segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Câmbio de Equilíbrio

Não faltam especialistas dizendo que o câmbio brasileiro está valorizado. Isto é, na opinião deles, o real está muito caro (frente ao dólar).

Eu concordo. O real realmente está valorizado. Aliás, a teoria econômica básica já sugere que toda vez que você limita as importações o câmbio tende a valorizar. As importações cumprem um papel importantíssimo na estabilização cambial. Quando o real fica caro, as importações ficam baratas, com as importações baratas as pessoas importam muito, com o aumento das importações ocorre um aumento na demanda por dólares, o aumento da demanda por dólares faz com que o preço do dólar suba, desvalorizando assim o real.

Resumindo: basta abrir a economia e o real irá se desvalorizar, simples assim.

16 comentários:

Pedro H. Albuquerque disse...

Deveriam também liberar as remessas financeiras de brasileiros para o exterior.

Anônimo disse...

É mais fácil fixar o câmbio colocando 1 dólar para 3 reais.

Sabbadini disse...

Prezado Sachsida,
tornei-me um leitor regular de seu blog nos últimos meses. Essa é a primeira vez que faço um comentário. Discordo de sua afirmação. Creio que esteja em desacordo com a teoria econômica (obviamente dependendo das hipóteses sobre as quais o modelo é construído).
Pensando em um manual tradicional de macroeconomia de graduação (como o do Blanchard), nota-se que o câmbio nominal no curto prazo é determinado pela equação de paridade dos juros (irrelevante discutir se descoberta ou não). Supõe-se, portanto, que a economia está aberta a capitais estrangeiros. Nessa situação de abertura financeira, importações e exportações não afetam o câmbio (ao menos no modelo), pois ele é determinado no mercado de capitais. Isso, pois suponho se tratar de uma pequena economia aberta (creio que em termos práticos você enquadre o Brasil como uma economia pequena, e também acho que discordará sobre a questão da abertura). Assim, importações e exportações não afetariam o câmbio.
Todavia, creio que restrições comerciais podem ter impacto sobre os termos de troca da economia (que estão relacionados ao câmbio real), mas nesse caso não se trata do argumento que você apresentou. Seria necessário discutir tal afirmação através de modelos de comércio internacional. Novamente, acho que as implicações dependerão das características dos modelos (tenho a impressão que há mais diversidade, ao menos em termos de resultados, em modelos sobre comércio internacional do que sobre macro), mas como não se trata da minha área e não estudo isso faz alguns anos, omitirei minha opinião.
Aguardo sua opinião sobre o comentário.

Abraços!

Paulo disse...

Acho que só a FÉ no neo-mercantilismo explica a defesa constante e simultânea de
(a)moeda fraca
(b)superavit na balança de pagamentos (c)cambio flutuante

Zé luiz 20 disse...

Boa Adolfo, em meio a essa guerra cambial e fase final do pleito para presidente podemos tirar do post grande conclusão.Com tudo que foi afirmado ai dá para saber qual o melhor governo a implementar essa abertura as importações, levando ao equilíbrio da taxa de câmbio sem intervenções da política monetária.

Anônimo disse...

Sonhar não paga? rsrsrs Nossa amiga Dilma falou ontem (26/10/10) em ‘blindagem internacional’ o que será que ela quis dizem com isso hein?

Abraço,

Ginno

Anônimo disse...

Isso sem falar na gastança do governo que não deixa os juros caírem...
Essa história do câmbio me lembra uma parte da biografia do ilustre tricolor Nelson Rodrigues, quando ele teve tuberculose e para tratá-la internaram ele num sanatório, faziam pneumotórax e até arrancaram seus dentes, mas ninguém pensou em fazer ele parar de fumar quatro maços por dia...
abs,
flavio

Chutando a Lata disse...

