou ficaram mais descuidados - foi porque a capacidade de controle social aumentou.

O problema aqui não está na urna eletrônica - está em quem bota o dedo nela e depois vai pra casa dormir tranqüilo por mais quatro anos, como se tudo estivesse resolvido.

Anônimo disse...

Uai Professor!!!

Em um post vc defende a TECNOLOGIA e em outro vc não defende a urna eletrônica!!!


Acusar é fácial e aqui faço uma provocação:

Qual é a sua solução para o problema então?

Resposta possível: Voltarmos a votar em cédulas?

Anônimo disse...

Acrescente cinco linhas de códigos na programação de uma urna eletrônica e saberá quem votou em quem.

Ginno

Dedé Ramos disse...

Os exemplos propostos não possuem conexão entre eles. O caso da violação da Receita Federal foi uma violação de um órgão do EXECUTIVO e por uma pessoa autorizada pelo sistema. Ou seja, o sistema permite que alguém tenha acesso a ele e imprima dados. Esse, na verdade, foi um caso de CORRUPÇÃO e não há que se falar em violação ao acesso do sistema. O caso do Senado ocorrido no âmbito do poder LEGISLATIVO e mais uma vez não se violou o sistema. Imprimiu o resultado da votação que, ora pode ser aberta, ora pode ser secreta, então o sistema permite as duas opções.

No caso, a urna eletrônica não permite opções. Já foi usada em várias eleições, inclusive fora do país e tendo sua tecnologia adotada por alguns Estados americanos. É bom lembrar.

O acesso a ela é administrado no âmbito do poder JUDICIÁRIO e não do Executivo e, seus dados de criptografia pode ser conferido pelos vários segmentos da Sociedade, dentre eles: Situação e oposição, Ministério Público, OAB e quem mais requisitar.

Não quero dizer com isso, que ela seja inviolável, mas é o mais seguro que dispomos sendo o acesso a ela testado por vários profissionais de informática.

Qual a solução? voltar ao papel? conferir um por um cada voto? Mais, este ano, caso haja dúvida, os votos podem ser impressos e conferidos manualmente sem a identificação dos votantes.

Não acho nenhum sistema inviolável, mas tenho que acreditar em alguma coisa. Até que me provem do contrário (oposição, situação e imprensa adoraria fazê-lo) a urna é segura.

Breno Lima disse...

O princípio de nosso país é controvertido. As autoridades nos levam a crer que temos mais de 500 anos, a organização em sociedade de que hoje usufruímos, não parece ter mais de 100 anos, sejam eles de república ou de independência ou de revoluções. A pergunta que faço é que diante de tantas alegrias e incertezas o Brasil é uma nação. Alguns países, já convertidos em nações, não se dão ao trabalho de vacilar diante das verdades que assolam o seu inconsciente de anseios e idealizações. O nosso sistema possui capilaridade o suficiente para que possamos realmente nos reportar aos nosso representantes? O universo de celebridades políticas e ícones descabidos que assolam o rol das propagandas políticas tornam quase que sem alternativa o eleitor, ao passo que falar em ficha limpa parece coisa de ficção a contar dos escândalos que assistimos mes-a-mes. Ficha limpa, urna eletronica, parece um trabalho constante para nos manter distante do que é real no nosso país.

Anônimo disse...

Não quero entrar na discussão da eficácia do sistema de urna eletrônica nem de sua violabilidade, mas não dá para sustentar a comparação feita no post. O sigilo da Receita Federal é uma coisa, o painel eletrônico do Senado é outra completamente diferente. A urna, então, nem se fala.

Como disse o colega aí de cima, o acesso a ela é feito no Judiciário. Devo lembrar que o Judiciário brasileiro é um dos mais independentes do planeta. É indiscutível que o Judiciário tem muito mais poder e autonomia que a Receita ou o Senado.

Se é pra fazer uma comparação dessas, que se faça com profundidade. Não dá pra fazer inferências sem pé nem cabeça como se fossem meras decorrências lógicas.

Anônimo disse...

O judiciário brasileiro é independente? kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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