Concordo 100%. Uma economia de mercado funciona assim. mas exatamente o que não querem por aqui é uma economia de mercado funcionando. Veja que os candidatos à presidência da república não tocam na efetiva saída para o desenvolvimento: ambiente competitivo. Só que isso não é uma palavra mágica.TEmos que ir aos fatos. Veja a matriz energética: preço elevado da gasolina, alcool, gas etc. O que isso indica: falta de ambiente competitivo. Quem conhece os detalhes da matriz energética sabe que temos um cartel funcionando - ANP que foi capturada pelo setor privado_ Agronegocio e FIESP. Quando olhamos o mercado financeiro: taxa de juros estratósfericas, rombo no orçamento por conta dos juros, etc. Quem conhece os detalhes sabe que existem restriçoes a entrada de novos bancos e esquema cartorial com poupanca do cidadão, notadamente o fgts. Os orgaos que tratam disso foram capturados pelo setor privado - FEBRABAN. Assim por diante. TOme qualquer mercado em funcionamento na economia que encontrará essa característica: restrições ao ambiente competitivo. Existira sempre um grupo privado capturando os orgaos de regulação relativo a esse mercado. Por que isso ocorre? Porque nossas instituicoes sao fracas. Despolitizaram a poliica e politizaram o executivo. Não é à-toa que esses grupos financiam as campanhas do Serra e da Dilma. Por fim, resumo minhas idéias. CRescimento é um fenômeno microeconomico.
obs: você sabe onde assino o manifesto padilha?

Rodrigo Duarte disse...

Pensar numa economia em ano de eleição é muito mais complicado, pois os interesses dos políticos e empresários estão à flor da pele. Usar apenas a teoria econômica para tentar resolver algum problema não tem tanto sentido se não interpretarmos a realidade do país. Quanto custa manter as reservas cambiais em alta no Brasil? Quantos votos um político consegue dizendo que o REAL está forte em comparação ao Dólar? São estes argumentos que se vê na campanha política presidencial. A idéia e mais ou menos assim, na teoria é melhor e mais barato prevenir do que remediar, mas se você consegue criar a doença e disser que só você tem o remédio pra curar seu lucro será Muito maior. Esse é o Brasil!!!

Anônimo disse...

Concordo!!!

Solução para o Brasil: abertura comercial já!!!

Anônimo disse...

Uau Adolfo... você escreveu muita m... O câmbio se valoria quando há mais abertura (redução de tarifas de importação) e mais importações... Desvalorizar significa diminuir as importações que ficam mais caras e subsidiar as exportações que ficam mais baratas e "competitivas"... Ou seja, você inverteu tudo véi!!!

Leo disse...

Sabbadini,

O que você falou não procede, exportações e importações afetam a taxa de câmbio no modelo.

Imagine câmbio flutuante e um aumento exógeno das exportações.

O aumento das exportações irá provocar aumento da renda e, consequentemente, aumento da demanda interna, o que irá pressionar a taxa de juros doméstica para além da internacional. Dessa maneira haverá influxo de divisas e apreciação cambial até que as exportações líquidas reduzam de modo a retornar o produto ao mesmo patamar.

Assim, o produto não muda, mas a composição do BP muda e a taxa de câmbio de "equilíbrio também".

Blog do Adolfo disse...

Caro Anonimo (que acredita que eu falei besteira),

Meu jovem, voce esta errado. De uma chance a voce mesmo, releia o texto e tente aprender.

Adolfo

Sabbadini disse...

Leo,

concordo parcialmente com você.
Exportações e importações, como você observou podem afetar taxa de câmbio, mas como você ressaltou isso se dá via mercado de capitais,
e não da maneira apresentada pelo Sachsida (em que exportações e importações determinam oferta e demanda de divisas).
Exportações e importações podem afetar câmbio via a expectativa de cambio em "t+1" que pode ser afetada pelas expectativas sobre a sustentabilidade das transações correntes.

Sobre seu exemplo, o impacto do aumento exógeno da exportações
(supondo algo como aumento da renda externa, mas sem alteração nos juros externos, o que afetaria diretamente a equação da paridade dos juros),
supondo um modelo como o apresentado no livro de graduação do Blanchard (em que se fixa a expectativa do câmbio em "t+1" e não a depreciação entre "t" e "t+1"),
deslocaria a curva IS para cima e manteria inalterada a equação de paridade de juros. Com isso os juros domésticos subiriam, como você notou, e a moeda local se depreciaria.
Ok, mas haveria uma nova IS, mas o deslocamento do câmbio se daria sobre a mesma curva de paridade.
Assim, temos produto mais alto e câmbio mais baixo que a situação original.
Opa! Com o câmbio mais baixo, as exportações líquidas diminuem. Logo a IS volta a descer. A IS desce e o produto diminui, assim como a taxa de juros interna.
Isso leva o câmbio a se depreciar um pouco.
Esse processo de ajustamente continua ocorrendo até o momento que a economia volta ao mesmo ponto em que ele havia começado.
Assim, o produto interno volta so mesmo lugar. Mas se vc olhar, a IS e a LM continuam no mesmo lugar, assim os juros internos voltam para a mesma taxa inicial.
Assim, via paridade de juros (a não ser que o aumento exógeno decorra de uma mudança da expectativa do câmbio em "t+1" ou mudança de juros externos),
o câmbio volta ao câbio inicial.

Por isso, temos produto, juros e câmbio iguais aos iniciais. A composição do PIB não muda. A composição do BP não muda.

Assim, se as exportações aumentam e elevam os juros e apreciam o câmbio, mas se essa apreciação vai diminuindo as exportações.
Mas o ponto é, que se você voltar a deslocar a IS para baixo até chegar exatamente no mesmo produto inicial,
você estará exatamento com os mesmo juros inicias e o câmbio inicial (porque LM e equação de paridade não mudaram).

Assim, esse aumento exógeno de exportações não teria afetado câmbio.

Leo, pensei nisso agora. Mas admito que seu comentário foi muito interessante mesmo, me fez pensar no assunto.
Posso estar errado, posso ter me enganado na análise do modelo. Aguardo sua resposta.

Corrigindo meu comentário anterior, portanto, é possível que importações e exportações afetem câmbio via impacto das expectativas sobre a taxa de câmbio futura (que podem ocorrer via expectativas sobre sustentabilidade do déficit em transações correntes).

Mas volto aqui ao meu ponto inicial, os canais que podem fazer isso ocorrer são muito mais complexos, e passam por mercado de capitais, do que o Sachsida sugeriu.

Abraços!

Sabbadini disse...

Leo,

concordo parcialmente com você.
Exportações e importações, como você observou podem afetar taxa de câmbio, mas como você ressaltou isso se dá via mercado de capitais,
e não da maneira apresentada pelo Sachsida (em que exportações e importações determinam oferta e demanda de divisas).
Exportações e importações podem afetar câmbio via a expectativa de cambio em "t+1" que pode ser afetada pelas expectativas sobre a sustentabilidade das transações correntes.

Sobre seu exemplo, o impacto do aumento exógeno da exportações
(supondo algo como aumento da renda externa, mas sem alteração nos juros externos, o que afetaria diretamente a equação da paridade dos juros),
supondo um modelo como o apresentado no livro de graduação do Blanchard (em que se fixa a expectativa do câmbio em "t+1" e não a depreciação entre "t" e "t+1"),
deslocaria a curva IS para cima e manteria inalterada a equação de paridade de juros. Com isso os juros domésticos subiriam, como você notou, e a moeda local se depreciaria.
Ok, mas haveria uma nova IS, mas o deslocamento do câmbio se daria sobre a mesma curva de paridade.
Assim, temos produto mais alto e câmbio mais baixo que a situação original.
Opa! Com o câmbio mais baixo, as exportações líquidas diminuem. Logo a IS volta a descer. A IS desce e o produto diminui, assim como a taxa de juros interna.
Isso leva o câmbio a se depreciar um pouco.
Esse processo de ajustamente continua ocorrendo até o momento que a economia volta ao mesmo ponto em que ele havia começado.
Assim, o produto interno volta so mesmo lugar. Mas se vc olhar, a IS e a LM continuam no mesmo lugar, assim os juros internos voltam para a mesma taxa inicial.
Assim, via paridade de juros (a não ser que o aumento exógeno decorra de uma mudança da expectativa do câmbio em "t+1" ou mudança de juros externos),
o câmbio volta ao câbio inicial.

Por isso, temos produto, juros e câmbio iguais aos iniciais. A composição do PIB não muda. A composição do BP não muda.

Assim, se as exportações aumentam e elevam os juros e apreciam o câmbio, mas se essa apreciação vai diminuindo as exportações.
Mas o ponto é, que se você voltar a deslocar a IS para baixo até chegar exatamente no mesmo produto inicial,
você estará exatamento com os mesmo juros inicias e o câmbio inicial (porque LM e equação de paridade não mudaram).

Assim, esse aumento exógeno de exportações não teria afetado câmbio.

Leo, pensei nisso agora. Mas admito que seu comentário foi muito interessante mesmo, me fez pensar no assunto.
Posso estar errado, posso ter me enganado na análise do modelo. Aguardo sua resposta.

Corrigindo meu comentário anterior, portanto, é possível que importações e exportações afetem câmbio via impacto das expectativas sobre a taxa de câmbio futura (que podem ocorrer via expectativas sobre sustentabilidade do déficit em transações correntes).

Mas volto aqui ao meu ponto inicial, os canais que podem fazer isso ocorrer são muito mais complexos, e passam por mercado de capitais, do que o Sachsida sugeriu.

Abraços!

Sabbadini disse...

Leo,

concordo parcialmente com você.
Exportações e importações, como você observou podem afetar taxa de câmbio, mas como você ressaltou isso se dá via mercado de capitais,
e não da maneira apresentada pelo Sachsida (em que exportações e importações determinam oferta e demanda de divisas).
Exportações e importações podem afetar câmbio via a expectativa de cambio em "t+1" que pode ser afetada pelas expectativas sobre a sustentabilidade das transações correntes.

Sobre seu exemplo, o impacto do aumento exógeno da exportações
(supondo algo como aumento da renda externa, mas sem alteração nos juros externos, o que afetaria diretamente a equação da paridade dos juros),
supondo um modelo como o apresentado no livro de graduação do Blanchard (em que se fixa a expectativa do câmbio em "t+1" e não a depreciação entre "t" e "t+1"),
deslocaria a curva IS para cima e manteria inalterada a equação de paridade de juros. Com isso os juros domésticos subiriam, como você notou, e a moeda local se depreciaria.
Ok, mas haveria uma nova IS, mas o deslocamento do câmbio se daria sobre a mesma curva de paridade.
Assim, temos produto mais alto e câmbio mais baixo que a situação original.
Opa! Com o câmbio mais baixo, as exportações líquidas diminuem. Logo a IS volta a descer. A IS desce e o produto diminui, assim como a taxa de juros interna.
Isso leva o câmbio a se depreciar um pouco.
Esse processo de ajustamente continua ocorrendo até o momento que a economia volta ao mesmo ponto em que ele havia começado.
Assim, o produto interno volta so mesmo lugar. Mas se vc olhar, a IS e a LM continuam no mesmo lugar, assim os juros internos voltam para a mesma taxa inicial.
Assim, via paridade de juros (a não ser que o aumento exógeno decorra de uma mudança da expectativa do câmbio em "t+1" ou mudança de juros externos),
o câmbio volta ao câbio inicial.

Por isso, temos produto, juros e câmbio iguais aos iniciais. A composição do PIB não muda. A composição do BP não muda.

Assim, se as exportações aumentam e elevam os juros e apreciam o câmbio, mas se essa apreciação vai diminuindo as exportações.
Mas o ponto é, que se você voltar a deslocar a IS para baixo até chegar exatamente no mesmo produto inicial,
você estará exatamento com os mesmo juros inicias e o câmbio inicial (porque LM e equação de paridade não mudaram).

Assim, esse aumento exógeno de exportações não teria afetado câmbio.

Leo, pensei nisso agora. Mas admito que seu comentário foi muito interessante mesmo, me fez pensar no assunto.
Posso estar errado, posso ter me enganado na análise do modelo. Aguardo sua resposta.

Corrigindo meu comentário anterior, portanto, é possível que importações e exportações afetem câmbio via impacto das expectativas sobre a taxa de câmbio futura (que podem ocorrer via expectativas sobre sustentabilidade do déficit em transações correntes).

Mas volto aqui ao meu ponto inicial, os canais que podem fazer isso ocorrer são muito mais complexos, e passam por mercado de capitais, do que o Sachsida sugeriu.

Abraços!

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